sexta-feira, 22 de junho de 2018

Brasilidades culinárias e orgânicas no dia 5 das férias

Continuo fazendo pratos com os produtos orgânicos da feira da Reforma Agrária. Hoje usei mais do coco ralado fresco, da taioba, da couve e da banana, além de cozinhar também o aipim subsistente. Preparei um frango com pequi e açafrão, farofa de couve e banana, bolinho de arroz e taioba e bolo/pudim/cuscuz de tapioca e coco com calda de caramelo e leite. 
O melhor, sem dúvida, foi o bolinho de taioba: no olho, misturei a taioba já aferventada com arroz branco, um ovo, queijo parmesão, pimenta branca, cerca de meia xícara de farinha de trigo e sal. Fritei em óleo bem quente, e o aspecto foi quase o de um tempurá. Ficou uma delícia, bem crocante e bem temperado.
Antes de optar pela calda de caramelo com leite ensinada pela Rita Lobo, queimei o dedo tentando fazer uma calda de caramelo comum, que, claro, ficou dura como pedra. A que leva leite ficou mais harmonizada com o bolo, ainda que tenha talhado um pouco (quando acrescentei a manteiga, acredito). Esse bolo não vai ao forno, e a receita foi tirada do site da Danielle Noce - lá, porém, ela usa uma calda de leite condensado, que achei que pudesse ser enjoativa, por isso minha opção pelo caramelo. 
Tem batido um enjoo pelos pratos de sempre, por isso também essas experimentações com produtos menos comuns na geladeira. Se ontem, quando passei o dia de pijama, fiz uma clássica salada de batata, maionese, cenoura, ovo e nozes, hoje fugi de vez dos ingredientes ordinários. 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Sobre cães, sopas e cookies - férias parte 2, dia 3

Hoje fomos comprar material para refazer a cerca que separava nosso terreno do dos meus sogros. A feroz briga de Balu e Kong, há umas três semanas, foi decisiva para querermos separar os cães. Foi horrível de ver, os dois se destruindo na nossa frente e nós com muita, muita dificuldade em separá-los. Então, à iminente castração de Kong somou-se a montagem urgente da cerca, para que não aconteça algo ainda pior.
Bueno, isso foi parte do dia 3 das férias. Em outra parte dele, fiz uma minestrone de forma bem lenta, refogando os legumes primeiro, dos mais duros aos mais macios, antes de acrescentar o caldo e o molho de tomate. Usei, além de cebola, cenoura, abobrinha e batata, aipim e fava comprados na feira orgânica. Deve ter sido a melhor sopa que fiz na vida, é sério.
Como acabei tomando para mim essa missão de cozinhar todo dia algo que contenha pelo menos um produto orgânico, resolvi usar o coco ralado fresco e os nibs de cacau em uma receita de cookie, a do Figos e Funghis (os "cookies infalíveis"), acrescentando ainda um pouco de amêndoas picadas, tudo isso substituindo o chocolate da receita. Apesar do percalço do gás acabando às 21h (e o marido teve de ir buscar outro botijão na casa dos meus sogros, enquanto eu colocava a forma com os cookies de volta à geladeira), o resultado foi bem satisfatório. Os cookies ficaram menos doces do que o normal, mas mantiveram a crocância das amêndoas, são macios por dentro e volta e meia surpreendem com o leve amargor do cacau. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Almoço quase orgânico no segundo dia de férias parte 2

