quarta-feira, 14 de agosto de 2024

United Colors of All the Women in the World

Já faz um tempinho que comprei, por fim, uma caixa de lápis de cor "das peles". Eu já buscava há anos, mas quando havia eram poucas opções de cor - não tinha, por exemplo, para pele amarela. Também era mais comum achar giz de cera em vez de lápis de cor. Numa das minhas passadinhas em papelaria, buscando outra coisa, é que me deparei com a caixa de 12 cores da Faber Castell. Irresistível.
Só esta semana é que resolvi testar de fato, usando um caderninho lindo que comprei no BazaRozê com folhas para aquarela. Fiz do meu jeito meio ligeiro, mas gostei. Valeu a espera, valeu a compra! Só falta dominar a pintura a lápis.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

A volta do fogão

Por esses dias, me ocorreu que, quando não souber o que fazer, faça o que sabe fazer de melhor. 
Calhou que eu estava há muito tempo ensaiando uma revisão do fogão. Ainda no sítio, chamei um técnico cego (isso mesmo, cego) para resolver um problema no forno maior e em duas bocas e ele propôs tirar as válvulas de segurança dos dois fornos, além de limpar as bocas, tudo utilizando tato e olfato. Em princípio, funcionou, mas isso durou alguns meses apenas - e não havia outra opção de serviço na região.
Quando mudei para Salvador, o fogão já estava apenas com três das cinco bocas funcionando, e apenas um forno, o menor, pois o maior ficou totalmente desregulado, com uma chama gigantesca, e eu passei a evitar o uso. Somente este mês chamei um técnico, que encontrei no Google, para fazer a revisão. 
A dupla de técnicos não veio no dia marcado, mas no seguinte (como o técnico da lava-louça; quase sugere um padrão). Propuseram desmontar as grades dos fornos e limpar fornos e bocas, além de trocar os queimadores das cinco bocas. O queimador do forno maior, uma placa enorme, estava corroído, então foi preciso trocar também. Caríssimo o total. Mas era possível dividir no cartão (com juros, o que deixou ainda mais caro). Sou muito ruim de barganhar o serviço alheio, e topei (até porque nem imagino quando teria condições de comprar outro fogão, ainda mais como este). De todo jeito, o fogão está perfeito, tudo funcionando, inclusive o botão do acendedor para os fornos. 
Para comemorar, resolvi fazer pão. Fui de australiano mesmo, mas empregando a maior paciência no tempo de fermentação. O resultado foram dois pães de 500 g cada, lindos, macios, deliciosos como há tempos não fazia. 
Claro que imaginei que ficariam bons, porque isso eu sei fazer bem. É disso que eu falava no início: diante de um problema para o qual ainda não vemos solução, o melhor é focar em outra coisa, neste caso, algo cujo resultado seja o melhor possível. Uma variação do "continue a nadar", mas enriquecido pela lembrança dos nossos talentos, que nunca são coisa pouca.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

O pódio de Rebeca e de todas dura quanto tempo?

