Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Mulheridades

Fui assistir a uma apresentação de flamenco no Goethe, da impressionante cantaora Anna Colom, um escape depois de vários dias ainda me reorganizando após o fim de um PNLD caótico. Uma voz limpa, forte, bonita, acompanhada somente de guitarra flamenca, algo puro e emocionante. Ainda por cima, encontrei mis maestros Andrés, João Paulo e mi maestra Rita, ótimo para atualizar algumas notícias. 
Soube no mesmo dia que Lu Salgado estava em Salvador, em evento da universidade, e pedi a ela para nos encontrarmos, já que em SP é sempre uma epopeia. E não é que deu certo? Almoçamos pertinho e conversamos muito em quase 3 horas, a profundidade de sempre, como se o tempo não tivesse passado (fenômeno que ocorre sempre com gente querida). Tomamos o mesmo Uber e eu fiquei no Rio Vermelho enquanto ela seguia para o aeroporto. 
Na Escola Baiana de Arte e Moda, participei de uma oficina de bordado para iniciantes, coordenada por Sophia Buaiz. A ideia era ficar quatro horas sem celular. Para mim, que não participava de uma oficina desde 2017, foi fácil. Como é bom praticar! Minha Aracne ficou bem tosquinha, mas era o que dava para fazer com o tempo e o material disponíveis. O bom é reacender a vontade de fazer, de criar, e em grupo é muito estimulante - a força do coletivo.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Entre comemorar e lutar

Eita, que agosto acabou, já entrou setembro e daqui a pouco é Natal! Por aqui, foi um mês intenso, muito inspirador e criativo (ia dizer produtivo, mas não quero reduzir a riqueza do vivido a "produção"). 
Falo em criação porque recriei hábitos mais saudáveis, tirando do cardápio há quase um mês o café, o açúcar e o trigo, por conta de pré-diabetes e possível esofagite. O amado suco de laranja foi no mesmo bojo, e reduzi os lácteos, por conta da acidez mais que pela lactose. Nessa recriação, retomei a atividade física de fato, aumentando cargas, fazendo tudo direitinho. Exercitei meu senso de limites, descansando quando necessário, dizendo não sempre que foi preciso. Voltei a ir ver o mar. 
Também comemorei vitória de Nara, colega do PPGNEIM, defendendo sua dissertação ao lado de sua mainha, os 70 anos de Degas em linda festa organizada por Dani, cantei à beça fazendo faxina sob o olhar espantado de Zenzito, consegui finalizar um PNLD que teve muitas idas e vindas e atrasos e tocar outro trabalho, me inscrevi em processos de seleção e criei minha camiseta para as eleições, uma releitura feminista de Tarsila. 
Mais que o que acontece entre o nascer e o morrer, sinto, pelo menos hoje, que viver é o caminho feito entre o comemorar e o lutar. Vivamos, porque isso é bom. 


terça-feira, 21 de julho de 2026

Vou festejar

Que delícia este julho de comemorações, entre tantas demandas! 
O livro que ganhei de amiga-secreta de Bárbara inaugurou os presenteares em alto estilo, com Chimamanda. Em seguida, me presenteei com as tatoos muito significativas do colibri e das espadas com bichano, a partir de desenho meu, pelas mãos habilidosas de Jackie (que me chegou por João Paulo, mestre de cajón). 
Teve a cantoria delícia com amigos de diversos cantos, com cantos diversos, na Lapa. E o povo todo festejou com a gente ao som de Beth Carvalho, um apogeu na vida. 
Para nunca perder o costume, ponguei no aniversário de dona Amélia, com minha querida família do coração. Teve o melhor bolo de morango que já provei, para coroar os festejos. 
Mas os maiores presentes, sem sombra de dúvida (e sem sombras em geral), são a presença e o agora. Com companhia e tempo de qualidade, festejar é inevitável. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Junho inicia os trabalhos festivos e afetivos

O mês do coração aquecido começou, com chuvas mas também diversão. E já me convenci de que uma das minhas missões na vida é iniciar pessoas no karaokê. Dessa vez, foram os amigos do espanhol - fomos fazer nossa formatura cantando, e eles amaram! 
No outro dia, fui almoçar o cozido delicioso feito por Cris na companhia de Guga e da Diretoria quase completa. Passei sem traumas da energia veinteañera dos chicos para o humor dos 50+. E reafirmamos nossos laços em mais um dia concedido pela vida. 
Como junho também tem Copa este ano, comemorei com Liu seu aniversário no dia de Santo Antonio e de jogo do Brasil contra o Marrocos, no simpático Boteco da Sereia. Desde o karaokê que não recupero a voz, imagine depois de uma partida tão apertada como aquela.  
Seja qual for a ocasião, o importante é estar com nossos queridos, enquanto vida houver. Rindo, cantando, torcendo, esse é o tom pedido por junho. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Fevereiro tem Carnaval