A taioba está na moda: caiu nas graças de nutricionistas e chefs. É uma das mais conhecidas PANC, plantas alimentícias não convencionais. Prima da couve (embora com sabor bem mais suave), é rica em diversos nutrientes, como potássio, e uma fonte privilegiada de vitamina A e ferro, sendo indicada, por isso, para o combate aos radicais livres e à anemia. Além de ser linda, é claro, uma espécie de antúrio gigante e lustroso, chiquérrima.
Comprei um maço na feira da Reforma Agrária e logo fui pesquisar o que fazer com ela. Aliás, minha lousa de cardápio se converteu numa lista de ingredientes a usar, quase todos adquiridos na feira. Como também havia quiabo na lista, resolvi fazer frango com quiabo (seguindo uma receita do Troisgros) e uma farofa de taioba com cenoura. Mineirei total.
Duas coisas importantes nos procedimentos do almoço foram aferventar a taioba antes de refogar (dica da produtora que fez a venda, para eliminar a toxicidade da planta) e tostar bem, sem mexer, por cerca de 10 minutos, o quiabo cortado em rodelas (quando se mexe, a baba começa a soltar). Adorei essa manha para o quiabo, porque a baba é a grande responsável por eu não curtir muito os pratos feitos com ele. Desse modo, porém, quase não há baba, e dá para apreciar muito mais o sabor.
Para o caldo de legumes, me lembrei de usar também uma espécie de hortelã grande bem comum por aqui (hortelã-da-bahia ou do norte), e que Guga comprou na feira da Reforma. Achei que podia ser um bom substituto para o salsão que não tinha na geladeira, e parece que funcionou bem, para incrementar o sabor.
A sobremesa também teve produto orgânico, as bananas compradas finalmente a preço de banana - uma penca enorme a 3 reais (o quiabo, então, cerca de meio quilo, custou 1 real, o que o tornou ainda mais atraente). Cortei quatro bananas em rodelas, levei para congelar, e pouco depois de almoçarmos bati as rodelas no liquidificador com morangos congelados (umas duas xícaras) e um tico de açúcar, e pronto, tínhamos um sorvete saudável, sem conservantes e delicioso.

Primeiro dia de férias parte 2

Tirei mais quinze dias de férias. Não, não devo viajar. De novo, vou ficar por aqui, cuidando de coisas de casa, gastando com cachorro e coisas de casa, cozinhando, lavando roupa e louça. Com sorte, vou retomar minha horta e vou conseguir me exercitar entre um temporal e outro, além de ler, estudar, organizar meu bullet journal e talvez bordar um pouco. (Pronto, já reclamei, porque um pouco também é importante, para manter a sanidade em época de chuva a qualquer momento.) 
Claro que de todo o trabalho não remunerado o (único) que me agrada é cozinhar. Porque cozinhar tem seu quinhão de criatividade, além de ser mesmo uma capacidade mágica, processar seu próprio alimento do jeito que quiser. Isso me alegra montão: saber que posso fazer quase qualquer coisa, desde que tenha os ingredientes necessários e não necessite de artefatos estapafúrdios. 
Outro dia, porém, inventei de fazer um bolo que levava chocolate e coco, e queria justamente usar o coco fresco que comprei na feira de orgânicos em Salvador. A foto era completamente enganosa, de um banco de dados, e não condizia com a receita. Mas eu quis acreditar que uma correspondia à outra. E me dei mal: o bolo ficou com gosto de farinha, a mousse de coco não firmou (tudo bem que eu não tinha creme de leite fresco e tentei de novo usar leite de coco de caixinha). Nem provei, joguei fora. 
Para redimir meu espírito da frustração, resolvi fazer outro bolo, simples, de iogurte e farinha de amêndoas, que achei no site Eu Como Sim, que costuma ter receitas bem honestas. Sucesso absoluto: bolo úmido mas fofinho, com uma leve crocância das amêndoas em contraste com as raspas de limão e a glaçagem da geleia de morango. Acabou rapidamente, claro.
Isso foi no mesmo dia - o primeiro das férias parte 2 - em que fiz estrogonofe para aproveitar a batata palha que compramos para o cachorro-quente, sopa de abóbora cabotiá da feira orgânica com o camembert que estava na geladeira e pão de inhame também da feira da Reforma Agrária. Ou seja, passei na cozinha metade do tempo em que estive acordada. Mas foi gratificante, porque tudo ficou bom, e o espírito também se alimenta desse prazer. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Um passeio pela feira da Reforma Agrária

