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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Entre comemorar e lutar

Eita, que agosto acabou, já entrou setembro e daqui a pouco é Natal! Por aqui, foi um mês intenso, muito inspirador e criativo (ia dizer produtivo, mas não quero reduzir a riqueza do vivido a "produção"). 
Falo em criação porque recriei hábitos mais saudáveis, tirando do cardápio há quase um mês o café, o açúcar e o trigo, por conta de pré-diabetes e possível esofagite. O amado suco de laranja foi no mesmo bojo, e reduzi os lácteos, por conta da acidez mais que pela lactose. Nessa recriação, retomei a atividade física de fato, aumentando cargas, fazendo tudo direitinho. Exercitei meu senso de limites, descansando quando necessário, dizendo não sempre que foi preciso. Voltei a ir ver o mar. 
Também comemorei vitória de Nara, colega do PPGNEIM, defendendo sua dissertação ao lado de sua mainha, os 70 anos de Degas em linda festa organizada por Dani, cantei à beça fazendo faxina sob o olhar espantado de Zenzito, consegui finalizar um PNLD que teve muitas idas e vindas e atrasos e tocar outro trabalho, me inscrevi em processos de seleção e criei minha camiseta para as eleições, uma releitura feminista de Tarsila. 
Mais que o que acontece entre o nascer e o morrer, sinto, pelo menos hoje, que viver é o caminho feito entre o comemorar e o lutar. Vivamos, porque isso é bom. 


domingo, 9 de agosto de 2026

Gostinho de agosto


Agosto tem a fama de ser um mês muito longo, de ser o mês do desgosto. Discordo, ainda mais quando ele começa tão bem, com visita de enteado, teatro na Concha com o genial Gregório Duvivier e participação no excelente Olhares sobre Estudos Feministas, apresentando Roberta Scatolini e ouvindo-a falar sobre seu trabalho inspirador na área da educação. Começou bem demais esse agosto. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

É assim que acaba - 2025

Eita, aninho arrastado! Acho feio, ingrato e injusto reclamar, porque houve muitas oportunidades em meio ao caos, mas que teve muita angústia junto, ah, isso teve. Além disso, se a senescência se mede por começar a tomar remédio, então ela chegou de vez.
Boto fé em 2026. Não vai ser nada fácil - muito fogo pela frente, em ano de eleições, ano do Cavalo de Fogo, de Ogum e Iansã, ano que começa com invasão à Venezuela por Trump. Porém, vejo que 2025 no mínimo nos instrumentalizou para o que vem. Que venha 2026, então, que o fogo já está ardendo em nós.

sábado, 29 de novembro de 2025

Here is the rainbow I've been prayin' for

Depois de dias difíceis, veio uma chuva de afetos. Ganhei convite do PPGNEIM para Neojiba, levei Sueli e encontrei colegas; recebi visita de Carlos e Flavio (que eu não via há 12 anos), fomos à Jam no MAM e ao Manga, conversamos incansavelmente; participei do Día de los Muertos no espanhol, testei receita de pan de muerto e ajudei na corrida para confeccionar flores e bandeiras; recebi visita de meu lindo irmão caçula, corremos ao hospital mas também passeamos e recebemos amor de gatinhos e fizemos nossa tradicional terapia familiar; fui com Liu a uma oficina de aquarela e me inspirei a prosseguir treinando; fui ao almoço de ex-sogro e experimentei bolo delícia de chocolate feito com água; fui com Guga prestigiar o filme de Kleber Mendonça com Wagner Moura, O agente secreto, mistura certeira de realismo mágico com horror real e acento deliciosamente nordestino; prestigiei lançamento de livro do talentoso Adriano, cicloviajante apaixonado como eu pelo São Francisco; ganhei concurso de melhor texto no espanhol por pura fofura dos colegas-eleitores; testei o bolo de chocolate no último encontro da pós - comilança com direito a samba da maravilhosa Camila Factum e a amiga-secreta; recebi visita de Taisa, amiga-irmã que não via desde sua visita há oito anos, e fomos provar arroz de polvo do França e a festa no Casa Branca, com direito a assuntos infinitos; levei bolo de aniversário (o mesmo de chocolate, mas com raspas de laranja) para Felipe, do espanhol, em nossa última aula. 
Tudo isso coloca as coisas em perspectiva. É para isso, também, que servem os encontros, os afetos. Sol após a chuva, arco-íris atravessando alegremente o céu. Obrigada pela lição, Jimmy.
 

domingo, 6 de abril de 2025

Coisa de mãe?

