domingo, 19 de julho de 2026

Começo, meio, começo

Fazia mais de vinte anos que eu não participava de um congresso, menos ainda de uma mesa. Pois, mesmo não fazendo (ainda) parte de um programa de pós-graduação, fui convidada a estar com mulheres admiráveis, com quem tenho convivido desde o ano passado. 
Esse caminho de volta à universidade não tem sido fácil, meu eu do ano passado que o diga!  Mas o acolhimento feminino tem sido fundamental no processo. Ter reiniciado a terapia também foi essencial para poder perceber a espiral de tempo, memórias e experiências, tomando de empréstimo a filosofia de Nego Bispo do começo-meio-começo. O livro infantil sobre Aracne, o encantamento com o Chile de Neruda e Violeta, o mestrado em arte, a ida à foz do São Francisco e conhecer Pontos e Contos de Penedo, saber da luta do bispo Cappio, um dia acordar e começar a bordar, as oficinas com as irmãs Dumont, o contato com as mulheres do semiárido baiano na especialização em história da alimentação, a mudança para Salvador ao lado da UFBA, ter bordado um vestido com o Opará e poder falar dele na apresentação, depois descobrir em meu caminho a Opará de águas agitadas, ouvir mulheres falando de política e fazendo política no cotidiano, não se limitando ao que lhes é imposto. Como faz sentido a ilustra que fiz na pandemia, quando assistia a Lovecraft Country!
Essas sincronicidades não teriam qualquer sentido, porém, se eu não tivesse tido um tempo de silêncio em mim mesma, que me permitiu não só me ouvir e conhecer minhas limitações, mas ouvir às mulheres ao meu redor e crescer com elas. Ouvir e ressoar suas alegrias e dores, sentir o que nos une e nos distingue, pensar em como engrossar esse caudal revolucionário. Até mesmo o que não deu "certo" parece o mais acertado hoje. E eu agradeço e ressoo esse movimento em minhas águas. 

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Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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