Amo uma feira, já devo ter dito aqui. Feiras e mercadões, pra ser mais precisa. Quando chego a uma cidade nova, já quero logo conhecer os locais de comércio popular, saber o que a população local consome, o que come, o que compra, o que considera indispensável em sua casa, parte de sua identidade mesmo.
Se a feira ainda for de produtos orgânicos, melhor ainda. Por aqui, ainda não tinha tido notícias de uma, além de nossa feirinha dominical, que é pequena, mas bem boa (com direito a rúcula rascante de tão adstringente).
Entonces, minha amiga Marisa me marcou em uma publicação do MST, de uma feira da Reforma Agrária que aconteceria em Salvador, a versão soteropolitana da tradicional feira do MST do Parque da Água Branca, em São Paulo. Mesmo lá, eu nunca tinha ido a essa feira, que é um verdadeiro evento, mas sempre me interessei ao ver imagens e comentários posteriores. Portanto, saber que a feira aconteceria por estas plagas só podia ser um sinal de que devíamos conhecê-la.
Combinei com o maridón bem antes. Também contatei Liu e Igor, que certamente gostariam de ir (e já tinham se programado para tal). Por sorte, hoje, dia da feira, não choveu, fez um dia lindo. E lá fomos nós, conhecer a produção de todos os cantos da Bahia.
Chegamos com a feira já a todo vapor, gente por toda parte do Largo da Piedade. Tudo meio apertadinho, mas bem organizado em regiões baianas - Norte, Oeste, Baixo Sul, Sul. Em cada banca que passávamos, uma conversa simpática, a postura de orgulho pelo que é feito, a clareza da identidade. E os produtores queriam conversar, estavam sequiosos de dividir seu saber e sua experiência, sem servilismos. Quando houve música militante, todos ali, onde estivessem, cantaram. Emocionante. Descobrimos uma editora que trabalha com temas relevantes para o movimento, Expressão Popular (não por acaso sediada na Rua da Abolição, na Bela Vista, um bairro tipicamente politizado).
E caminhamos no meio de bancas de taioba, cacau, cupuaçu, pimenta de todo tipo, amendoim, milho, mudas de árvores frutíferas, quiabo, mamão, manga, couve, fava, feijão fradinho e de corda, aipim, inhame, nibs e doces à base de cacau, cocada, artefatos de barro e de palha, banana, batata, jaca, xaropes mil, mel, coentro, farinha, azeite de dendê, manteiga de garrafa e tantas coisas que nem registrei. Lindeza reluzente.
No fim, não foi só um passeio pela feira. Foi ver de perto como é possível um projeto de vida solidário e conectado com a natureza, como a união faz mesmo a força na transformação de realidades. Em um cenário tão desolador como o que temos vivido no país - com economia solapada, política entregue aos ratos, saúde e educação em petição de miséria -, é um alento que gente nossa consiga mostrar o resultado de sua esperança, de sua capacidade de continuar acreditando que algo bom pode nascer de nossas mãos. Mas é preciso colocá-las à obra, mergulhá-las na terra, reconectar-se. Nisso reside o milagre.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Frio, chuva e mungunzá (canjica)


Vísceras, livros e ideias escalafobéticas

Passei os últimos dez dias encarando minhas vísceras. Talvez uma intoxicação alimentar, bactérias, excesso de gordura na comida, não sei. Pode ter sido a comida na praia, a salada que tive preguiça de lavar, o queijo frescal que, afinal, não estava tão fresco assim. Não sei. Só sei que às minhas pregressas experiências de mal-estar em Porto Seguro e Belém se juntou a do excesso de gordura que já cometi algumas vezes e desta vez, certamente, repeti. E então fiquei à base de simeticona, Eparema e Atroveran, Gatorade, lactobacilos, muita água - mas sem mudar muito a dieta (o que, junto à falta de exercícios por uma semana, por conta de chuva e mal-estar, já me devolveram um quilo à balança).
Só mudei mesmo a alimentação há uns dois ou três dias, comendo coisas menos temperadas e menos gordurosas, ingerindo menos fibras para não estimular ainda mais o peristaltismo enlouquecido.
Bueno, uma vez quase recuperada, recebi dois livros que comprei pela Amazon, um do sociólogo especialista em comida Carlos Alberto Dória e o da Raiza Costa, obviamente, de confeitaria. O dele me interessa pelas questões de origem da nossa culinária, hábitos comensalísticos e que tais. O dela é uma coisa linda, colorida, cheia de receitas maravilhosas e provavelmente engordativas, mas irresistíveis.
Nessas horas, fico perguntando a mim e a minhas vísceras se não se trata de autossabotagem, querer me aprofundar (e me afundar) na confeitaria quando luto para eliminar uns bons quilos. Pode ser. Mas prefiro tentar usar isso para conquistar o trabalhoso autocontrole e o refinamento do paladar, ao me reservar aos quitutes que realmente valham a pena. No fundo, um espelho da vida que se vai bordando.

