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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Flores de maio

Maio passou voando, mas trouxe lindas flores em meio à correria após mudanças do PNLD.
Fim de curso sobre feminismos digitais, mais conciso e mais profundo, por estranho que pareça. Trouxe aquela vontade de que esse círculo, essa roda, não se desfaça nunca. Tenho exercitado muito minha escuta, um desafio para os muito falantes (estridentes, inclusive, como diria minha irmã caçula), o que é essencial para deixar passar os ruídos mentais desnecessários (e às vezes nocivos). Calar para ouvir e ouvir-me. E tão bom é ter mais perto pessoas como Vanessa, Carle, Márcia, Flavinha, Sandra, Gabi, Be, Nara, Jô, Andreia, Ariadne, Bárbara, Arthur, Jane. Ouvir e ver a música de Kailane, os versos de Samantha, a videoperformance de Thaís (um salto sobre o abismo como o de Thelma e Louise). Saber de pesquisas que me impressionam pela profundidade e beleza, me comover com os relatos de experiências tão diversas mas que compreendo tão bem. Me sinto menos estranha no ninho, porque esse ninho é muito acolhedor.
No Dia das Mães, em outro ninho, estive com ex-sogra, que me adotou como filha desde minha chegada. Fiz uma chocotorta com receita adaptada, sucesso seguro (mais creamcheese, menos doce de leite, biscoitos Maria de chocolate com um toque de café). Ocasião de ouvir os mais velhos, percebendo como cada vez vamos ficando mais próximos deles em termos de experiências. De repente, passo a entender quase tudo dessa fase que cada vez mais é minha também.
E teve visita da minha irmã caçulinha. Marie veio num pé e voltou no outro, mas fomos à casa de Jorge e Zélia, comemos malassado no Catiguria, compramos delicinhas no Ceasinha, enfim tomamos o vinho que Harley me deu de presente, visitamos a Catedral e a Igreja do Rosário (onde eu não entrava desde que participei de uma festa há quase trinta anos). No Rosário, fomos conduzidas por José Roberto, que quase não nos deixava ir embora - e assim se percebe como as relações sociais estão escassas. Visitamos a Fundação Casa de Jorge Amado e fui presenteada com réplicas de azulejos de Carybé, depois subimos a ladeira para o Carmo e almoçamos arroz de hauçá no Café e Cana (quase tudo estava fechado) com delicioso caju amigo sem álcool. Ainda fomos ao Mercado Modelo que já estava quase fechando. Também consegui, enfim, provar o suco de limão com água de coco, muito bom. E muita conversa, risos e terapia familiar, sempre, além de uma foto decente da Opará na Casa do Rio Vermelho.
Embelezando tudo, o grupo de monitores de várias exposições trouxe um logo lindo feito por Leandro, que, aliás, conversa diretamente com a Oxum de Carybé.  
Foi bom florir com maio.  


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Inflamação no piriforme e a moussaka que não fiz

Tinha planejado fazer uma moussaka, receita do Akropolis, para o Dia das Mães. Compramos tudo com antecedência, bonitinho. Mas aconteceu de, após uma faxina, a dorzinha costumeira na lombar ir se transformando em algo incapacitante e duradouro. Tive que passar os ingredientes e a receita para a sogra, uma injustiça, para ela preparar o almoço em homenagem a ela! Isso porque ela já havia cuidado da sobremesa também.
A receita já virou minha favorita, com as batatas cortadas em fatias e fritas antes de compor as camadas. O molho bechamel, bem denso por conta do acréscimo de queijo, ficou maravilhoso.
E afinal tive de marcar um horário com minha instrutora de pilates e fisioterapeuta, eu já temerosa de ter de ir a um hospital a essas alturas de pandemia. Depois de muitos apertões, soube que, ainda bem, era só uma inflamação do músculo piriforme, e não um problema renal, ou uma infecção, ou uma hérnia de disco recém-nascida. A depender da posição, o piriforme pode irradiar para o ciático, e daí essa dor escrota, que parece enfraquecer as pernas e fazer estalar a coluna, o quadril e os joelhos, enviando pequenos choques pela perna até o pé. Uó.
Pelo menos, houve um grande alívio após a fisioterapia. Sigo no ciclo do anti-inflamatório e com Mercuria, a bolsa de água quente.

domingo, 13 de maio de 2018

Bolo tres leches com chantili de leite de coco no Dia das Mães

Hoje teve almoço de Dia das Mães aqui em casa, para minha sogra, sua mãe e sua irmã, as mães presentes, além de mim, Guga e meu sogro. Fiz boeuf bourguignon com talharim alfredo já de olho na sobremesa: bolo tres leches, iguaria que conheci no Chile e parece ser uma receita tipicamente latinoamericana, reivindicada por chilenos, peruanos, mexicanos etc. Ela tem, claro, muitas variações, mas basicamente tem um molho que leva, como diz o nome, três tipos de leite, normalmente leite vaporizado, creme de leite e leite condensado. A receita que escolhi, da Dani Noce, usa leite de coco no lugar do creme de leite e tem também chantili e frutas vermelhas na cobertura. Como já tem o leite de coco, pensei em fazer um chantili de leite de coco, uma vez que o leite de coco tem bastante gordura e poderia supostamente substituir o creme de leite fresco.
Bom, nem tudo é tão simples. Depois encontrei uma dica da Raiza Costa, do Dulce Delight, sobre fazer chantili de leite de coco com fruta de verdade, o que permite, com o processo de decantação, separar líquido e gordura, que pode ser empregada no lugar do creme de leite. Com o leite de coco industrializado, isso não acontece, porque há muitos aditivos químicos e fica tudo misturado, impossível de decantar. Aquela história de usar creme de leite de lata gelado pra mim também nunca rolou.
De qualquer modo, ficou muito, muito bom. O toque de canela no bolo fofo e molhado faz diferença. Incrivelmente, o bolo não fica enjoativo. Gostei também da combinação coco-morango do meu quase chantili e dos  morangos frescos. Todos gostaram, aliás, para alegria completa da cozinheira. Ainda por cima, ganhamos foto com o bolo em primeiro plano, praticamente uma capa de revista de gastronomia.

sábado, 5 de maio de 2018

Bolo inglês e o pouco que dele restou

Segui uma receita da Carol Fiorentino para fazer o bolo inglês. Parece não ter nada de novo (bater manteiga com açúcar, juntar ovos, alternar farinha e leite etc.), mas fica uma delícia! Substituí o rum pelo suco de laranja e as passas que não tinha (e minha encomenda da Casa de Saron estranhamente não chegou, justamente a necessária para os preparativos do Dia das Mães) por damasco e ameixa que estavam no armário, quase esquecidos.
O único ajuste a fazer é mesmo enfarinhar as frutas antes de misturar à massa - elas afundaram um pouco. De resto, tão bom que só sobrou esse pedacito da foto pra contar a história.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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