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terça-feira, 5 de maio de 2026

Fricassé leguminoso

Outro dia, após séculos, fiz fricassé de frango. A receita da Rita Lobo é a minha favorita pelo sabor e porque não precisa de forno, tudo se resolve numa panela só. Mas daí pensei, nestes tempos em que tem sido difícil cozinhar, totalmente sem inspiração nem vontade, que queria testar um creme feito de legumes do perfil Cozinha de Gente Moderna e que é usado justamente sobre frango desfiado. E acabei juntando o milho ao restante dos legumes congelados. Ficou ainda melhor, além de mais nutritivo, claro. Mereceu foto. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

E, contudo, se movem!

Para onde quer que eu olhe, vejo mulheres se movimentando em busca de mudanças - de si, do entorno, do país, do sistema, do mundo. Mudanças que dizem respeito não somente a elas/nós, mas a toda a sociedade, para melhor, para avançar na direção de direitos universais, e não apenas identitários, como sugerem alguns. 
Estamos pesquisando, fazendo leituras coletivas, propondo novas realidades, prestigiando e promovendo a arte, fazendo novas amizades, fortalecendo laços, tecendo teias e manhãs. E também cuidando, alimentando, festejando, experimentando, aprendendo, criando e sobrevivendo. 
Não há nada mais belo e honesto, sobretudo hoje, do que ser mulher. Apesar dos esforços de nos apagarem, seguimos nos movendo, brilhando e nos fortalecendo. Não há mais hipótese de abjurarmos esse poder. 

sábado, 20 de setembro de 2025

Banana bread vegano com mirtilos

Nem sempre encontro mirtilos e menos ainda com preço bom. Um dia desses, encontrei, e acabei comprando duas caixinhas. Mas antes que a segunda estragasse - aqui em casa tenho evitado ao máximo deixar estragar frutas e verduras ou qualquer coisa - tive a ideia de colocar mirtilos no banana bread, mesma receita que fiz para o níver de Flavinha. Depois vi que não é nenhuma novidade, muita gente faz essa mistura. O fato é que fica ótimo!

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Reaproveitamento chique: presunto cru

Ainda tinha presunto cru do meu aniversário - delícia, mas haja sódio. De todo jeito, não ia jogar fora, com o preço das coisas! 
Tinha massa de pizza congelada, comprei uma burrata, usei na pizza, parte com pesto, parte com o presunto. O que restou do presunto ainda foi compor uma salada (e eu não sou boa de salada) delícia com cream cheese, tomate, rúcula e pesto. E azeite Verdenso, que comprei na oferta, uma sorte em horinhas de descuido.   

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Pastel de choclo

Como a banana-da-terra, milho também é uma maravilha. Mesmo não sendo o alimento mais digerível do planeta, é uma delícia. E tem essa identidade indígena indiscutível, dividindo o posto de alimento da terra com a mandioca/aipim/macaxeira. 
Nos países andinos, o milho impera. Eu, que já fui confundida com uma chilena, resolvi fazer esta semana o pastel de choclo, para variar o cardápio. Carne moída bem temperada, enriquecida com ovos cozidos e coberta com um purê de milho. Perfeição. Já que não vou ao Chile tão cedo, que venha ele a mim.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Nhoque delícia de banana-da-terra

Banana-da-terra é tudo de bom. Frita, assada, no microondas, como cartola, purê para acompanhar frango ou peixe, cobertura para escondidinho ou torta de carne de sol ou fumeiro. Só isso já seria incrível, mas daí a gente recebe uma receita de nhoque de banana-da-terra e parmesão, puro umami. A consistência é perfeita, o sabor é perfeito. Nunca mais deixarei de ter banana-da-terra em casa.

sábado, 15 de março de 2025

Brownie de matchá e chocolate branco

Na minha última viagem a São Paulo, fiquei impressionada com a quantidade de preparos com matchá, além do onipresente pistache (que nem aguento mais ver, a propósito). Até floresta de matchá, versão de floresta negra feita com o chá verde em pó. Amei tudo que provei, então trouxe o chá, que achei caro, aliás.
Mas o tempo foi passando e eu não tinha nem mesmo aberto o pacote. Outro dia vi uma receita de Rita Lobo de um brownie de matchá com chocolate branco e então me animei. Fiz hoje - além de lindo e fácil de fazer, ficou uma delícia. Logo congelei a maior parte, já organizando minhas futuras marmitas. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Outubro de trabalho, mas também de dança e comida