Calça que veste como luva da Marcio May

Comprei a primeira vez no site Roupas para Ciclismo no ano passado. O bretelle + camisa masculinos estavam com preço ótimo, e foram meu presente de aniversário para Guga. Chegou tudo relativamente rápido também, e isso só somou pontos ao site, que tem sede em Florianópolis e oferece marcas diversas e muitas promoções.
Eu, que sempre estou em busca do forro perfeito para pedalar, precisava de outra calça, porque a da DaMatta que eu tinha (a segunda!) já tinha ido pra cucuias. Então encontrei uma da Marcio May, que parece estar ganhando mais espaço no mercado, com preço quase 50% mais baixo que das lojas daqui.
Houve uma demora enorme na entrega, de dois meses desde a compra, em parte (creio que a maior parte) por conta da entrega do fornecedor à loja, em parte pela greve dos caminhoneiros que parou o país há umas duas semanas. Recebi ontem, por fim, a calça e um par de pernitos também da Marcio May. E devo dizer que a compra valeu muito a pena: o corte da calça é perfeito, o forro parece muito bom (CoolMax) e ela tem bastante compressão nas pernas.
Já estava quase pedindo o cancelamento da compra, mas valeu a pena dar um voto de confiança ao site.

domingo, 10 de junho de 2018

Cheesecake que vai com tudo

Já fiz esse cheesecake da Dani Noce mais de uma vez. Ontem fiz de novo, e resolvi não cobrir - minha vontade inicial era fazer uma cobertura dupla, de geleia e de doce de leite, meio a meio, mas me lembrei como o cheesecake é servido no Havana Café: a cobertura só é colocada na hora de servir, e fiz o mesmo. Prático e democrático.

domingo, 3 de junho de 2018

Cinnamon rolls - tentativa I

Usei uma receita da Dani Noce (aliás, professora no curso EAD de gastronomia). A massa fica linda, mas queimou no fundo. Provavelmente o forno estava muito quente: talvez não devesse preaquecer, e quem sabe fosse bom forrar a forma com papel manteiga. Também acho que acabei exagerando na camada de canela e açúcar sobre a massa antes de assar e reguei com a calda depois de assar, em vez de só pincelar. Enfim, provável fruto da preguiça de assistir ao vídeo além de ler a receita (pura chatice minha, porque nem todo mundo é a Raiza Costa, né?).
Enfim, motivos para repetir e, então, aprender e acertar.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Bolo de chocolate ou Red Velvet de beterraba? Na dúvida, os dois!


Assim como aconteceu com os cookies, queria fazer um teste de bolo com cranberries para o dia dos namorados. Mas também vi uma receita de red velvet só com beterraba, e quis ver qual era, até porque estava buscando o que fazer com a vermelhinha, da qual não sou exatamente fã (mas já coloquei na fila das experimentações um risoto, um homus e uma coalhada que têm beterraba como base).
Daí que fiz as duas coisas, bem geminianamente. O bolo de chocolate com cranberries ficou sensacional, agora estou esperando o almoço para provar o red velvet de beterraba com creme de minas frescal e açúcar.

