terça-feira, 22 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Pertencimento
Com essa história do sumiê retornam as questões de pertencimento. Quando vou à Liberdade (como hoje, quando fui à Livraria Sol para comprar um pincel), sempre tenho a sensação de fazer parte daquele universo oriental. Puxo papo com as vendedoras, senhorinhas japonesas que lembram minha mãe, e tenho certeza de que elas não entendem meu olhar enternecido. Mesmo sem falar japonês, sem partilhar de todos os costumes, uma centelha de mim reacende quando boto os pés ali. Talvez por isso o origami e o judô, tão tardios, tenham parecido "naturais" quando aconteceram.
Também sinto o mesmo quando visito o Nordeste, claro. Parece que estou na sala de casa, tomando fresca com as portas abertas. Rio de felicidade, quase sentindo o vento no rosto, ao ouvir uma expressão conhecida desde a infância - "parado como um dois de paus", "malajambrado", "cabaré de asa", "sururu de capote". Fico muito, muito à vontade. E é essa sensação de estar à vontade na própria pele que eu chamo de pertencimento. Como é boa, como é fundamental!
Clarice Lispector tem um texto lindo sobre pertencer. Foi originalmente publicado no JB, como crônica, e depois na coletânea A descoberta do mundo. Ela diz que pertencer vem muitas vezes de sua força, e não de depender de alguém mais forte - deseja pertencer para que sua força "não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa". Para não ficar com um presente embrulhado nas mãos sem ter a quem presentear. Não seria por acaso um dos aspectos da graça?
Ao final, Clarice fala, ao descobrir que pertencer é viver, de uma sede infinda, como quem, no deserto, bebesse as últimas gotas de água de um cantil. Aqui, agora, enquanto escrevo, imagino que viver/pertencer é mais como no deserto carregar um jarro d'água, que poderia derramar quando tropeçamos ou ir-se esvaziando quando damos de beber a alguém - mas, quase milagrosamente e ao mesmo tempo, vai se enchendo novamente da água trazida por outro passante. De forma abundante, até o fim.
Também sinto o mesmo quando visito o Nordeste, claro. Parece que estou na sala de casa, tomando fresca com as portas abertas. Rio de felicidade, quase sentindo o vento no rosto, ao ouvir uma expressão conhecida desde a infância - "parado como um dois de paus", "malajambrado", "cabaré de asa", "sururu de capote". Fico muito, muito à vontade. E é essa sensação de estar à vontade na própria pele que eu chamo de pertencimento. Como é boa, como é fundamental!
Clarice Lispector tem um texto lindo sobre pertencer. Foi originalmente publicado no JB, como crônica, e depois na coletânea A descoberta do mundo. Ela diz que pertencer vem muitas vezes de sua força, e não de depender de alguém mais forte - deseja pertencer para que sua força "não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa". Para não ficar com um presente embrulhado nas mãos sem ter a quem presentear. Não seria por acaso um dos aspectos da graça?
Ao final, Clarice fala, ao descobrir que pertencer é viver, de uma sede infinda, como quem, no deserto, bebesse as últimas gotas de água de um cantil. Aqui, agora, enquanto escrevo, imagino que viver/pertencer é mais como no deserto carregar um jarro d'água, que poderia derramar quando tropeçamos ou ir-se esvaziando quando damos de beber a alguém - mas, quase milagrosamente e ao mesmo tempo, vai se enchendo novamente da água trazida por outro passante. De forma abundante, até o fim.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Resgatando raízes
Então! Além da novidade da bike, resolvi fazer um curso de férias de sumiê, a ancestral arte da pintura japonesa. Aí na foto estou toda concentrada, tentando manter coordenação, velocidade e homogeneidade do traço. Não é fácil não!
Altos papos com Susan Hirata, professora da arte/técnica e especialista em cultura japonesa - embora meio nordestina, algo cafuza, tipicamente paulistana, vagamente holandesa, volta e meia lusitana, dramaticamente espanhola sem ter um pingo de sangue espanhol, estou descobrindo que sou ainda mais oriental do que pensava. Fazer coisas por um sentido, e não apenas pelo resultado, a importância do yakusoku...
Altos papos com Susan Hirata, professora da arte/técnica e especialista em cultura japonesa - embora meio nordestina, algo cafuza, tipicamente paulistana, vagamente holandesa, volta e meia lusitana, dramaticamente espanhola sem ter um pingo de sangue espanhol, estou descobrindo que sou ainda mais oriental do que pensava. Fazer coisas por um sentido, e não apenas pelo resultado, a importância do yakusoku...
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domingo, 13 de janeiro de 2013
A estreia de LaBelle
Hoje foi a estreia de LaBelle, minha primeira bike-só-minha. Não é linda?
O passeio não foi longo, mas foi ótimo, com direito a companhia do namorado e encontro com amigos - Marisa, Harley e o lindo Maxwell.
Pelo jeito LaBelle será uma grande companheira, além de divisora de águas na mudança de hábitos e de vida.
O passeio não foi longo, mas foi ótimo, com direito a companhia do namorado e encontro com amigos - Marisa, Harley e o lindo Maxwell.
Pelo jeito LaBelle será uma grande companheira, além de divisora de águas na mudança de hábitos e de vida.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
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- "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
- "Geografia da fome", de Josué de Castro
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- "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
- "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
- "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
- "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
- "O estrangeiro", de Albert Camus
- "Campo geral", de João Guimarães Rosa
- "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
- "Sagarana", de João Guimarães Rosa
- "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
- "A outra volta do parafuso", de Henry James
- "O processo", de Franz Kafka
- "Esperando Godot", de Samuel Beckett
- "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
- "Amphytrion", de Ignácio Padilla
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