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segunda-feira, 3 de julho de 2023

Vida que segue

Ando com uma fotofobia gigante. O apartamento é tão claro, e o sol incide sobre a parede externa do prédio, que reflete sobre a tela do computador, meus óculos e tudo. Deve ter a ver com idade, pode ser astigmatismo aumentado, enxaqueca por compressão da cervical, saída de um espaço menos claro, e preciso mesmo ir ao oftalmologista, mas me parece também metáfora da vida - uma claridade renovada, reconquistada, diante da vida. 
Saio por aí e olho tudo com atenção redobrada, mesmo de óculos escuros. Vou ganhando a cidade do jeito que sei fazer - palmilhando, fruindo, conversando com os locais, colhendo informações, histórias e gentilezas. Já há quem me trate como local, mesmo me sabendo estrangeira. E também ganho companhia na rua, como o doguinho caramelo cotó que foi me acompanhando até o ponto de ônibus.
Zenzito, que pirou na primeira semana, já conquistou também os novos espaços - menores que os anteriores, mas os gatos nos ensinam sempre a arte da adaptação, da flexibilidade, da não invasão. Ele ainda tem a linda vizinha Ayla, que vem sempre contemplá-lo algumas vezes por dia. Talvez promovamos, eu e a dona de Ayla, o encontro dos bichanos qualquer dia. 
A rosa do deserto já mostra que gostou do novo espaço, exibindo novos botões a cada dia. Logo outros vasinhos devem lhe fazer companhia. 

sábado, 16 de outubro de 2021

E, afinal, prosseguimos

O brazyl está uma desgraceira tão grande que é difícil até pensar como é possível prosseguir em meio a tanta corrupção, iniquidade e ódio - porque não é mais possível falar apenas em intolerância já que pululam as violências diárias contra quem representa a diversidade ou queira levantar-se contra a opressão histórica colonialista e patriarcal. Ao redor, a hecatombe mundial ganha contornos mais fortes, com a crise financeira na China, os movimentos antivacina, o crescimento de governos antidemocráticos. Em toda parte, tem mais gente passando fome, adoecendo, vivendo precariamente, sendo assassinada de uma forma ou de outra.
Não tenho, pessoalmente, muita esperança no futuro próximo. Meu desânimo é enorme, de um tamanho que nunca vivi antes. Supera, de longe, as dores de amor, as frustrações pessoais. Porque é difícil fazer planos no meio do Apocalipse, e, embora soubéssemos desde sempre das desigualdades que nos cercam, todo o horror foi de tal modo desvelado que soa como indecência ter desejos, aspirações, sonhos. 
De repente, o discurso de "fazer diferença" parece vazio se não tiver como escopo realmente arregaçar as mangas e atuar concretamente na realidade - é muito vago só pensar "serei um ótimo profissional" e pronto. Minha pergunta diária, para mim e, secretamente, para os outros, tem sido: o que você tem feito pelo outro? Ainda que reste algo do ranço ocidental utilitarista nesse pensamento, há também nele uma implosão do pensar somente em si, tão próprio do Ocidente capitalista. 
As respostas acabam vindo justamente do outro lado, de tudo que não representa a cultura ocidental, patriarcal e colonialista. Vêm das mulheres, dos negros, dos indígenas, da comunidade LGBT, dos pobres. Dos éticos, dos solidários. E da natureza. Aliás, foi a flor da rosa-do-deserto brotando que me fez lembrar que tudo prossegue, apesar do horror e apesar dos meus descuidos com as plantas. As sobreviventes, resilientes, continuaram sua existência sem mim, mas exultaram quando receberam nova camada de composto e voltaram a ser regadas no final da tarde. Ver o milagre da multiplicação nas espadas-de-são-jorge, que chegaram em quatro e hoje são mais de vinte, a resistência da árvore da felicidade, que por fim se enraizou e buscou o céu - tudo isso me dá outra dimensão do viver e do presente. Tento imitá-las nessa vocação de contrariar o que é instituído, o peremptório, o definitivo, movendo-me ainda, lembrando-me de respirar e de descascar cebolas quando me cabe descascá-las.  Prosseguindo. 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Fofuras da natureza