Atualização 28 de maio: Provei o red velvet de beterraba: não fede nem cheira. Nada que valha a pena o trabalho. Sou mais a receita da Dulce Delight, que usa a beterraba como corante, do que essa do Dedo de Moça. Nem macio o bolo fica.

domingo, 27 de maio de 2018

Cookies extraordinários de cranberries e chocolate branco

Quando nos mudamos pra cá, descobrimos em um supermercado da Praia do Forte as Bolachas Extraordinárias, da marca portuguesa DanCake. Deliciosas, com sabor artesanal, especialmente as de chocolate branco e cranberries. O preço não estava tão alto, e nós sempre comprávamos quando passávamos por lá. Um dia, porém, elas sumiram, e só ficou a saudade.
Desde o final do ano passado, tenho estado interessada nas cranberries. Pensei em preparar algo com elas - panetone, pão, bolo - para fazer seu sabor azedinho contrastar com o doce do chocolate e da baunilha. Foi aí que encontrei uma receita maravilhosa de cookies, com aveia, ainda por cima, da Technicolor Kitchen. O único senão, adianto, é que não ficaram gordinhos. Mas a consistência meio puxa-puxa, como do ótimo Mr Cheney, que provei outro dia, é perfeita. O sabor não ficou nada a dever às extraordinárias bolachas da DanCake.

Entre umas e outras

Entre uma batida de emendas e outra, enquanto aguardo a próxima prova, vou fazendo outras coisas. Não só pra não perder tempo, mas pra espantar o sono também.
Ontem, foi dia de pizza, e por sorte tinha uma massa congelada à espera (dá pra congelar a bola de massa, e não só o disco pré-assado, que ocupa mais espaço no freezer). Também alternei o preparo da pizza com a feitura dos pães de malte de cevada (que ficam sempre com esse aspecto mais rústico, inclusive o feito para meu vizinho diabético, com adoçante).
Na verdade, faço muito isso, um monte de coisas ao mesmo tempo. Mas, no caso da padaria, isso tem ficado mais organizado, cronometrado, como acontece numa cozinha profissional.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pão sovado perfeito

Numa das minhas compras pela loja virtual da Casa de Saron, encomendei a farinha francesa Bagatelle, para experimentar. Usei uma parte pequena para um pão de casca dura, mas não tinha achado grande diferença no resultado final.
Hoje, sem farinha em casa e precisando fazer um pão, me lembrei do pacotinho no armário. Achei até que o pão poderia ficar meio duro, porque é uma farinha mais forte que as nacionais. Também podia já estar velha, e aí o pão não cresceria.
Bueno, fiz uma esponja de cerca de 40 minutos, sovei, deixei descansando quase uma hora, modelei, e depois mais 45 minutos de fermentação. Levando em conta o tempo mais quente, o processo até foi rápido.
Quando provei a massa ainda crua, já achei o gosto diferente, mais forte, mais levedado. Depois de uns 35 minutos no forno, saiu um pão lindo e absolutamente macio e saboroso, o melhor pão sovado que já fiz (deu até uma vergonhazinha de já ter vendido pães sovados tão longe desse padrão de perfeição, mas pelo menos os clientes poderão perceber a evolução).

Sorvete de abacate

Pela minha extensa lista de sorvetes, ainda não havia passado o de abacate. Mas, com nossa supersafra, surgiu a oportunidade.
Bati um abacate inteiro, quase um e meio, com leite, açúcar demerara e baunilha, levei para gelar e depois bati um pouco à mão, antes de gelar completamente. Poderia ter adoçado um pouco mais, mas ficou bom - não tanto quanto o que eu, Jana e Elisa tomávamos em frente à TV Cultura (industrializado, claro), mas bem bom.

Perro-renacentista-pero-velázqueano

Pets são sempre tão fotogênicos! Os daqui de casa, então, bombariam no YouTube se tivéssemos tempo de filmá-los.
Agora com a câmera melhor de celular novo, tenho conseguido umas imagens melhores de tudo, e ainda consigo compartilhar de forma mais direta.
Aqui, nosso pequeno cão dormindo em um espaço feito para ele, uma visão quase palaciana de Velázquez com tons de Boticelli.