Pois, pois - por conta de trabalho, que bom, fiquei por aqui no Carnaval. Cris e Julio se hospedaram aqui, o que sempre é sinal de agito. Ainda por cima, terminaram de encher o congelador com comidinhas prontas - que eles nem tiveram tempo de comer, diga-se de passagem. 
Já tinha tido uma sorte tremenda, porque no ensaio do Cortejo Afro, a convite de Cris e na companhia de suas amigas do Batalá, duas semanas antes, houve participação do querido Saulo Fernandes. Quando fomos, no sábado de Carnaval, para a orla, lotada como nunca, estávamos já conformados com nossa pouca sorte quando fomos surpreendidos pela passagem do trio de Maga, nossa ministra da Cultura Margareth Menezes. Faraó pediu, a gente respondeu. 
No domingo, eu bem que tentei sair de pipoca ao lado do Cortejo Afro, que tinha cordas, mas o atraso enorme me fez voltar para casa. Porém, de novo, a sorte me sorriu e eu vi, graças ao mesmo atraso, a rainha Daniela Mercury e a lenda Armandinho. Puxa, como valeu ter saído de casa! 
Carnaval ainda é a festa mais democrática do Brasil, apesar da invasão das marcas patrocinadoras que só bancam as mega-atrações, puxando também os incentivos governamentais, o que escanteia os pequenos blocos, os grupos "originários", populares desde o nascimento. Apesar das cordas também - mas creio que metade dos grupos hoje libera a pipoca para o povo. 
Aliás, o trabalho dos cordeiros é um daqueles dinheiros muito, muito suados. Este ano, receberam 80 reais para segurar as cordas em torno dos trios, colocando para fora os penetras sem abadá ou pulseira. E o que dizer da corrida dos ambulantes em guardar lugar nas calçadas do circuito quase duas semanas antes do início do Carnaval? Crianças vêm junto com pais e mães, muitas vezes, pois não há com quem deixá-las. Mas, dentre as diversas ocupações geradas no Carnaval, a que mais me choca ao evidenciar desigualdades é a das escoltas feitas por seguranças para convidados VIP que querem chegar aos camarotes sem serem "importunados" pelo povo. No Carnaval. Uma festa po-pu-lar. Rapaz! 
Apesar de toda desigualdade e gentrificação, ainda fico com Simas, quando fala da inversão que ocorre na festa, quando os invisibilizados podem mostrar sua cara, sua dança, sua alegria. Atrás ou não do trio elétrico, vivos. Vivos.  

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Belo e maldito

Pouco depois que Wag foi embora, soube da passagem de Carvalho. Nós havíamos falado tanto dele! 
Paulinho, Cacá, Carvalhinho, Professor Carvalho. Desde meu primeiro momento no Anglo, seu sorriso e suas palavras doces me receberam. Mesmo não sendo do meu círculo mais íntimo, um amigo por quem sempre tive um imenso carinho e a quem sempre admirei, pela postura profissional e cordata, pela ética, pela inteligência rara, que mesclava a grande erudição filosófica e literária com a alma aberta ao outro mas avessa às injustiças de todo tipo. Rimbaud e Che Guevara numa mesma pele. Belo e maldito, aguerrido e terno. 
Continuamos nos seguindo nas redes, e acompanhei seu tratamento contra um linfoma, o cotidiano no campo, o amor pela filha, pelos amigos e pelos bichos, seus embates traduzidos em textos eruditos e poéticos. Até ser surpreendida pela partida abrupta. O coração, tão grande e vibrante, subitamente cessou todo movimento. 
Lembro de um comentário de Jonas, coordenador de matemática, acerca de uma calça estampada que eu usava - ele disse que parecia saída do guarda-roupa do Carvalho. Foi um elogio enorme para mim, ser comparada de alguma forma a ele, mestre de estilo no viver. Como tantos amigos saudaram, acertadamente, evoé, Carvalhinho! Siga fazendo arte entre as estrelas, brilhe entre elas como brilhou entre nós, querido.   

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Amizade que tece manhãs e histórias

Wagninho veio a trabalho para a Bahia e depois tratou de me honrar com sua companhia. Não nos víamos pessoalmente há quase quatro anos. Quanta história para colocar em dia! Falamos de alegrias e tristezas, passado, presente e futuros, tomamos muitos cafés e sorvetes, batemos perna por Salvador, uma Salvador menos turística, mais popular, negra e profunda a maior parte do tempo, tudo praticamente registrado por Wag. 
Teve exposição no Muncab com lindos trabalhos de artistas brasileiros e estadunidenses abordando a ancestralidade africana com os onipresentes Rubem Valentim e Mestre Didi, painéis de Carybé no Mafro, arroz de hauçá do Axego, sol forte no Pelourinho. Mais tarde, cantoria com Lívia, uma total desopilação com a turma sempre animada do Karaokê da Lapa e o sempre rabugento Jorge, que comanda o microfone - de bônus, o motorista que nos levou era apaixonado por Guilherme Arantes e pediu para ouvirmos as novas músicas. 
No dia seguinte, mesmo tendo dormido muito tarde, ainda fiz prova de proficiência do espanhol, antes de irmos à praia em Ondina mesmo e de encontrarmos em seguida com Guga para almoçar no Buddha Bistrô. Mais tarde, matamos o desejo de Wagninho por um acarajé na Dinha - e enfim tirei foto com Jorge (mais um Jorge) e Zélia. 
Finalizamos nosso encontro feliz na festa de São Lázaro, com missa afrobrasileira e o engajado padre Clóvis, que, criado em um terreiro dedicado a Ogum, pregou contra a desigualdade própria do capitalismo, conclamando à mudança, maravilhoso (e é pároco da única igreja de São Jorge em Salvador). Além do banho de cheiro, pipoca e folhas, fomos aspergidos mais três vezes antes, durante e depois da missa. Que coisa linda essa missa ao som de atabaques e presença das mães e filhas de santo! Para coroar, chuva de pétalas sobre nós, cura completa orquestrada por Obaluaê/São Lázaro. Ainda descobri que o tal bar A Boneca Cobiçada, na frente da paróquia, deve seu nome a uma música, um bolero sertanejo, e foi escolhido pelo avô do atual proprietário. Na volta, já em casa, fizemos um brunch com bolivianos, mingau de carimã (delicioso, que eu não conhecia), pão delícia com queijo reino da Apipão. E café, claro!
No meio dessa perfeição toda, adicionamos mais pontos e fios à tessitura de nossa amizade de mais de trinta anos.  

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

Arquivo do blog