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domingo, 9 de fevereiro de 2025

Horinhas de descuido

É o velho Rosa quem me faz lembrar da felicidade em horinhas de descuido. 
Não ando muito feliz nem otimista nos últimos dias, tempos, apesar do meu impulso "descuidado" de continuar fazendo as coisas, mesmo quando não é muito sensato, indicado etc. Outro dia me manquei de que herdei isso de minha mãe, esticar o braço além da conta. E o contexto ao redor, realmente, não ajuda em nada. 
Bueno, ainda assim e por isso mesmo fui fazer mais aulas de cajón. Voltei ao flamenco este mês, pelo menos. Palmilhando o Rio Vermelho, achei um restaurante de comida natural bem bom, Manjericão, e logo abaixo o Café Floresta, que tinha bolo de cupuaçu. Preços salgados, mas tudo de ótima qualidade. 
E tive mais um gostinho, além do bolo de cupuaçu, de felicidade descuidada: fui ver Caetano e Bethânia na Fonte Nova, a convite da queridíssima Cris. Carinho da amiga e também do invisível para tomar fôlego.


segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Outubro de trabalho, mas também de dança e comida

Até quando viverei em Salvador? Sabem os orixás! Mas, enquanto vida houver, e esta for em Salvador, sigo palmilhando a terra soteropolitana. 
Neste outubro, de muito trabalho, mesmo temporário, um dia acordei e pensei que queria voltar a fazer flamenco. Busquei no Google, achei um tablao no Rio Vermelho, mandei mensagem, marquei aula experimental. Ya estoy, tentando me lembrar minimamente da coreografia de dez anos atrás. Mas me divertindo mais que antes, com certeza. 
Outro dia, aproveitei que tinha um tempinho antes de encontrar Vivi para almoçar e passei na Ahorita, padaria artesanal no Rio Vermelho, na rua mais tortuosa que já vi. Pedi uma focaccia, não gostei muito; já o pão rústico, ótimo, melhor, talvez, que o da Saletial, com sal e azedinho no ponto. A Saletial, que tem pães lindíssimos, também fica no Rio Vermelho, mas só trabalha com encomenda e entrega. 
De lá rumei pro Buddha Bistrô Asiático, que estava oferecendo almoço e jantar pelo Salvador Restaurant Week. Tudo perfeito! Pedimos e dividimos chikin (coxinha coreana) e bao (pãozinho chinês) de entrada, katsutera (pão de mel japonês, mais para pão de ló, delicadíssimo, com calda de doce de leite e licor de licuri) e kanom thai (crumble de banana com mousse de leite e coco queimado) de sobremesa e cada uma pediu um mee goreng, um yakissoba com camarão e carne suína, delícia. O drinque, sem álcool, era de tangerina e manjericão, maravilhoso. 
Por fim, umas semanas antes rolou cervejinha de aniversário de Vivi, com seus amigos da universidade, no Bagacinho, bar disputado e com ótimos petiscos. E me meti no aniversário de Mona, no querido Piri.
Apesar de toda preocupação, ainda dá pra se divertir nessa vida.

terça-feira, 5 de março de 2024

Rio Vermelho de amor

Sempre tive a maior simpatia pelo Rio Vermelho, a começar pelo nome. Ainda por cima, é um bairro charmoso, cheio de lugares para visitar. Foi um dos lugares que busquei quando decidi me mudar para Salvador, mas a demanda intensa deixa os aluguéis nas alturas. A praia não é incrível, como não são as praias de Salvador em sua maioria, mas o visual é lindo. Ainda por cima, é o cenário da festa de Yemanjá, que agrega todas as gentes em fevereiro. Este ano, voltei à festa por terra - a primeira vez foi há 27 anos, quando eu entendia menos ou nada da cultura baiana, e naquela ocasião, depois de lançar flores ao mar, resolvi ir ao Pelourinho, e no caminho conheci uma senhorinha cuja sacola ajudei a carregar e que me convidou para uma festa no Rosário, privilégio sagrado. 
Desta vez, na trilha do sagrado, fui a pé de Ondina ao Rio Vermelho, acompanhada da querida Suely, no meio do mar de gente, onde conseguimos encontrar Cris. Tudo na Bahia é mar, e o mar de gente está em toda parte. Lançamos nossas rosas, pé na areia, e descobrimos o serviço essencial de lavapés - dois rapazes na escada de acesso à praia derramavam água fresca nos pés dos ofertantes, e ainda enxugavam e calçavam os pés de cada um, recebendo em troca "o que quiséssemos dar". Ouro daria, se ouro tivesse! 
No ano passado, viemos à festa pelo mar, o que foi lindo de ver também. Mas estar no meio da multidão tão diversa, tão alegre, é incomparável, com pessoas de todas as idades, de bebês vestidas de baianinhas a senhoras octogenárias dançando na rua com alegria contagiante. Só foi difícil almoçar por ali, tudo completamente tomado - aliás, este verão foi impressionante a quantidade de pessoas em Salvador, em qualquer lugar. Tivemos de almoçar em Ondina por não encontrar lugar no Rio Vermelho; só tínhamos conseguido sentar num bar-corredor, com garçons simpáticos e muito atrapalhados e um som que impossibilitava qualquer conversa, então almoçar ali nem pensar. 
Mas eis que, uma semana depois, voltei ao Rio Vermelho para encontrar Marisa e Harley, recém-chegados de Alagoas (ai, que saudade deu!). Fomos tomar um sorvetinho, bater papo e dar um rolê ali mesmo na Casa de Yemanjá. Só aí me lembrei de que os mosaicos lindos da casa foram feitos por meu amigo Ed Ribeiro, pintor dos orixás, que conheci nas andanças com Liu e Igor na Vitória, confirmando a tendência do Rio Vermelho de ser um lugar de encontros e afetos.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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