Fui ver, no final de junho (que já acabou, diosa!), Fim de partida, com Marco Nanini e Guilherme Weber. Os ingressos esgotaram rapidamente, mas consegui para o domingo. Para o espaço da Caixa, reduziram bastante o palco (como mostra a imagem da montagem com Lineu Dias, dos anos 1990).
Não sou especialista em Beckett, mas amo os três textos que conheço do autor. Vi duas montagens de Esperando Godot e duas de Fim de jogo (ou de partida), uma delas sendo essa com Nanini e Weber. Nunca vi montagem de Dias felizes, somente li a peça. As três me levam a esse lugar onde a esperança luta desesperadamente para não sucumbir no vazio, que só não se instalou completamente porque ainda há vida, simbolizada nos duplos de cada texto. Tantas vezes na vida, a esperança-espera parece não ter razão de ser, como quem aguarda Godot sem se perguntar por quê - mas seguimos esperançando, para usar o verbo de mestre Paulo Freire.
Embora as falas de Fim de partida/jogo produzam ainda mais desconforto que as de Godot em uma relação de abuso e dependência, e Winnie pareça se negar a ver o que está diante de si e só enxergue/lembre os "belos dias", fico pensando se Beckett era realmente um desesperançado, se queria mostrar o ridículo da esperança, como mais uma "tradição inventada", um cacoete humano, o total absurdo, ou se, no fundo, lá no fundo, não quisesse nos deixar ver que a humanidade é justamente feita dessa matéria teimosamente à deriva que é a esperança.
Gostaria de vê-lo se encontrando com Freire, talvez cochichando com o pernambucano que "somente assim veriam a verdade", pois é preciso, parafraseando outro mestre, um gaúcho, mostrar-lhes "tudo de novo". E esses dois, dessa vez, sorririam um pro outro.

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