Agosto tem a fama de ser um mês muito longo, de ser o mês do desgosto. Discordo, ainda mais quando ele começa tão bem, com visita de enteado, teatro na Concha com o genial Gregório Duvivier e participação no excelente Olhares sobre Estudos Feministas, apresentando Roberta Scatolini e ouvindo-a falar sobre seu trabalho inspirador na área da educação. Começou bem demais esse agosto.
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domingo, 9 de agosto de 2026
Gostinho de agosto
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domingo, 19 de julho de 2026
Começo, meio, começo

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Fazia mais de vinte anos que eu não participava de um congresso, menos ainda de uma mesa. Pois, mesmo não fazendo (ainda) parte de um programa de pós-graduação, fui convidada a estar com mulheres admiráveis, com quem tenho convivido desde o ano passado.
Esse caminho de volta à universidade não tem sido fácil, meu eu do ano passado que o diga! Mas o acolhimento feminino tem sido fundamental no processo. Ter reiniciado a terapia também foi essencial para poder perceber a espiral de tempo, memórias e experiências, tomando de empréstimo a filosofia de Nego Bispo do começo-meio-começo. O livro infantil sobre Aracne, o amor pela arte na infância, o encantamento com o Chile de Neruda e Violeta, o mestrado em arte, a ida à foz do São Francisco e conhecer Pontos e Contos de Penedo, saber da luta do bispo Cappio, um dia acordar e começar a bordar, as oficinas com as irmãs Dumont, a mudança para a Bahia, o contato com as mulheres do semiárido baiano na especialização em história da alimentação, a mudança para Salvador ao lado da UFBA, ter bordado um vestido com o Opará e poder falar dele na apresentação, descobrir em meu caminho a Opará de águas agitadas, ter chegado ao PPGNEIM como aluna especial, redescobrir a arte como potência, ouvir mulheres falando de política e fazendo política no cotidiano, não se limitando ao que lhes é imposto. Como faz sentido a ilustra que fiz na pandemia, quando assistia a Lovecraft Country!
Essas sincronicidades não teriam qualquer sentido, porém, se eu não tivesse tido um tempo de silêncio em mim mesma, que me permitiu não só me ouvir e conhecer minhas limitações, mas ouvir às mulheres ao meu redor e crescer com elas. Ouvir e ressoar suas alegrias e dores, sentir o que nos une e nos distingue, pensar em como engrossar esse caudal revolucionário. Até mesmo o que não deu "certo" parece o mais acertado hoje. E eu agradeço e ressoo esse movimento em minhas águas.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026
Junho comunicativo
Por fim, saiu meu texto escrito em março, na disciplina de Feminismos digitais, com Vanessa. Ela, sempre a nos estimular/desafiar, generosamente cedeu seu espaço na coluna do jornal A Tarde para publicarmos. É tão bom ver nosso texto impresso, tornado realidade! Ainda mais saindo na capa quase ao lado do Messi, imagine. Vamos avançando os dois, ainda que com velocidades e metas bem variadas.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Flores de maio
Maio passou voando, mas trouxe lindas flores em meio à correria após mudanças do PNLD.
Fim de curso sobre feminismos digitais, mais conciso e mais profundo, por estranho que pareça. Trouxe aquela vontade de que esse círculo, essa roda, não se desfaça nunca. Tenho exercitado muito minha escuta, um desafio para os muito falantes (estridentes, inclusive, como diria minha irmã caçula), o que é essencial para deixar passar os ruídos mentais desnecessários (e às vezes nocivos). Calar para ouvir e ouvir-me. E tão bom é ter mais perto pessoas como Vanessa, Carle, Márcia, Flavinha, Sandra, Gabi, Be, Nara, Jô, Andreia, Ariadne, Bárbara, Arthur, Jane. Ouvir e ver a música de Kailane, os versos de Samantha, a videoperformance de Thaís (um salto sobre o abismo como o de Thelma e Louise). Saber de pesquisas que me impressionam pela profundidade e beleza, me comover com os relatos de experiências tão diversas mas que compreendo tão bem. Me sinto menos estranha no ninho, porque esse ninho é muito acolhedor.