Comida de verdade e comida fit

Sempre que dá, troco ingredientes nas receitas para que elas fiquem mais saudáveis. Caso da páprica misturada ao leite de coco no lugar do dendê quando faço moqueca (o dendê é ótimo, mas pesa em um almoço no meio da semana), ou do leite de coco no lugar do creme de leite para o creme de milho. Às vezes, diluo um pouco o leite de coco, para reduzir as calorias. 
Já tentei fazer algumas receitas fit, e até comprei um livrinho da Lucília Diniz que é vendido em bancas de jornal. Não é algo que costuma me animar muito, mas mesmo assim comprei xylitol para experimentar em algumas receitas - aqui em casa, não funcionou tão bem, porque ele pode dar um pouco de dor de barriga; então, uso nos pães para quem quer restringir o açúcar. 
De todo jeito, tenho um pé atrás com a total descaracterização da comida, ou, pior, com a moda de se tirar absolutamente tudo que supostamente dá alergia: lactose, glúten, açúcar. Claro que se associam a essas substâncias os processos inflamatórios que podem adoecer uma pessoa, mas é preciso pensar um pouco além: muito mais do que comemos pode nos fazer mal porque ingerimos quantidades absurdas de agrotóxicos e outras substâncias químicas bizarras, presentes nos conservantes, espessantes e adoçantes dos alimentos processados. Não é só o açúcar refinado usado no bolo que fará mal; pode ser também o ovo cheio de hormônios, a farinha sem nutrientes, a margarina repleta de gordura não saudável. 
Hoje, no Brasil e no mundo, comemos mal, mas a solução mais imediata não está em seguir a moda fit, e sim em melhorar a qualidade do que colocamos no prato. Sempre que possível (e isso dá mais trabalho que comprar docinhos feitos sem açúcar, sem farinha e sem leite), comprar do pequeno produtor, evitar os ultraprocessados, como aconselha o Guia Alimentar da População Brasileira. É difícil pensar em gastar um pouco mais com alimentação em um país em crise, mas certamente vamos economizar com nossa saúde, não tendo de buscar médicos, remédios e tratamentos caros. 
Por isso, sou totalmente a favor da comida de verdade no lugar da comida simplesmente fit. Comida com sabor, menos produtos químicos, que dê alegria de fato, e não apenas "ausência de culpa", a quem prove. Às vezes, é melhor um pouco de manteiga de verdade para fazer um cheesecake do que simplesmente esmigalhar o biscoito no fundo da taça - como fiz no final de semana, seguindo uma "dica fit" de sobremesa. A frustração do sabor só traz mais vontade de comer um docinho, que me perdoem os fitólatras de plantão.

sábado, 19 de maio de 2018

Cachorro-quente com palta, o creme de abacate chileno

Quando estive no Chile, via nos cardápios de lanches que o abacate acompanhava muitos deles, na forma de um creme salgado. Não cheguei a experimentar por lá, mas agora, com a safra master de abacates aqui de casa, comecei a buscar receitas com a fruta. E a palta, esse creme salgado de abacate, estava na minha lista de experimentações desde a pesquisa que trouxe mais de 60 possibilidades abacatíferas.
Fiz a receita do site Panelaterapia, e deu supercerto. O molho parece uma maionese verde, suave, saborosa, que combina muito bem com o cachorro-quente e o vinagrete simples de tomate e cebola picados. Mais pontos para o abacate, que, além de delicioso, ainda fornece uma gordura de ótima qualidade e, no nosso caso, completamente orgânica.

O ano em que meus pais saíram de férias

Comparação irresistível!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Boeuf bourguignon que vira ragù

Comentei aqui que o almoço do Dia das Mães teve boeuf bourguignon e talharim alfredo, além da sobremesa-rouba-cena torta tres leches. Bom. Sobrou bastante carne, e o que poderia fazer com ela? Ragù com polenta, claro.
Procurei polenta no armário, só tinha um pouquinho. Fui ao mercado, não encontrei para comprar. Foi aí que Guga me lembrou que a polenta é simplesmente fubá. A diferença é que a polenta vem pré-cozida, o fubá não. Ou seja, voltei ao modo de fazer polenta de minha avó, misturar com água e sal e cozinhar por uns bons 20 ou 30 minutos.
Embora tenha dado uma empelotada, a polenta ficou ótima. Combinou perfeitamente com a carne, que tinha cozinhado um tico a mais e tinha quase virado ragù mesmo.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Mousse de chocolate com abacate e cacau e outras descobertas interessantes