A beleza e a natureza (tantas vezes uma coisa só!) seguem sendo antídotos antitristeza nestes tempos. 
Depois dos microabacates e das minimangas que povoam nosso caminho, foi a vez do pequeno mamão delicioso que brotou no quintal de minha sogra. 

domingo, 9 de agosto de 2020

A vida que segue brotando

Já tinha dado por moribunda a árvore da felicidade que ganhei de minha sogra. Na verdade, continuam caindo galhos - ainda não sei cuidar direito. Mas daí Guga me chamou a atenção outro dia para o brotinho renitente que apareceu. 
Achei tão simbólico do período que atravessamos, de tanta morte pelo caminho, mas com uma vida que teima em continuar a brotar, quase indiferente à nossa desesperança. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

São João de pizza, pão e plantas

A era dos extremos não se refere somente à história. Ela está também na natureza, com o desequilíbrio climático a que temos assistido pelo mundo e para o qual o Brasil pretende colaborar com as últimas loucuras do governo atual, que estimula o desmatamento desenfreado e o uso de agrotóxicos proibidos ao redor do mundo. 
Tivemos um verão devastador e agora chuvas torrenciais por toda parte. Aqui em casa isso significou inundações, muros caídos e horta destruída (pelo calor e pela chuva excessivos), para ficar só no nível micro. 
A principal lição que tenho tirado desses eventos é que com a natureza ninguém pode. É muito grande a pretensão humana de dominar tudo - afinal, somos o maior predador que existe, com tal capacidade destrutiva que parece infinita. O nosso erro é esquecermos que somos apenas uma parte da natureza, como já disse aqui, mais de uma vez. E é de novo ela que vem me lembrar disso, em seus milagres cotidianos.
A chuva torrencial, que se seguiu ao calor tórrido do verão, como disse, acabou com a horta. Logo os galhos secos deram lugar a um matagal. Nem tive coragem de ir olhar, durante um bom tempo. Mas chegou a hora de refazer, de limpar, de voltar a cuidar. E lá fui eu, ser surpreendida pelos sobreviventes alecrim e lavanda. Não super viçosos, mas firmes e perfumados. Foi um espanto alegre o que senti ao deparar com eles em meio a muito mato.
Isso me deu mais ânimo para retomar a horta, ainda mais uma vez. Busquei mais manjericão e orégano, que são ervas que resistem bem a essa chuva, comprei mais sombrite para proteger do calor e também da chuva. Logo vou refazer as sementeiras. O que for possível consumirmos sem veneno já trará um ganho enorme.
E tudo isso rolou no meio do São João, de novo por aqui. E também rolou uma pizzinha num dos dias e um pão sovado muito macio e gostoso para acompanhar as comidas juninas feitas pela sogra. 

sábado, 15 de junho de 2019

Os olhos da cobra verde/Hoje foi que arreparei

Volta e meia aparece uma cobra por aqui no sítio. Jiboia, coral, uma cobrinha branca na pia. Uma jararaca apareceu na porta do canil, e Chica nos avisou em tempo. 
Outro dia, porém, quando eu tirava um cochilo, acordei com uma dor excruciante e Zen se jogando sobre meu pé, agitadíssimo. Estranhei que ele tivesse me atacado à toa, e pensei que deveria ter visto um bicho sobre a cama. Procurei por um escorpião e achei a cobra-verde morta no chão. 
Não saberei jamais se ele colocou a cobra aos meus pés como um presente e ela se mexeu, e então ele atacou a cobra e meu dedão, ou se a cobra me mordeu e ele matou a cobra. De todo jeito, em minhas pesquisas, descobri que, embora tenha peçonha, a cobra-verde não consegue inocular veneno devido à posição posteriorizada das presas. Antes assim!

