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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Eu vou à luta é com essa juventude

Como alguém pode não amar a democracia, para além dos privilégios? A democracia é que permite a festa e, como diz Luís Antonio Simas, festejamos para aguentar o rojão, talvez parafraseando Gonzaguinha. 
Estar com todo mundo que é tão diferente de mim, estar com os meus, isso é festa. Festa é a Primavera dos Estudantes, que conclamam a todos para marchar alegremente. Organizamos a raiva para defender a alegria. 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Nas ruas e nas redes, a defesa da democracia

Uma coisa linda e emocionante de ver é o movimento popular nas ruas, puxado principalmente pelos estudantes secundaristas e universitários. Não é a primeira vez que acontece, claro, e parece bem diferente dos anos 1960 e dos atos de 2013, porque a galera se mostra mais consciente da pluralidade do povo brasileiro e do que é preciso combater - o bolsonarismo, e não a direita, que foi engolida nos últimos oito anos pelo extremismo político. 
Já falei por aqui de pessoas queridas que preferem não votar, como se pudessem se eximir de qualquer responsabilidade com o resultado da eleição. Creio que são as que acreditam que o bolsonarismo é de direita, uma lástima. 
O bolsonarismo raiz, no entanto, captura para si as pessoas que reagem com violência aos opositores, sem qualquer chance de diálogo, até mesmo porque não têm proposta alguma - prova disso é a série de eventos criminosos nos últimos dias, com incêndios na UFPE, no estacionamento do SAMU em Salvador, em um teatro no Espírito Santo, em uma igreja católica em Santa Catarina, em reservas indígenas, destruição de imagens de Nossa Senhora, invasão do site da Ancine para ofender nordestinos, tiros disparados para o alto em passeata de estudantes em Sergipe. Perversos e violentos são os bolsonaristas convictos, intolerantes com tudo que não lhes diga respeito. Até no baixíssimo escalão de cooptados, como um professor querido da Federal, que nos ajudou muito em uma recuperação coletiva na disciplina de Desenho, veio fazer comentários ridículos em uma postagem minha no Facebook. Nada de debate, só ataque puro e simples.
Do lado progressista, as imagens falam por si. Famílias, diversidade, solidariedade, alegria para a luta. Agora sim, estamos em toda parte.  

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Flores de maio

Maio passou voando, mas trouxe lindas flores em meio à correria após mudanças do PNLD.
Fim de curso sobre feminismos digitais, mais conciso e mais profundo, por estranho que pareça. Trouxe aquela vontade de que esse círculo, essa roda, não se desfaça nunca. Tenho exercitado muito minha escuta, um desafio para os muito falantes (estridentes, inclusive, como diria minha irmã caçula), o que é essencial para deixar passar os ruídos mentais desnecessários (e às vezes nocivos). Calar para ouvir e ouvir-me. E tão bom é ter mais perto pessoas como Vanessa, Carle, Márcia, Flavinha, Sandra, Gabi, Be, Nara, Jô, Andreia, Ariadne, Bárbara, Arthur, Jane. Ouvir e ver a música de Kailane, os versos de Samantha, a videoperformance de Thaís (um salto sobre o abismo como o de Thelma e Louise). Saber de pesquisas que me impressionam pela profundidade e beleza, me comover com os relatos de experiências tão diversas mas que compreendo tão bem. Me sinto menos estranha no ninho, porque esse ninho é muito acolhedor.
No Dia das Mães, em outro ninho, estive com ex-sogra, que me adotou como filha desde minha chegada. Fiz uma chocotorta com receita adaptada, sucesso seguro (mais creamcheese, menos doce de leite, biscoitos Maria de chocolate com um toque de café). Ocasião de ouvir os mais velhos, percebendo como cada vez vamos ficando mais próximos deles em termos de experiências. De repente, passo a entender quase tudo dessa fase que cada vez mais é minha também.
E teve visita da minha irmã caçulinha. Marie veio num pé e voltou no outro, mas fomos à casa de Jorge e Zélia, comemos malassado no Catiguria, compramos delicinhas no Ceasinha, enfim tomamos o vinho que Harley me deu de presente, visitamos a Catedral e a Igreja do Rosário (onde eu não entrava desde que participei de uma festa há quase trinta anos). No Rosário, fomos conduzidas por José Roberto, que quase não nos deixava ir embora - e assim se percebe como as relações sociais estão escassas. Visitamos a Fundação Casa de Jorge Amado e fui presenteada com réplicas de azulejos de Carybé, depois subimos a ladeira para o Carmo e almoçamos arroz de hauçá no Café e Cana (quase tudo estava fechado) com delicioso caju amigo sem álcool. Ainda fomos ao Mercado Modelo que já estava quase fechando. Também consegui, enfim, provar o suco de limão com água de coco, muito bom. E muita conversa, risos e terapia familiar, sempre, além de uma foto decente da Opará na Casa do Rio Vermelho.
Embelezando tudo, o grupo de monitores de várias exposições trouxe um logo lindo feito por Leandro, que, aliás, conversa diretamente com a Oxum de Carybé.  
Foi bom florir com maio.  


Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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