Até quando viverei em Salvador? Sabem os orixás! Mas, enquanto vida houver, e esta for em Salvador, sigo palmilhando a terra soteropolitana. 
Neste outubro, de muito trabalho, mesmo temporário, um dia acordei e pensei que queria voltar a fazer flamenco. Busquei no Google, achei um tablao no Rio Vermelho, mandei mensagem, marquei aula experimental. Ya estoy, tentando me lembrar minimamente da coreografia de dez anos atrás. Mas me divertindo mais que antes, com certeza. 
Outro dia, aproveitei que tinha um tempinho antes de encontrar Vivi para almoçar e passei na Ahorita, padaria artesanal no Rio Vermelho, na rua mais tortuosa que já vi. Pedi uma focaccia, não gostei muito; já o pão rústico, ótimo, melhor, talvez, que o da Saletial, com sal e azedinho no ponto. A Saletial, que tem pães lindíssimos, também fica no Rio Vermelho, mas só trabalha com encomenda e entrega. 
De lá rumei pro Buddha Bistrô Asiático, que estava oferecendo almoço e jantar pelo Salvador Restaurant Week. Tudo perfeito! Pedimos e dividimos chikin (coxinha coreana) e bao (pãozinho chinês) de entrada, katsutera (pão de mel japonês, mais para pão de ló, delicadíssimo, com calda de doce de leite e licor de licuri) e kanom thai (crumble de banana com mousse de leite e coco queimado) de sobremesa e cada uma pediu um mee goreng, um yakissoba com camarão e carne suína, delícia. O drinque, sem álcool, era de tangerina e manjericão, maravilhoso. 
Por fim, umas semanas antes rolou cervejinha de aniversário de Vivi, com seus amigos da universidade, no Bagacinho, bar disputado e com ótimos petiscos. E me meti no aniversário de Mona, no querido Piri.
Apesar de toda preocupação, ainda dá pra se divertir nessa vida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Boliviano

Eu ainda não acredito que acertei em cheio a feitura do boliviano, esse bolinho filho de saltenha, coxinha e churro, um verdadeiro trisal! Peguei, como sempre, umas três receitas na internet. A massa é de coxinha mesmo, farinha, leite (no caso, usei sem lactose, que é um pouco ralo, mas no final funciona), sal. O recheio é de saltenha, carne moída, passas, temperos. 
Tentei fritar na airfryer, não fica tão bom. Imerso em óleo, a perfeição, um perigo. Fiz as bolinhas, uns 400 g de carne renderam quase 20 bolinhos bem nutridos. Daí congelei. É possível fritar sem descongelar, mas é sempre mais seguro deixar um pouco fora do congelador antes. 
Servi no bololô de aniversário, e foi sucesso inconteste.

sábado, 27 de abril de 2024

Chocotorta argentina

Já é difícil emagrecer na perimenopausa, mas com hóspede que adora um doce fica praticamente impossível. Mas decidi que essa chocotorta argentina será o último doce que farei enquanto Vivi estiver aqui. 
Creamcheese e doce de leite na mesma proporção, biscoito de chocolate levemente embebido no café. É isso. Um pouco doce além da conta, mas bom. 

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Coleslaw de beterraba e cenoura

Rita Lobo sugere em seu canal um coleslaw de repolho e beterraba, o que já me pareceu finíssimo. Eu resolvi juntar cenoura e beterraba, mostarda Dijon, mel, vinagre, sal e pimenta-do-reino. Esqueci da maionese. Ficou ótimo, e lindo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Uma vontade que dá, de repente

As marmitas me ajudam demais, não há a menor dúvida. Mas, às vezes, até prepará-las dá preguiça, sobretudo se tiver outra programação no final de semana. Além disso, tem dia que bate vontade de comer outra coisa, diferente do que há no congelador, até porque nem tudo que está lá fica delicioso. 
Outro dia, me deu vontade de comer ceviche, ainda mais com esse calor todo. Pensei em ir até um restaurante que tem mais ou menos perto para provar o ceviche, mas só abre para o jantar, e eu queria almoçar ceviche. Como já fiz ceviche, resolvi me programar para o preparo em casa, sabendo que é uma receita que não dá pra congelar, é comida para degustar na hora. Aconteceu inclusive de ter uma promoção de saint peter congelado no supermercado - comprei, reservei. Hoje segui o passo a passo mais atentamente que da outra vez (quando não esperei o peixe descongelar direito e ele ficou borrachudo), e hoje ficou bem bom. Ainda preparei batata-doce ao murro, ficou ótima, ainda mais gostosa que a batata comum, bem crocante por fora e macia por dentro. E me lembrei de que no Rinconcito Peruano eles costumam servir o ceviche com milho (tudo bem que é o milho do tipo aperitivo, gigante, típico peruano), e mesmo o enlatado combinou super bem. 
Um outro prato que me deu vontade de preparar (este dá pra congelar) foi a galinhada. Fiz na semana passada. Não aquela cheia de bossa feita com pequi, mas uma mais simples, com sobrecoxa de frango e arroz, com bastante cúrcuma e páprica. Aqui também adicionei milho (o mesmo depois usado no cebiche) e cenoura, e ficou ótimo. 