terça-feira, 31 de julho de 2018

Da natureza de cada um ou A dor e a delícia dos pets

Cely costumava dizer que meus blogs só falavam de coisas bonitas, e ela gostava disso. Talvez isso tenha me influenciado a não enfiar o pé na jaca, em consideração à minha querida e saudosa amiga. Mas acho que é uma tendência pessoal mesmo, só gritar quando todos os recursos se esgotaram. E não é só falar de coisas bonitas, mas também evitar as imagens negativas de modo geral.
Por isso relutei em colocar uma imagem de Cong após a segunda briga feia com Balu, na semana passada. Fico condoída só de olhar, por mais engraçada que seja sua semelhança com Rocky Balboa. Mas hoje fotografei Zen num dos seus infinitos momentos de glamour e não resisti, porque as duas imagens falam muito sobre nossos pets e a personalidade de cada um. O macho alfa desafiador mas meigo e o magrelinho lânguido e falastrão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pio, o pica-pau


Entre vários moradores que temos na Vila do Sossego (nome da nossa casa), hoje encontramos o Pio, um pica-pau (até então não tínhamos certeza de que era um, apesar da cabeleira vermelha). Bela havia caçado um passarinho, e em seguida Guga encontrou Pio caído no chão (não sabemos se ele era a caça de Bela, mas tudo indica que não - ele não teria sobrevivido à mordida certeira dela).
O bichinho estava assustadíssimo, com uma aparência deplorável, todo encharcado. Piava muito alto, principalmente quando tentávamos ajeitar as asas dele numa caixa que forramos com panos para mantê-lo aquecido.
Eu nunca tinha socorrido um passarinho, então não tirei o olho dele o tempo todo. Coloquei água numa seringa e ia dando gotinhas para ele. Amassei um pouco de banana para dar-lhe de comer. Aos poucos, ele foi relaxando, e até dormiu. Demos uma saída rápida, tomando o cuidado de deixá-lo dentro do barracão, para evitar uma visita de Zen com instintos de caça reavivados (mas ele nem se interessou muito por Pio). Quando voltamos, Pio já estava quase seco e parecia ter fome, abrindo o bico como quem espera a mãe trazer o alimento.
Consegui que ele comesse um pouco de banana. Logo ele quis levantar voo, e acabou voando para mim, vindo estacionar no meu ombro direito. Colocamos o pajarito na pitangueira, e a primeira coisa que ele fez foi bicar a árvore - pronto, não havia mais dúvida de que era um pica-pau (o primeiro que consegui ver, e tão perto - todas as vezes que Guga me chamava para ver um, o bicho sumia antes de eu chegar).
Acabamos levando Pio para a mangueira ao lado da qual Guga o encontrou. Surpreendentemente, o quase moribundo passarinho subiu agilmente pela árvore, usando as garras e as asas. Sumiu-se lá em cima. Foi ser rouge na vida.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Superações

