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Fazia mais de vinte anos que eu não participava de um congresso, menos ainda de uma mesa. Pois, mesmo não fazendo (ainda) parte de um programa de pós-graduação, fui convidada a estar com mulheres admiráveis, com quem tenho convivido desde o ano passado.
Esse caminho de volta à universidade não tem sido fácil, meu eu do ano passado que o diga! Mas o acolhimento feminino tem sido fundamental no processo. Ter reiniciado a terapia também foi essencial para poder perceber a espiral de tempo, memórias e experiências, tomando de empréstimo a filosofia de Nego Bispo do começo-meio-começo. O livro infantil sobre Aracne, o encantamento com o Chile de Neruda e Violeta, o mestrado em arte, a ida à foz do São Francisco e conhecer Pontos e Contos de Penedo, saber da luta do bispo Cappio, um dia acordar e começar a bordar, as oficinas com as irmãs Dumont, o contato com as mulheres do semiárido baiano na especialização em história da alimentação, a mudança para Salvador ao lado da UFBA, ter bordado um vestido com o Opará e poder falar dele na apresentação, depois descobrir em meu caminho a Opará de águas agitadas, ouvir mulheres falando de política e fazendo política no cotidiano, não se limitando ao que lhes é imposto. Como faz sentido a ilustra que fiz na pandemia, quando assistia a Lovecraft Country!
Essas sincronicidades não teriam qualquer sentido, porém, se eu não tivesse tido um tempo de silêncio em mim mesma, que me permitiu não só me ouvir e conhecer minhas limitações, mas ouvir às mulheres ao meu redor e crescer com elas. Ouvir e ressoar suas alegrias e dores, sentir o que nos une e nos distingue, pensar em como engrossar esse caudal revolucionário. Até mesmo o que não deu "certo" parece o mais acertado hoje. E eu agradeço e ressoo esse movimento em minhas águas.




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