Quando fui morar sozinha, minha mãe começou a cultivar um hábito que só se interrompeu quando mudei de estado - me presentear com panos de prato e linhas de costura. Não sei exatamente por que, mas imagino. As canetas, inclusive com meu nome gravado, tinham sido um hábito da época do colégio, mas ela me deu uma caneta chique quando me formei. 
Ela encontrou, este ano, um jeito de me presentear de novo, não com panos de prato, que talvez não valessem o custo dos correios, mas com jogos americanos, crochetados por sua talentosa irmã caçula. Enviou as seis peças de um lindo azul com duas canetas, para não perder o hábito, e numa caixa bonita de presente, com cores combinando. Já estou usando, claro. 
Eu já devo ter dito que sempre me senti mais mãe da minha mãe do que filha. Testemunhei a dificuldade dos meus irmãos na relação com ela, um ressentimento mais ligado à imagem cristalizada de maternidade vendida até hoje. Apesar da dificuldade que minha mãe tem em expressar afeto, que eu atribuo a uma questão cultural mas também familiar, sempre pensei em todo o esforço que ela fez por nós, sobretudo materialmente, não vendo limites, até se prejudicando, para nos manter vestidos, alimentados, equipados para os estudos. 
Quando ela ficou comigo por quase um mês tive acesso a outras camadas da sua personalidade, dos seus silêncios, da sua forma de reagir a violências na vida. Agora há ainda o envelhecimento, que a torna mais frágil, mas não menos teimosa em alguns aspectos. Mais e mais eu vejo em mim parecenças com ela, que, como as herdadas de meu pai, tenho que administrar. É interessante como me vejo mais herdeira de meus avós, muito mais por ter aprendido e apreendido com seus exemplos, mas de meus pais vêm outras heranças, a que, mesmo não desejadas, é preciso dar um destino. 
A única coisa de que tenho certeza nesta vida é que temos que aprender a enxergar o que as relações nos trazem, de que forma se tecem os afetos e, mais importante, o que fazemos com eles. O jogo americano já está sobre a mesa, já me acompanha nas refeições e sempre me faz lembrar tudo o que minha mãe fez por nós, que, mesmo não sendo o que se esperava dela, era o melhor que ela podia fazer - o que, levando em conta o quanto as pessoas estão dispostas a dar de si, é muitíssima coisa, é maravilhoso.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Peripatética em Sampa

Fui a SP para tratar de questões familiares e acabei encontrando amores que eu não via há muito tempo, como Carlos (desde 2011) e Karen (desde 2018). Com a amplitude térmica ainda maior, vivenciei a alternância de onda de calor (32 graus) e friaca (9 graus), algo mais comum nestes tempos de emergência climática (uma das amigas que queria ver, Lu Salgado, não pôde me encontrar porque a cidade de onde vinha estava tomada por incêndios, um risco imenso nas estradas). Passei frio, mesmo tendo me preparado para as baixas temperaturas de metade da semana.
De todo modo, consegui ver minhas pessoas, resolver imbróglios para mamis, cantar, dançar, rir, ouvir, comemorar conquistas (como de Marisa, com quem depois fui andando até o Ceuma, para ver Wisnik falar de Bosi), compartilhar heranças e alergias (com irmãos, é claro). Andei muito, da zona leste à sul, recordando caminhos de cujas grandes distâncias não me lembrava (como as avenidas que ligam Itaquera a Penha). Experimentei docinhos mil (Speranza, Itigo Itiê, Mori Chazeria, Biscoitê, Aizomê), tentei evitar o café em excesso, mas em Sampa é impossível, tudo e todos pedem café, e ainda ganhei uma degustação surpresa e exclusiva no Starbucks, com direito a dois baristas presentes, que elogiaram meu "palavreado". Aproveitei para revisar minha câmera e presenciei a GCM expulsando os moradores de rua com jatos d'água na Sete de Abril. Renovei cabeleira, comi bastante sushi (todo mundo anda na vibe de comida oriental, segundo Emersom, uma nova onda de cultura japonesa tomou a cidade e conheci um novo restaurante, Shigueo), mas mantive a tradição de ir à Speranza com as thelmas. Comprei coisas de que não precisava na Liberdade, de artigos de papelaria da Haikai a chás da Casa Bueno e do Azuki. Provei croissant com creme de amêndoas na Beth Bakery, trouxe um sourdough pra casa, além do pão davvero italiano que Eli me deu, sequíssimo, que deve ser umedecido por 10 segundos. Revi filhotes das amigas, como os altíssimos filhos de Marise e as três graças de Eliane, que carreguei no colo, me inteirei dos projetos de Rafaela, conheci a mamislinda de Marise. Enfim, fui à Japan House, onde, além de exposição sobre moda japonesa, conheci a linda embora pequena biblioteca e o banheiro à la Perfect Days; dali, voltei ao antigo espaço de trabalho do IC, onde estava rolando a Ocupação Naná Vasconcelos e uma exposição de Guto Lacaz. Até ao teatro fui, ver Kiko Mascarenhas em Todas as coisas maravilhosas, dica de Valéria, minha amiga de faculdade, mas isso vale outro post. 
Foi uma viagem divertida e produtiva, mas concluí que não caibo mais nessa loucura por vencer o tempo e as distâncias, esse "batidão" alucinado. Eu segui no fluxo alucinado, como todos, ligando minha tecla SAP, mas cheguei exausta em casa. Vi como não foi fácil para os amigos me encontrarem, por mil razões, mas especialmente pela corrida diária própria da megalópole, da qual já fiz parte, correndo muito. No momento, não me vejo voltando, mas só seguindo em frente, num passo mais tranquilo, seja para onde for.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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