No Dia das Mães, em outro ninho, estive com ex-sogra, que me adotou como filha desde minha chegada. Fiz uma chocotorta com receita adaptada, sucesso seguro (mais creamcheese, menos doce de leite, biscoitos Maria de chocolate com um toque de café). Ocasião de ouvir os mais velhos, percebendo como cada vez vamos ficando mais próximos deles em termos de experiências. De repente, passo a entender quase tudo dessa fase que cada vez mais é minha também.
E teve visita da minha irmã caçulinha. Marie veio num pé e voltou no outro, mas fomos à casa de Jorge e Zélia, comemos malassado no Catiguria, compramos delicinhas no Ceasinha, enfim tomamos o vinho que Harley me deu de presente, visitamos a Catedral e a Igreja do Rosário (onde eu não entrava desde que participei de uma festa há quase trinta anos). No Rosário, fomos conduzidas por José Roberto, que quase não nos deixava ir embora - e assim se percebe como as relações sociais estão escassas. Visitamos a Fundação Casa de Jorge Amado e fui presenteada com réplicas de azulejos de Carybé, depois subimos a ladeira para o Carmo e almoçamos arroz de hauçá no Café e Cana (quase tudo estava fechado) com delicioso caju amigo sem álcool. Ainda fomos ao Mercado Modelo que já estava quase fechando. Também consegui, enfim, provar o suco de limão com água de coco, muito bom. E muita conversa, risos e terapia familiar, sempre, além de uma foto decente da Opará na Casa do Rio Vermelho.
Embelezando tudo, o grupo de monitores de várias exposições trouxe um logo lindo feito por Leandro, que, aliás, conversa diretamente com a Oxum de Carybé.
Foi bom florir com maio.
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sábado, 29 de novembro de 2025
Here is the rainbow I've been prayin' for
Depois de dias difíceis, veio uma chuva de afetos. Ganhei convite do PPGNEIM para Neojiba, levei Sueli e encontrei colegas; recebi visita de Carlos e Flavio (que eu não via há 12 anos), fomos à Jam no MAM e ao Manga, conversamos incansavelmente; participei do Día de los Muertos no espanhol, testei receita de pan de muerto e ajudei na corrida para confeccionar flores e bandeiras; recebi visita de meu lindo irmão caçula, corremos ao hospital mas também passeamos e recebemos amor de gatinhos e fizemos nossa tradicional terapia familiar; fui com Liu a uma oficina de aquarela e me inspirei a prosseguir treinando; fui ao almoço de ex-sogro e experimentei bolo delícia de chocolate feito com água; fui com Guga prestigiar o filme de Kleber Mendonça com Wagner Moura, O agente secreto, mistura certeira de realismo mágico com horror real e acento deliciosamente nordestino; prestigiei lançamento de livro do talentoso Adriano, cicloviajante apaixonado como eu pelo São Francisco; ganhei concurso de melhor texto no espanhol por pura fofura dos colegas-eleitores; testei o bolo de chocolate no último encontro da pós - comilança com direito a samba da maravilhosa Camila Factum e a amiga-secreta; recebi visita de Taisa, amiga-irmã que não via desde sua visita há oito anos, e fomos provar arroz de polvo do França e a festa no Casa Branca, com direito a assuntos infinitos; levei bolo de aniversário (o mesmo de chocolate, mas com raspas de laranja) para Felipe, do espanhol, em nossa última aula.
Tudo isso coloca as coisas em perspectiva. É para isso, também, que servem os encontros, os afetos. Sol após a chuva, arco-íris atravessando alegremente o céu. Obrigada pela lição, Jimmy.
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Tudo de bão
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- "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
- "Geografia da fome", de Josué de Castro
- "A metamorfose", de Franz Kafka
- "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
- "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
- "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
- "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
- "O estrangeiro", de Albert Camus
- "Campo geral", de João Guimarães Rosa
- "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
- "Sagarana", de João Guimarães Rosa
- "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
- "A outra volta do parafuso", de Henry James
- "O processo", de Franz Kafka
- "Esperando Godot", de Samuel Beckett
- "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
- "Amphytrion", de Ignácio Padilla


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