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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tempo de acerolas

No meio do verão, quase no final, é época das acerolas. Lindas, vermelhas, gorduchas. Eu não conhecia o sabor das acerolas até nos mudarmos pra cá, porque elas em nada lembram o gosto daquelas polpas congeladas. 
Como tudo que dá no nosso quintal é de uma vez só, quando chegam as acerolas, é uma corrida para colher, separar, desinfetar, lavar, pulsar, peneirar, ensacar e congelar. É trabalhoso. Por isso já combinei com marido que ele colhe, eu processo, porque ainda por cima cai um pozinho em cima da gente durante a coleta que coça horrores. 
O tempo das acerolas é o dos insetos de verão (quer dizer, nem sei se eles chegam a ir, acho que sempre estão) - maruins, muriçocas, mutucas, marimbondos. Muitos cupins, atraídos pelo gado no pasto vizinho, e formigas de todo tipo. Abelhinhas que enroscam no cabelo ou deixam uma gotinha de mel na nossa pele, quando pousam. E outros seres alados: os bem-te-vis vêm atrás das frutinhas, como os anus brancos e pretos (que me lembram uma quadrilha e fazem um escândalo quando veem Zen); os colibris, mais discretos, dançam em torno da flor de bromélia. Ah, e as cigarras, que não se atrevem muito a entrar em casa depois da chegada dos dogs, especialmente da retriever Chica. 
Quanta gente vem junto com as acerolas!

domingo, 31 de janeiro de 2021

Fofuras da natureza

A beleza e a natureza (tantas vezes uma coisa só!) seguem sendo antídotos antitristeza nestes tempos. 
Depois dos microabacates e das minimangas que povoam nosso caminho, foi a vez do pequeno mamão delicioso que brotou no quintal de minha sogra. 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Creme meio musse de manga

Como o clima está completamente louco, e este ano ficamos quase sempre sob chuva, nem vimos as mangas darem as caras. Aqui é terra de manga, coco e jaca, em tamanha abundância que temos de ter cuidado ao andar pela rua para não sermos atingidos por alguma delas (melhor que seja a manga!). 
Comentei outro dia com Guga que nem comemos manga este ano, e eis que na casa de minha sogra apareceu manga na salada de domingo! Ela tinha recolhido algumas da mangueira no fundo do seu quintal e nos doou uma sacolinha com várias. 
Aproveitei para testar uma receita de creme de manga. A maioria das receitas segue a lógica do sorvete da Helena Gasparetto que já fiz, com creme de leite e leite condensado. Eu usei 200 mL do suco de duas mangas coado, 100 mL de creme de leite, 50 g de açúcar, 50 g de leite em pó e 6 g de gelatina sem sabor dissolvida em água e aquecida. Bati tudo no liquidificador e levei à geladeira. Ficou uma delícia, opção refrescante para o calorão que já se anuncia!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sorvete de abacate

Pela minha extensa lista de sorvetes, ainda não havia passado o de abacate. Mas, com nossa supersafra, surgiu a oportunidade.
Bati um abacate inteiro, quase um e meio, com leite, açúcar demerara e baunilha, levei para gelar e depois bati um pouco à mão, antes de gelar completamente. Poderia ter adoçado um pouco mais, mas ficou bom - não tanto quanto o que eu, Jana e Elisa tomávamos em frente à TV Cultura (industrializado, claro), mas bem bom.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Michuí de frango com geleia de acerola

Pra variar, tudo começa com o verificar o que temos na geladeira ou no armário. E era um pacote de trigo para quibe, que costuma deteriorar logo. Pensei em fazer um tabule, que ficaria bem acompanhado de carne, mas teria que comprar carne vermelha, e o que tinha na geladeira era frango. Veio à lembrança o michuí de frango, espeto de carne com legumes, marinado em (caríssimo) xarope de romã, segundo receita da Rita Lobo. Percebi logo, rememorando o sabor do xarope, que podia substituí-lo pela geleia de acerola que fiz outro dia e compôs o molho para o filé de mignon suíno (e ficou parecendo um barbecue de acerola).
Não deu outra: junto com sal, cominho e alho, a acerola deixou os cubos de frango tenros e saborosos. O michuí combinou divinamente com o tabule.
O que me deixa mais contente, depois do sabor aprovado do prato, é saber que parte da nossa comida diária sai do nosso quintal, das mãos do marido para ser processada pelas minhas.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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