"Superação" vem do latim superatio e quer dizer "elevar-se", "passar por cima de". Ou qualquer coisa assim, que fez todo sentido no sobe e desce e no pula-pedra-sobre-as-águas sem fim da trilha da Purificação, no Vale do Capão, no miolo da Chapada Diamantina.
Sou um bicho urbano, sempre soube. Mas amo a natureza, por mais trapalhadas que faça nas minhas tentativas de interação com ela, tipo cair de bote fazendo rafting. Como também sou insistente, prossigo querendo montar a cavalo, fazer trilhas. E até percebo uma melhora de uma aventura para outra. Sério.
Claro que, à medida que o tempo passa, vou ficando mais temerosa de ousar algumas coisas. Penso mais antes de fazer, o que, no caso de uma trilha até uma cachoeira, atrapalha um tanto.
O guia Uilton ajudou muito na travessia, apontando os melhores lugares para pisar; Guga ia ora na frente, ora atrás, amparando, prevenindo. A presença de Lívia, também temerosa de andar sobre as pedras molhadas, foi reconfortante - mulheres que se apoiam são mulheres mais fortes. O sorriso suave de Ígor, companheiro de Lívia, fechava o círculo de proteção.
Nunca fiz a linha atleta, competidora, preferindo as atividades físicas de consciência corporal, flexibilidade e equilíbrio, mais eu comigo mesma. E parece que isso ajudou muito na travessia - nos momentos em que parecia que a série de cursos d'água não acabava nunca e eu pensava "seriously?", fazia um pouco de respiração profunda de ioga, focava no que tinha à frente e seguia, prestando atenção a cada passo. Já vínhamos de uma trilha de 14 km na véspera, e mesmo assim fiquei relativamente bem após a trilha da Purificação (cujo nome não poderia ser mais apropriado), mais curta, mas mais tensa, com precipícios aqui e ali. Certamente, ter voltado ao pilates e a pedalar foi essencial para que eu não ficasse totalmente moída.
Do alto dos meus Crocs (a bota tinha começado a descolar na trilha anterior), não caí nenhuma vez, como temia. Saí apenas com uma bolha na lateral do pé esquerdo. E mais conhecedora do que me limita, disposta a mais - a superar.

domingo, 3 de julho de 2016

Maruins e outros bichos

Venho de uma família de alérgicos. Rinite, sinusite, reação a alguns cheiros e a picada de insetos. Nada que mereça uma internação, mas não costumo passar incólume aos eventos. Acredito que a rinite e a sinusite sejam quase inevitáveis aos nascidos em São Paulo, como eu; desse modo, a saída de um lugar com poluição já reduziu boa parte das alergias.
Por outro lado, em nossa casa abundam os mosquitos. Os pernilongos tradicionais (graças a Deus, ninguém pegou dengue ou zika aqui) e os terríveis maruins (mosquitos-pólvora), que, se não transmitem as doenças dos primos maiores, deixam feridas na pele, tamanha a coceira que sua picada provoca. São tão pequenos que só percebemos sua presença ao sentir o ardor da picada. Resistem aos repelentes, entram por qualquer fresta e picam a qualquer hora. Aproveitei a chegada do clima mais ameno para agora só andar de calça. Mas nossos lençóis invariavelmente têm manchinhas de sangue.
Além dos mosquitos sempre presentes, desde que chegamos, tivemos a semana das cigarras, a dos besouros, a dos cupins/aleluias, a das libélulas. Às vezes, as desagradáveis baratas, algumas enormes, mas provavelmente menos nojentas que as da cidade. Vespas, marimbondos e formigas, quase sempre - aqui conheci a terrível caçarema, cuja picada queima como fogo.
Cada alteração no clima traz um tipo de inseto. Houve também dias de lagartas que viraram borboletas - uma lagarta caiu na minha cara enquanto eu dormia, e isso pesou fortemente na decisão de instalar o forro no quarto.
Uma coisa boa dessa observação dos insetos foi olhar para as aranhas de vários tamanhos e me lembrar do mito de Aracne. Outra coisa foi perceber que a existência dos insetos, mesmo quando inconvenientes, não me incomoda. Quando pequena, aliás, era fascinada por borboletas, por conta de ter lido e amado O caso da borboleta Atíria, de Lúcia Machado de Almeida.
O aprendizado com a natureza pode ser longo e complexo, mas é belo o mais das vezes.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Uma horta que nasce e gente que aprende



