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domingo, 21 de janeiro de 2018

Da Casa de Saron para minha casa

Acho que já comentei que a farinha integral aqui é rara e cara. Até comprei o mix de farinhas da Dias Branco, mas, no final das contas, ele parece ter mais farelo e farinha branca que farinha integral.
Me ocorreu, então, que talvez um dos atacadistas da zona cerealista de São Paulo vendesse para outros estados, pela internet. Na segunda loja que tentei, a Casa de Saron, já encontrei essa opção.
Já conhecia a Casa de Saron das minhas andanças pela Avenida Mercúrio, na zona cerealista. Já havia comprado na loja física e também pela internet em São Paulo - foi lá que achei a farinha de Manitoba com que comecei minhas experiências paníferas. Desta vez, a entrega foi para um pouco mais longe, e aproveitei para comprar temperos e frutas secas.
E chegou tudo direitinho, num prazo curto, com produtos muito bem embalados, como me recordava da outra compra. O frete acabou se diluindo no custo dos produtos, todos bem mais baratos que aqui - só para se ter uma ideia, a quinoa aqui custa cinco vezes mais (16 reais por 200 g no Sam's Club x 16 reais por 1 kg na Casa de Saron).
Hoje foi o dia da arrumação dos temperos, com lavagem, descarte e organização. Dá gosto olhar o resultado.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Pão é um lance louco

Ontem, entre vários alimentos que processei (grão de bico que virou homus, milho que virou bolo, iogurte grego que virou coalhada), aproveitei para processar meu levain. Agora, usando duas porções iguais de farinha de trigo branca e integral na mesma proporção da água, para deixá-lo mais líquido. Acho que nunca tive um levain refrescado tão perfumado, com cheiro de mel e castanhas. Pode ter sido pela troca da farinha integral - em vez do mix de farinhas, usei uma farinha fina, comum. Arrisquei até deixar a receita do pão quase 50/50 das duas farinhas.
O miolo ficou macio e a casca crocante, como deve ser. Como aumentei a porcentagem de farinha integral, não ficou tão alveolado quanto eu gostaria. Mas o sabor é ótimo.
Isso tudo me faz voltar a pensar nos mistérios do pão, sobretudo o de fermentação natural. São muitas variáveis a dominar, e mesmo quando são dominadas, a cada vez, ele pode sair diferente. O clima, a umidade, o forno, a qualidade da farinha, o tempo e o tipo de sova, o corte da pestana, a água pulverizada fazendo as vezes de vapor. Fazer do pão um meio de se sustentar é ter chegado à fórmula quase infalível em termos de cor, sabor, textura, tamanho. Quase sempre um sucesso, o que já é muita coisa, na padaria e na vida.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Coisas chatas x alegrias de padeira

Como a vida não é só bichinhos fofos, pedal, comida boa, nos últimos dias tive uns perrengues. Soube, ao consultar meu extrato de cartão de crédito, que tive o mesmo clonado e usado em compras internacionais - por sorte, pequenas (até porque meu limite é pequeno mesmo). Consegui resolver logo, ligando para o banco, que cancelou as compras e providenciou o estorno na outra fatura. Mas fica aquela sensação de vulnerabilidade, de invasão.
Outra coisa bem chata é que, com a greve dos Correios, não recebi ainda o cartão novo, nem o frequencímetro que comprei há mais de um mês, nem uma compra de cadernos que fiz (e que, na verdade, nem tive resposta se o fornecedor enviará à Livraria Cultura). Claro, acho a greve legítima, mas estou naquela expectativa ansiosa e irritante.
Mas, porém, contudo, todavia, alguma coisa boa tinha que acontecer. Depois do malfadado não show de Gilberto Gil, fomos encontrar Cinho e Tai. E descobri que o pai dela tem uma distribuidora de insumos para padaria, inclusive da farinha de trigo que gosto de usar, Finna. E ela me deu 1 kg de farinha integral de boa qualidade para experimentar, benfazejamente. Acabei fazendo uma cuca de banana - inclusive porque ganhamos bananas do vizinho.
Se não estivermos atentos, deixamos de perceber os pequenos e diversos presentes cotidianos, que fazem frente às eventuais chaturas que também ajudam a compor a existência. Uma espécie de trégua, um respiro necessário.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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