O abacate está com tudo e não está prosa, que o diga Kong, que tem ampliado sua coleção de acumulador canino por esses dias. Temos, tamanha a quantidade, conseguido pegar os abacates que os cães não tomam para si, e é um melhor que o outro, verdadeiras manteigas, cheios de sabor.
Para além da vitamina batida e do uso em salada e guacamole, já experimentei aqui o carbonara de abacate, delicioso. E aí vem aquele clique de como a gordura do abacate substitui bem e de forma saudável a do creme de leite, por exemplo. Essas trocas, aliás, me encantam: o leite de coco natural que vira chantili, a banana que serve como espessante para os sorvetes... E tudo tem a ver com a sazonalidade das frutas aqui em casa - vou atrás de receitas para dar conta da quantidade de bananas, acerolas, abacates, mangas que aparecem e que até pouco tempo acabávamos desperdiçando.
Voltando ao abacate, pesquisei na rede e logo achei um site com 63 receitas à base de abacate, ótimo. Na fila já está a palta, um creme chileno de abacate, que vai bem com vários sanduíches. Para hoje, porém, escolhi fazer a mousse de chocolate com abacate, cacau, aceto balsâmico (que esqueci de colocar), baunilha (que não esqueço nunca) e mel. Ficou ótima! Só acrescentaria, em uma próxima vez, uma clara de ovo para dar mais firmeza e aquela textura aerada própria da mousse. Todos os ingredientes usados foram de ótima qualidade: mel orgânico do Capão, extrato de baunilha importado, um tiquinho de leite sem lactose, cacau 100% e, claro, abacate do quintal, gordura super do bem. Doce delicioso e saudável, o que pode ser melhor?

domingo, 13 de maio de 2018

Bolo tres leches com chantili de leite de coco no Dia das Mães

Hoje teve almoço de Dia das Mães aqui em casa, para minha sogra, sua mãe e sua irmã, as mães presentes, além de mim, Guga e meu sogro. Fiz boeuf bourguignon com talharim alfredo já de olho na sobremesa: bolo tres leches, iguaria que conheci no Chile e parece ser uma receita tipicamente latinoamericana, reivindicada por chilenos, peruanos, mexicanos etc. Ela tem, claro, muitas variações, mas basicamente tem um molho que leva, como diz o nome, três tipos de leite, normalmente leite vaporizado, creme de leite e leite condensado. A receita que escolhi, da Dani Noce, usa leite de coco no lugar do creme de leite e tem também chantili e frutas vermelhas na cobertura. Como já tem o leite de coco, pensei em fazer um chantili de leite de coco, uma vez que o leite de coco tem bastante gordura e poderia supostamente substituir o creme de leite fresco.
Bom, nem tudo é tão simples. Depois encontrei uma dica da Raiza Costa, do Dulce Delight, sobre fazer chantili de leite de coco com fruta de verdade, o que permite, com o processo de decantação, separar líquido e gordura, que pode ser empregada no lugar do creme de leite. Com o leite de coco industrializado, isso não acontece, porque há muitos aditivos químicos e fica tudo misturado, impossível de decantar. Aquela história de usar creme de leite de lata gelado pra mim também nunca rolou.
De qualquer modo, ficou muito, muito bom. O toque de canela no bolo fofo e molhado faz diferença. Incrivelmente, o bolo não fica enjoativo. Gostei também da combinação coco-morango do meu quase chantili e dos  morangos frescos. Todos gostaram, aliás, para alegria completa da cozinheira. Ainda por cima, ganhamos foto com o bolo em primeiro plano, praticamente uma capa de revista de gastronomia.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Coisas lindas da Perky e o sucateamento dos Correios

