Mostrando postagens com marcador Concha Acústica do TCA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Concha Acústica do TCA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Ser aliada não é só diversão

É muito fácil apreciar a beleza do que cantoras e cantores, escritoras e escritores, atrizes e atores negros criam. Mesmo quando falam das dores da racialização, do preconceito cotidiano, do lugar que ocupam na sociedade, muita gente branca se sensibiliza. Mas muitas vezes passa rápido. Por que, afinal, o que é se aliar de verdade às lutas das pessoas subalternizadas? Claro, me coloco aqui como mulher não negra e não branca. 
Por exemplo, fui com Liu e Igor assistir ao lindíssimo show de Lazzo Matumbi cantando a Bahia, com participação de Ravi, Rachel Reis e Baiana System (e me emocionei demais com a interpretação de "É d'Oxum"!). Quando Lazzo falou da população negra e sua luta, foi largamente ovacionado, como era de se esperar. Houve um momento, porém, em que falou da necessidade de as mulheres ocuparem os espaços, e bem menos gente que o esperado aplaudiu sua fala.  
Justamente porque me preocupo com não ser antirracista de ocasião, fui com Liu, dias antes, assistir ao minidoc lançado pelo Instituto AzMina sobre a Marcha das Mulheres Negras em seu balanço de dez anos de movimento. Emocionante, e me espanta que não vejamos mais burburinho em Salvador. Eu era uma das poucas pessoas não negras no lugar, o que, de novo, era de se esperar - embora também seja um dado pouco animador. Onde estão as demais pessoas que as apoiam? Claro que não temos que "invadir" o território alheio, como quase sempre acontece, mas precisamos encontrar uma forma de nos mostrarmos ao lado das demais pessoas subalternizadas, e elas precisam saber disso, que somos ALIADAS. 
A ideia não é só dançar e cantar juntas, mas também fazer parte da caminhada, única forma de conquistar um mundo mais justo. Manifestar-se é o primeiro passo, sempre. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Dançar a ancestralidade

Pois dezembro começou muito bem, com espetáculo lindo de dança na Concha Acústica. Fui prestigiar os colegas da Funceb, na Mostra Odún, que reuniu todos os grupos ligados à fundação. Eu imaginei que seria bom, mas não que seria tão lindo! Que bom ter vencido a preguiça dominical e ter pedido um ingresso no grupo (compromisso que, como sempre, garantiu o ter vencido a preguiça). 
Não consegui falar com Lu, claro, que estava na concentração. Mas o bilheteiro gentil me concedeu um ingresso e lá fui, me juntar a uma multidão que lotou a Concha, uma lindeza. Logo comecei a bater papo com minhas vizinhas de arquibancada, que tinham ido ver um dos dançarinos de dança afro - filho/afilhado/neto. 
A organização foi perfeita, houve uma história que alinhavava o espetáculo, puro Sankofa. E nisso residia a beleza maior, honrar as ancestralidades. Como disse, fui surpreendida com a qualidade das apresentações (embora minha ex-turma tenha apresentado outra coreografia), especialmente a partir da segunda metade do espetáculo.
Foi a partir da segunda metade que o espetáculo pegou fogo. Já havia o elemento de negritude em algumas coreografias anteriores e no próprio texto dramático, mas dali a pouco havia também ventania e raios e pequenas poderosas oyás, havia animal totem embalando o burlesco ao som de Gal, floresta ancestral e yabás, dança afro pulsante e enérgica (e lá estava o afilhado/filho/neto brilhando), a mais nova espada e seu corte do orixá da luta e da justiça, vencedor das demandas Ogum. Ali a dança abraçou todo o seu sentido, o de falar com passado e futuro pelo corpo, torná-lo ancestral no momento presente. Se isso não é magia, então não sei o que é.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

OSBA na Concha

Fui assistir ao ensaio aberto da OSBA, a sinfônica da Bahia, regida por Carlos Prazeres. Hoje, a regência foi do maestro convidado Éder Paolozi. As peças ensaiadas foram de Dmitri Shostakovich e J. Sibelius. 
Os ensaios abertos são divulgados com antecedência e quem quer assistir preenche um formulário e aguarda a resposta em alguns dias. Nos espetáculos mais concorridos é mais difícil conseguir. Hoje não havia meia dúzia de pessoas na Concha Acústica, mas foi igualmente lindo ouvir a OSBA tocar. Fiquei emocionada de estar ali, com o privilégio de ouvir aquela música, aquele caos organizado nas afinações, de ver aquele céu esplendorosamente azul.
O único senão foi um sujeito que estava assistindo a algum vídeo, em volume altíssimo, na arquibancada. Alguns músicos viraram para olhar, mas não podiam fazer nada. Fui até ele e disse que estava atrapalhando. Qual não foi minha surpresa ao depois vê-lo integrar a linha dos metais! Um tocador de trompete completamente sem noção, viciado em redes sociais na hora do ensaio? Temos.