domingo, 24 de setembro de 2023

Retomada da cozinha

Principalmente nos últimos dois anos peguei um bode tão grande de cozinhar que, após a mudança, fiquei um mês comendo mal e erraticamente. Cedi a tentações e facilidades do supermercado muitas vezes (biscoitinhos, pãezinhos cheios de conservantes, sorvetes).  
Ter assistido às três aulas gratuitas da Marina Linberger, já disse aqui, me inspirou a criar meus cardápios semanais, o que tem sido de uma ajuda imensa no dia a dia. Uso os domingos para cozinhar de quatro a cinco pratos, que rendem várias porções, às vezes para duas semanas. Ainda preciso reabsorver o consumo de saladas, mas já tenho feito legumes confitados, para começar.
A semana na Chapada Diamantina me ajudou muito a comer melhor, mesmo almoçando sanduíches - no café da manhã e no jantar compensávamos com comida bem variada. Esses dias, porém, às voltas com alguma ansiedade ligada a família e trabalho, houve momentos que até aquecer a comida parecia um custo. Até encontrei um nhoque de batata no supermercado e preparei ao molho de limão para jantar (e deve render mais 2 porções durante a semana).
Mas estou voltando a gostar de cozinhar, aos poucos. Daí saiu de novo bolo de cacau com tâmara (herdada dos lanches no Pati), saiu o inédito crumble de uva (com uva vitória do São Francisco, perfeita), maçã, nozes e aveia da Rita Lobo, bem como o fricassé de frango feito com sobrecoxa, também receita de dona Rita Panelinha. 
Mesmo com dificuldade de abrir mão de sucos e doces, sigo pelo menos no caminho da comida de verdade, com pouquíssimos ultraprocessados (exceção feita à batata palha do fricassé, of course). 

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Gracias a la vida

Os 51 chegaram, e chegaram no melhor estilo, num momento muito bom, de mudanças significativas (que pude fazer graças a um mínimo de planejamento, que cada vez mais na vida valorizo, mas sem perder de vista o privilégio que tive).
Em um mês de vida em Salvador, quanta coisa já aconteceu! Reposto as imagens com as queridas chicas gauchas do espanhol no Cuco Bistrô e flanando pelo Pelô, e adiciono as do tributo a Rita Lee na Saladearte, o encontro com Liu e Igor e Ed Ribeiro no Raso da Catarina, o bolo de aniversário coletivo em Guarajuba, por fim o encontro com Dani e amigas para experimentar o menu do Origem, uma perfeição, benzadeus. Haja privilégio. 
Embora sempre de olho no que fazer para combater a injustiça social, sigo dando graças à vida, que me faz encontrar pessoas maravilhosas no caminho, gente que coloca em pauta e em prática essas questões que me incomodam. Para que mais gente possa justamente dar graças, sentar-se a uma mesa com amigos, ter uma refeição, gozar da própria dignidade de ser. 

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O melhor bolo de chocolate sem farinha do mundo

Hoje fiz o bolo de chocolate sem farinha do Panelinha. Pensei logo, quando vi a receita, que deveria ser a ideia daquele O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, mas provavelmente melhor, já que tinha dedo de dona Rita Lobo. Isso porque aquele que se dizia o melhor tinha um quê de suspiro, casquinha e tudo, e o de Rita Lobo também vai nessa direção de textura. Mas é muito melhor, como eu imaginava. Nada seco, muito saboroso, uma versão delicada mas marcante de brownie. Amei.
Dessa vez, não reduzi a receita à metade, mas a um terço, porque só comprei uma barra de 85 gramas. Ficou perfeitinho. E ainda tinha sorvete de leite pra acompanhar, mais que perfeitinho ficou.