Talvez a imagem mais reproduzida das Olimpíadas de Paris 2024 até agora tenha sido a de Rebeca Andrade, ouro na ginástica na apresentação de solo, sendo reverenciada pela estratosférica Simone Biles e por Jordan Chiles, as estadunidenses que levaram prata e bronze. Apesar da beleza no reconhecimento de Rebeca como uma "rainha" na modalidade, sobretudo em um pódio formado por mulheres negras, a imagem de que mais gostei foi gerada segundos depois, quando as três se dão as mãos. Ali vi companheirismo, admiração e fortalecimento mútuo, tudo ao mesmo tempo. 
Muita gente vibrou com a vitória das mulheres, sobretudo negras, no "Time Brasil". Mas também muita gente tem assinalado que, apesar das dificuldades, tais e tais atletas superaram tudo por esforço próprio, a praga da meritocracia. Houve quem se atrevesse mais, a pedir que não olhássemos para o fato de serem mulheres negras e pobres mas sobretudo boas atletas. Haja estômago!
Tem também repórter que força a entrevista até a entrevistada chorar, aquele gosto pelo sofrimento alheio, que nada tem a ver com empatia. Seu pai morreu, como você se sente? 
O que mais me chama a atenção na forma como é encarada a performance dessas mulheres que tiveram de se colocar acima da iniquidade social é que ali em Paris a dificuldade é passado, a pobreza e a injustiça social no Brasil nem existem mais. Poucos pensam em como será depois, como se uma medalha no peito de uma Rebeca fosse suficiente para calar a boca das reclamonas - "viu como a situação das mulheres é boa? viu como nem há racismo no Brasil?". A dificuldade que houver é porque a "Bolsa Atleta paga mal", não porque vivemos num país essencialmente desigual, escravista e colonialista. Não porque falta educação de qualidade, saneamento básico, alimentação saudável, trabalho digno. Não porque os índices de estupro e feminicídio não param de subir. 
Embora feliz por Rebeca, por sua graça vitoriosa, sambando na cara dos preconceituosos, lamento o peso que ela carrega para além das medalhas, atribuído por quem não quer encarar as desigualdades brasileiras. Injusto com ela, injusto com todas que atravessam os dias procurando manter a cabeça acima das dificuldades de toda ordem. O país só se tornará melhor quando a maioria se aperceber da realidade e der as mãos no enfrentamento da injustiça contra mulheres, e também contra pessoas negras, pessoas LGBTQIA+, a população empobrecida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Boliviano

Eu ainda não acredito que acertei em cheio a feitura do boliviano, esse bolinho filho de saltenha, coxinha e churro, um verdadeiro trisal! Peguei, como sempre, umas três receitas na internet. A massa é de coxinha mesmo, farinha, leite (no caso, usei sem lactose, que é um pouco ralo, mas no final funciona), sal. O recheio é de saltenha, carne moída, passas, temperos. 
Tentei fritar na airfryer, não fica tão bom. Imerso em óleo, a perfeição, um perigo. Fiz as bolinhas, uns 400 g de carne renderam quase 20 bolinhos bem nutridos. Daí congelei. É possível fritar sem descongelar, mas é sempre mais seguro deixar um pouco fora do congelador antes. 
Servi no bololô de aniversário, e foi sucesso inconteste.

Rumpilezz, suingueira jazzística

Faz tempo que queria assistir à apresentação da Rumpilezz na Escadaria do Passo. Ela acontece toda primeira sexta-feira do mês sob o nome "Fun fun no Passo". Daí Cris também não tinha visto e resolvemos ir. 
Apresentação impecável, vibrante, a percussão trazendo suingue aos metais jazzísticos, uma obra-prima. Em alguns momentos me lembrei da Traditional Jazz Band e da Jazz Sinfônica, mas a Rumpilezz, criada pelo saudoso Letieres Leite, tem um tempero a mais. Dendê, com certeza.

Azamigaveiadeguerra em Salvador

Conheço Vivi, Val e Edna de velhos carnavais. Val, mais tempo ainda, de colégio, imagine. Trilhamos o mesmo caminho de sair da escola técnica em direção à faculdade de História e, depois, à História da Arte. Foi, portanto, uma alegria me juntar a elas na abertura da exposição linda sobre o Movimento Armorial no Museu de Arte da Bahia - elas vieram treinar os mediadores da exposição - e depois para café e cerveja na Barra, comemorando o aniversário de Edna, com histórias antigas e novas e muita risada.
Coração agradece demais por esse encontro, nossa!

Visita ao MAFRO com alunos cegos

Produto do ótimo curso de audiodescrição ministrado por Vivi no MAFRO, a visita de alunos cegos do CAP-DV de Feira de Santana foi emocionante. O grupo formado por pessoas de várias idades era muito animado, curioso e respeitador, o sonho de qualquer educador. Ainda por cima, os alunos cuidavam uns dos outros, um carinho na alma.
O museu, infelizmente, não tinha se preparado para a visita, embora as audiodescrições tivessem sido enviadas com bastante antecedência, mas as duas educadoras se desdobraram, com ajuda das alunas de Vivi e dos próprios alunos. Então, o que poderia ter dado errado deu muito certo - o que normalmente acontece quando há pessoas genuinamente envolvidas num projeto, como a professora Waleska, que trouxe o grupo preparado antecipadamente com aulas sobre a valorização da cultura afrobrasileira. Um privilégio poder estar ali, fazendo parte.


Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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