É muito fácil apreciar a beleza do que cantoras e cantores, escritoras e escritores, atrizes e atores negros criam. Mesmo quando falam das dores da racialização, do preconceito cotidiano, do lugar que ocupam na sociedade, muita gente branca se sensibiliza. Mas muitas vezes passa rápido. Por que, afinal, o que é se aliar de verdade às lutas das pessoas subalternizadas? Claro, me coloco aqui como mulher não negra e não branca.
Por exemplo, fui com Liu e Igor assistir ao lindíssimo show de Lazzo Matumbi cantando a Bahia, com participação de Ravi, Rachel Reis e Baiana System (e me emocionei demais com a interpretação de "É d'Oxum"!). Quando Lazzo falou da população negra e sua luta, foi largamente ovacionado, como era de se esperar. Houve um momento, porém, em que falou da necessidade de as mulheres ocuparem os espaços, e bem menos gente que o esperado aplaudiu sua fala.
Justamente porque me preocupo com não ser antirracista de ocasião, fui com Liu, dias antes, assistir ao minidoc lançado pelo Instituto AzMina sobre a Marcha das Mulheres Negras em seu balanço de dez anos de movimento. Emocionante, e me espanta que não vejamos mais burburinho em Salvador. Eu era uma das poucas pessoas não negras no lugar, o que, de novo, era de se esperar - embora também seja um dado pouco animador. Onde estão as demais pessoas que as apoiam? Claro que não temos que "invadir" o território alheio, como quase sempre acontece, mas precisamos encontrar uma forma de nos mostrarmos ao lado das demais pessoas subalternizadas, e elas precisam saber disso, que somos ALIADAS.
A ideia não é só dançar e cantar juntas, mas também fazer parte da caminhada, única forma de conquistar um mundo mais justo. Manifestar-se é o primeiro passo, sempre.
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