terça-feira, 11 de abril de 2023

Pavê de chocolate de Páscoa

Já faz uns anos que não compramos ovos de chocolate na Páscoa, sempre optando por uma sobremesa à base de chocolate, como este delicioso pavê da foto, receita da Panelinha, com biscoito assado direto no refratário (amo isso!) e então regado com calda de uísque, leite e canela e coberto pelas camadas de creme e creme de chocolate (com leite condensado caseiro, chiquérrimo) e merengue italiano, tudo polvilhado com chocolate em pó 70% cacau.
Mas, no entanto, todavia, este ano cometi a extravagância jupiteriana de comprar um ovo La Nut com pistache da Cacau Show. O mais caro que já comprei na vida, mas o que mais valeu a pena na vida. Jesus, que coisa deliciosa, tirando o açúcar adicionado e a gordura hidrogenada! Com pistache de verdade, pedacinhos inclusive. Deve ter sido a primeira e última vez, mas foi. 
E me acabei de comer chocolate nesta Páscoa - Toblerone, caixinha de Bis, ovão de pistache, pavê de chocolate. E agora chega, que quero eliminar mais quilos, depois de estacionar nos misteriosos 66,9 kg, com pequenas oscilações para cima e para baixo. De novo, vou iniciar uma fase sem açúcar adicionado e com menos farinha de trigo. Sigamos sem açúcar, mas não sem doçura.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Cuscuz marroquino a duas mãos

Numa conversa num dia qualquer, combinei com Dani fazermos um cuscuz marroquino para estrear seus pratos trazidos do Marrocos e sua tagine original.  Providenciamos ingredientes, houve um contratempo qualquer, agendas apertadas, pandemia e o encontro foi sendo postergado. 
Mas, outro dia, canceriana memoriosa que sou, trouxe à baila a ideia, Dani se reanimou com ela, encontrei o cuscuz no precinho. No encontro seguinte, ela já me avisou da compra do cordeiro, daí foi buscar lugar na sua agenda concorrida.
Fomos inaugurar seu novo cantinho na Praia do Forte, levando o preparo já adiantado - minha sogra preparou a carne com mil temperos, vinha d'alhos e tal, e eu deixei para refogar os legumes in loco, na cozinha pequenina, cuidando para não deixar voar cenoura e cebola pra todo lado (só não pude evitar as lágrimas dos convivas enquanto eu picava cebola). 
Depois, foi só magia: aquecer caldo, regar cuscuz, adicionar legumes e depois a carne desfiada, cobrir com hortelã e castanhas. Delícia, delícia o resultado do trabalho a quatro mãos tão longamente esperado.

terça-feira, 21 de março de 2023

Arancini delícia feito do risoto cacio e pepe

Fazia muito, muito tempo que eu não fazia risoto. 
Quando comecei a fazer, há mais de dez anos, preparava uma quantidade grande - maior que nossa fome - e acabávamos comendo demais. E a constância era grande também, e assim fiz risoto com tudo que é ingrediente. Depois enjoeei, Gustavo já não queria mais comer carboidratos, e nunca mais fiz até o último final de semana, quando preparei o cacio e pepe para aproveitar os divinos queijos de cabra que comprei no Capril R.A.
Como estava todo esse tempo sem fazer, exagerei nas medidas e sobrou muito risoto. Só que risoto no dia seguinte não funciona, então fiquei pensando o que poderia criar com ele. Aventei até a possibilidade de comê-lo como arroz doce, imagine. Joguei no Google "aproveitar risoto" e logo santa Rita Lobo me respondeu com "bolinho de risoto (arancini)".
Eu não sabia que arancini era sempre feito com risoto. Comi uma vez um delicioso no interior de SP, na companhia de Li e Luís, num restaurante de um italiano da gema (aliás, lá comi o melhor tiramisù da vida, até aprender a fazer o meu, modéstia às favas). Acabei seguindo um pouco a receita de arancini do Panelinha com dicas blog Fritadeira sem Óleo. Fiz bolinhas de risoto, coloquei dentro um cubinho de requeijão caprino, passei no ovo batido e em seguida na farinha de rosca. Daí coloquei no congelador até a hora de preparar.
Preaqueci a airfryer, pincelei as bolinhas com azeite e deixei 10 minutos a 200 graus. O arancini ficou parecendo bolinho de boteco bom, perfeitinho. Melhor ainda que o risoto, diga-se de passagem.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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