Descobri a gaúcha Perky ainda em São Paulo, numa loja da Galeria do Rock que já nem existe mais. Comprei um modelo de alpargatas que lembrava estamparia japonesa, em tons de azul, lindo. Muito confortável, de ótima qualidade, só acabou porque realmente foi usado até o talo. Depois ganhei uma de Guga, navy, mais elegante, que evito usar em época de chuva porque é clarinha. Por fim, comprei outra, azul e tie-dye, pra variar, que também usei quase indefinidamente.
Guga sempre quis usar alpargatas, mas nunca achou no seu tamanho. Como descobri umas mochilas fofas no site da Perky, e queria parar de usar a do marido, aproveitei para comprar um par de alpargatas para ele.
A encomenda demorou muito a chegar, mas, quando entrei em contato com a loja, eles foram muito prestativos, e assim que entraram em cena os Correios liberaram a entrega. O mesmo, porém (e esta é a segunda parte do post), não aconteceu com uma compra que fiz para o Dia das Mães na Casa de Saron - as outras entregas foram bem rápidas, mas, desta vez, a coisa empacou. Até agora "o objeto não chegou à unidade", postado no dia 23 de abril. O que acho mais triste é o evidente sucateamento dos Correios, empresa que sempre funcionou tão bem - nem me considero prejudicada com o atraso, porque consegui comprar o que precisava por aqui, e era uma quantidade pequena. Triste que cada vez menos a gente possa ter certeza de qualquer coisa neste país, e até escolhas simples que fazemos no dia a dia estão à mercê da política praticada por uma corja que, não contente em roubar os direitos básicos de todos nós ao bem-estar social, se especializa cada vez mais em tomar a liberdade de escolha de quem ainda acreditava poder escolher alguma coisa.

Especial Dia das Mães: quem perder, não saberá o que perdeu


terça-feira, 8 de maio de 2018

Coisinhas bonitas de cozinha e de papel

Na verdade, tudo é para cozinha, tigelas e caderno com capa de chita, que servirá para anotações dos meus cursos de culinária, às vezes anotados de forma desorganizada, em lugares diversos. Isso vai mudar, porque cozinha precisa de organização, inclusive (talvez principalmente) mental.

Mac & Cheese versão light: com frango e ricota

Adoro massas diferentes, e aqui volta e meia achamos umas italianas no supermercado. Comprei porque achei linda uma pasta com formato de cilindro enorme, talvez um canelone mesmo, mas mais curto, e não soube bem o que fazer com ela até que me lembrei do mac and cheese, o macarrão gratinado que os americanos adoram, e que já postei aqui, na época em que estava assistindo à série Bones.
Resolvi fazer uma versão mais light, com frango desfiado e creme de ricota feito na hora. Ficou ótimo, apesar dos tubos enormes de massa. E por fim o macarrãozão achou seu lugar no mundo, ou melhor, no nosso estômago.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Casadinho: brigadeiro branco e de cacau 100%

Casadinho é o nome de diferentes docinhos no Brasil. Em São Paulo, são petit fours "colados" com goiabada, doce de leite ou chocolate; na Bahia, é a união de brigadeiro branco e brigadeiro ao leite. Eu amo a versão baiana, que nem sei que nome tem fora daqui.
No início de março, fiz em casa, e nem acredito que não postei! Usei uma receita de brigadeiro de leite Ninho da Dani Noce e uma de brigadeiro com cacau 100%. Ficou ótimo, mas a larica certamente se satisfaz mais com chocolate 50%.

sábado, 5 de maio de 2018

Bolo inglês e o pouco que dele restou

Segui uma receita da Carol Fiorentino para fazer o bolo inglês. Parece não ter nada de novo (bater manteiga com açúcar, juntar ovos, alternar farinha e leite etc.), mas fica uma delícia! Substituí o rum pelo suco de laranja e as passas que não tinha (e minha encomenda da Casa de Saron estranhamente não chegou, justamente a necessária para os preparativos do Dia das Mães) por damasco e ameixa que estavam no armário, quase esquecidos.
O único ajuste a fazer é mesmo enfarinhar as frutas antes de misturar à massa - elas afundaram um pouco. De resto, tão bom que só sobrou esse pedacito da foto pra contar a história.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Frozen yogurt de morango diet

Mesma lógica do frozen yogurt natural. Usei 3 potes de iogurte integral, 3 colheres de leite em pó, baunilha a gosto, 120 g de xylitol, 300 g de morango congelado (não polpa). Nem utilizei a sorveteira, só bati no liquidificador e mexi bem com a colher quando estava quase congelando. 
Ficou ótimo, e sem sabor de adoçante. 

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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