Eu estava toda feliz acompanhando o despertar das mudinhas de ervas quando um dia deparei com um sapão dentro de um dos vasos - e pior, ele já havia passado pelos outros, esmagando todas as recém-nascidas.
O primeiro sentimento, claro, foi de cansaço-frustração. Em seguida, a resolução de começar tudo de novo, agora plantando diretamente no chão, no espaço que reservamos para a horta menor. Mas então percebi que os cachorros e os gatos, que gostam de correr por aquele espaço, também podiam esmagar as plantas. Pedi ao marido para cercar a horta para somente então semear de novo.
Agora falta apenas finalizar a porta, mas lá fui eu semear rúcula, couve, tomate, agrião, com ajuda de Guga. Ainda no esquema tentativa e erro (e acerto) para aprender a cultivar, vamos descobrindo também soluções para o dia a dia, como remédios sem veneno para evitar fungos e formigas (leite fresco, o santo bicarbonato - usado também para branquear roupas -, borra de café), de que maneira cercar a horta e até mesmo como proteger nossas botas de trabalho das aranhas e outros bichos (a touca descartável tem, afinal, uma utilidade utilíssima).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A lição das ervas

Eu já tinha ouvido alguma coisa sobre não plantar hortelã com outras ervas, ou então isolá-la com uma placa de madeira colocada verticalmente no solo, para que suas raízes não alcancem as das vizinhas.
Quando, porém, perguntei a respeito para a pessoa que me vendeu as ervas, ela disse que não havia problema, que podia plantar todas juntas.
E não era verdade: a hortelã matou as companheiras, no caso, o tomilho e a salsinha. Por isso, comprei outra muda de tomilho, uma de orégano e outra de hortelã, que deixei em um vaso separado. Logo se vê que estão todas felizes, e a hortelã viceja, solitária.
Com as pessoas, é a mesma coisa. Não adianta insistir em conviver com gente que existe melhor sozinha - do contrário, todo mundo pode sair machucado, ressequido.
A natureza, sempre nos ensinando.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O grande encontro

Encontrar-me comigo mesma. Um encontro dessa importância só podia ser num lugar muito especial, no meio das montanhas da serra da Mantiqueira. Graças à indicação de diferentes (e igualmente queridos) amigos, conheci o hotel Ponto de Luz, em Joanópolis.
Imagine chegar a um lugar onde nos esperam com sopa de abóbora à mesa e perguntam se queremos uma bolsa de água quente para aquecer um pouco mais a cama... Dormir ao som da cachoeira e acordar com pássaros cantando (e não terríveis pombas arrulhantes). Receber a cada dia ervas frescas para um banho purificador e também um suco desintoxicante (três vezes ao dia). Sentir cheiros deliciosos estrategicamente espalhados em cada canto, mas também curtir os odores mais campestres ao redor - não só o maravilhoso de mato molhado, mas até o do que as vacas obraram... Receber cuidados de fato, em um ambiente com tantos detalhes preciosos. Ver a névoa concentrada na mata subindo até se desfazer no céu azul. Poder caminhar em meio ao verde, fazer meditação conduzida por terapeutas competentes e delicados. Não é assim uma hospedagem econômica, mas uma viagem para o interior de si mesmo certamente não tem preço.
Cheguei machucada, carregando uma pesada bagagem de medos. Não digo que voltei novinha em folha, mas voltei inteira, íntegra, presente, com um alumbramento de quem sou eu. De que sempre tive coragem, mesmo que mal dirigida. De que meus sonhos eu é que devo seguir, de que aos meus caminhos eu é que devo dar curso. Voltei a respirar, vou aprendendo a usar toda a força dos meus pulmões. Joguei mágoas fora junto com as ervas do banho. Conversei aqui e ali com os dois outros únicos hóspedes, cada um com suas feridas, a gente se ajudando nos eventuais encontros, um sorriso (mesmo ainda não tão alegre, mas cada vez mais animado), um olhar de compreensão, uma história assemelhada. Bom o compartilhar em meio aos encontros e embates consigo.
E o contato com a natureza me faz lembrar como são sábios os outros animais, que dançam ao ritmo dela em vez de lhe fazer oposição, tão diferentemente de nós, que acreditamos controlar tudo, a natureza, a vida, os outros. Ao menos, estou procurando internalizar a ideia de que tudo pode ser bem mais simples, menos sofrido, mais natural, a própria nova vida que quero ter.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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