terça-feira, 20 de outubro de 2026

Vida ao redor e a beleza das comunidades quilombolas

Como parte da programação do Coninter, houve uma visita a duas comunidades quilombolas na região da Baixa do Iguape, em Cachoeira, os quilombos de Dendê e de Kaonge. 
Que lindeza foi aprender sobre o fabrico de farinha, de azeite de dendê, de xarope de ervas, a criação de ostras, o samba de roda com pequenos que dançavam lindamente e nos tiravam para dançar! O que mais me encantou, porém, foram a alegria e a confiança de cada pessoa com quem conversamos. Muitos jovens, a maioria mulheres, universitárias, articuladíssimas. Orgulhosas de suas raízes. 
Foi a melhor forma de fechar um congresso que fala de trocas multiculturais, com todo mundo se enriquecendo.  

Eu vou à luta é com essa juventude

Como alguém pode não amar a democracia, para além dos privilégios? A democracia é que permite a festa e, como diz Luís Antonio Simas, festejamos para aguentar o rojão, talvez parafraseando Gonzaguinha. 
Estar com todo mundo que é tão diferente de mim, estar com os meus, isso é festa. Festa é a Primavera dos Estudantes, que conclamam a todos para marchar alegremente. Organizamos a raiva para defender a alegria. 


domingo, 18 de outubro de 2026

Dentro da vida universitária

Em meio às lutas pela democracia, lutamos pelo conhecimento dentro e fora da universidade, levando e trazendo saberes, reforçando a ponte entre a academia e toda a sociedade, porque é assim que tem que ser. Tive o privilégio de ver as queridíssimas do PPGNEIM compartilhando suas experiências no Fórum de Mobilidade Internacional - além da riqueza dos relatos, inclusive com eventuais dificuldades enfrentadas mas principalmente com muita troca cultural, a possibilidade de reencontrar cada uma delas, após alguns meses de fim de curso. No dia seguinte, apresentei, com algumas das colegas, uma comunicação sobre bordado e política no XV Coninter - Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades. No final de semana ainda teve visita a dois quilombos com a galera do Congresso, mas isso já é outro post, embora faça parte dessa riqueza toda de vivência na universidade e fora dela. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Nas ruas e nas redes, a defesa da democracia

Uma coisa linda e emocionante de ver é o movimento popular nas ruas, puxado principalmente pelos estudantes secundaristas e universitários. Não é a primeira vez que acontece, claro, e parece bem diferente dos anos 1960 e dos atos de 2013, porque a galera se mostra mais consciente da pluralidade do povo brasileiro e do que é preciso combater - o bolsonarismo, e não a direita, que foi engolida nos últimos oito anos pelo extremismo político. 
Já falei por aqui de pessoas queridas que preferem não votar, como se pudessem se eximir de qualquer responsabilidade com o resultado da eleição. Creio que são as que acreditam que o bolsonarismo é de direita, uma lástima. 
O bolsonarismo raiz, no entanto, captura para si as pessoas que reagem com violência aos opositores, sem qualquer chance de diálogo, até mesmo porque não têm proposta alguma - prova disso é a série de eventos criminosos nos últimos dias, com incêndios na UFPE, no estacionamento do SAMU em Salvador, em um teatro no Espírito Santo, em uma igreja católica em Santa Catarina, em reservas indígenas, destruição de imagens de Nossa Senhora, invasão do site da Ancine para ofender nordestinos, tiros disparados para o alto em passeata de estudantes em Sergipe. Perversos e violentos são os bolsonaristas convictos, intolerantes com tudo que não lhes diga respeito. Até no baixíssimo escalão de cooptados, como um professor querido da Federal, que nos ajudou muito em uma recuperação coletiva na disciplina de Desenho, veio fazer comentários ridículos em uma postagem minha no Facebook. Nada de debate, só ataque puro e simples.
Do lado progressista, as imagens falam por si. Famílias, diversidade, solidariedade, alegria para a luta. Agora sim, estamos em toda parte.  

sábado, 10 de outubro de 2026

Poder, ganância e ressentimento na pauta do dia e da política

Fomos às urnas no dia 4, sabendo que essas eleições não seriam fáceis. No fim, um gosto amargo na boca: segundo turno com Tariflávio à frente de Lula. Congresso e Senado tomados pelo PL e outros partidos extremistas. 
Porém, o mais triste é pensar no que esses resultados representam em termos de escolha dos eleitores brasileiros, inclusive de algumas pessoas próximas. Duas pessoas queridas a quem enviei algumas postagens progressistas disseram que estavam muito decepcionadas com o novo governo, que era hora de "mudar", atribuindo a Lula a corrupção de tudo que está aí, esse impressionante, mas não inexplicável, fenômeno do antipetismo. 
Minha mãe, que diagnóstico sempre equivocado, com o classismo escondido em cada fala! E também esse olhar curto para a realidade, achando que não serão afetadas pelas "mudanças" - porque já têm casa própria, plano de saúde, estabilidade financeira, não pensam no efeito da volta à pobreza extrema e à fome de milhões de pessoas, como isso impacta a economia, a segurança, a pesquisa científica, as aposentadorias de todos, a oferta de vacinas e de medicamentos, leis que favorecem a todas as pessoas, independentemente da classe econômica, como a Maria da Penha, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a liberdade de fé religiosa e até mesmo o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país! A cultura e a educação, então, nem se fala - grandes vítimas do governo do Bozo pai. 
Fiquei chateada, mas não surpresa. Porque isso é o que pensam milhões de brasileiros, ou por essa condição cômoda na sociedade, ou por se espelharem nos mais ricos, acreditando que um dia podem chegar "lá". Pior: muitos nem "pensam" assim, só reproduzem discursos, especialmente nesta era de domínio de redes sociais e analfabetismo político. Tenho pensado muito na ganância pelo poder e pelo dinheiro e como isso produz ressentimento em quem fica de fora e violências de toda sorte (inclusive de quem detém o poder e o dinheiro, até para manter um e outro). Muito a ver com o mandato da masculinidade teorizado por Rita Segato, mas também com o sucesso da empresa colonial, excludente e racista no Brasil. 
Um aprendizado, independentemente do resultado que teremos no segundo turno, é a de que os progressistas reais (não aqueles que combatem identidades) enfim estão descendo do salto para ouvir, sem querer ensinar ao outro como pensar, agir e votar. Parece mesmo que estamos chegando ao ponto de não retorno em tudo - talvez disso surja uma refundação, mas, como não temos certeza de nada, só nos resta agir enquanto é tempo de deter a barbárie, como têm feito os estudantes não só em todo o Brasil, mas ao redor do mundo, ao lado de trabalhadoras e trabalhadores. 
O mundo arde, literal e metaforicamente. Que esse fogo seja purificador, e não só destruição.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Modos de lutar

Nas ruas, nas redes, no teatro, na universidade, na festa, no encontro. Mais que nunca, organizar a raiva para defender a alegria. 

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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