domingo, 24 de setembro de 2017

O famoso gato por lebre - show de Gilberto Gil sem Gil

Tá, viramos ratos da Concha Acústica - vimos shows ótimos lá: Tom Zé, Zé Ramalho, Novos Baianos, Milton, O Grande Encontro. E achamos que não poderia ser diferente com o amado Gilberto Gil. Mas foi.
As informações sobre o show de comemoração de 40 anos do álbum Refavela, tanto no site do Teatro Castro Alves quanto em sites locais de cultura, como o IBahia e do jornal Correio, falavam que Gil receberia outros artistas, como Céu, para cantar as canções inspiradas em sua viagem à Nigéria. Porém, foi uma espécie de karaokê de familiares de Gil e Caetano, com tentativas explícitas de lançar artistas desconhecidos, como a nora de Gil, casada com o produtor do espetáculo, Bem. O anfitrião do show, na verdade, era Moreno Veloso. Gente, quando é que eu pagaria 120 reais e venceria 60 km de estrada para assistir Moreno Veloso saltitando para lá e para cá? Para ouvir o tímido vocal da nora de Gil? Para só ver Céu 1h20min depois de iniciado o show - quando, na verdade, já estávamos indo embora, por fim convencidos da trapaça toda?
O show começou com um áudio da voz de Gil, gravado nos anos 70, falando do lançamento do álbum. Foi o único sinal de sua presença, ainda que em todos os cartazes sua foto e seu nome apareçam em primeiro plano, inclusive na frente do TCA (grande responsável pela venda do engodo). Pelo que vi no site do Correio de hoje, "quase no final da festa, Gilberto Gil entrou no palco, colocando toda a Concha para dançar ao som do batuque da Patuscada de Gandhy". É realmente possível que aquelas 5 mil pessoas tenham achado normal ir a um show de Gilberto Gil com "participação especial de Gil", quando o que se vendeu foi sua atuação como anfitrião? A minha impressão é de que a maioria do público presente (porque, sim, mais gente foi embora) tenha achado mais cômodo esperar, que tenha se conformado com uma participação, mesmo que mínima, do artista.
Em uma entrevista do Correio, cuja chamada é de que Gil seria o anfitrião, somente no meio do texto dá-se a entender que ele vai cantar 3 músicas durante o show (se tivesse lido isto há 3 semanas, nem perderia tempo). De resto, parece haver um grande conluio midiático para promover o show e os parentes menos famosos do cantor. Tristes tempos estes, em que a cultura também é manchada pelo oportunismo, pelo favorecimento de iguais, em detrimento da maioria da população.

Atualização no dia 25 de setembro:
Teatro Castro Alves: Prezada Solange, lamentamos pelo seu descontentamento. O show de fato se configurava como um tributo, e não como apresentação de Gilberto Gil. O release publicado no site do TCA, disposto pela produção do evento, fazia esta contextualização. Ademais, esclarecemos que a realização do show e do projeto é independente, não se tratou de um espetáculo promovido pelo TCA. Ficamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Solange Lemos: Teatro Castro Alves, ninguém lamenta mais do que eu, que tenho ido a tantos shows na Concha Acústica, e observado problemas aqui e ali, como a superlotação do espaço e os gritos do público na direção de quem está de pé. Lamento muito que a sanha do lucro produza massas apinhadas nos acessos às arquibancadas da Concha Acústica, que não haja nenhum cuidado da produção com a segurança e o bem-estar do público. Lamento a comunicação dúbia apresentada/compactuada no site do TCA e em outros meios digitais e no cartaz enorme diante do teatro no caso do evento referido. Lamento sobretudo por saber de antemão que esta seria a resposta óbvia à minha reclamação - "não temos nada a ver com isso" porque "o evento é independente", embora eu tenha comprado do TCA, e não da produtora de Bem Gil, os ingressos, o que configura responsabilidade solidária. Lamento, lamento muito mesmo que esse grande complexo tenha se tornado tão pouco convidativo, tão pouco "cultural".

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Habitués da Concha

Na falta de um Sesc, nosso lugar de lazer é a Concha Acústica, caçadores de pérolas que somos.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Véspera de aniversário com Amor e Zé

O melhor show na Concha até agora. Zé Ramalho é sertão, é rock'n'roll, é avôhai. Até a chuva que caiu no início foi profética porque era show dele.
Mas o presente foi meu.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Selfando

Na Concha Acústica do TCA, esperando Tom Zé apresentar suas canções eróticas de ninar, fizemos uma sequência de selfies.
Pra que foco? O foco é ser feliz.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

Arquivo do blog