É muito difícil não procrastinar tarefas chatas - isso é normal, humano. Eu é que vinha procrastinando muita coisa, do tipo atualizar o sistema do computador, separar roupas para doação... A atualização do Mac veio à força, porque já não estava conseguindo utilizar vários programas. Com as outras coisas a enfrentar, estou tendo de reprogramar a mente mesmo. Aquela história de contar só até 2 para começar a fazer algo.
Passei o final de semana arrumando coisinhas diversas - um gancho necessário aqui, etiquetar cabos ali, aproveitando para limpar a sapateira onde ficam guardados. Isso me fez lembrar do gaveteiro do banheiro, agora limpo e reorganizado - e assim vão para o lixo produtos vencidos e objetos quebrados. Diante da re-reclamação do marido da sua falta de espaço no cabide de roupas, arrumo outro lugar para as bolsas (e não ouço um piu a respeito). Por fim, separo mais roupas para doação, inclusive algumas que, por alguma razão obscura, acreditava que ainda usaria.
Arrumo mais gavetas, caixas, colares (que voltei a usar). Entre uma coisa e outra, coloco roupa e louça pra lavar, replanto as mudas de nim que ganhamos (e que agora já não sei se é uma boa ter, por talvez ameaçarem as árvores frutíferas vizinhas), e ainda faço dois pães rústicos diferentes.
O bom disso tudo é que, ao final, pensamos: por que demorei tanto a fazer isso? Afora a questão do bem-estar inegável após uma boa arrumação/reorganização, a pergunta irradia para todas as outras coisas procrastinadas. Hoje, por exemplo, a preguiça de editar o material de um autor difícil. Cerquei o texto, compartilhei os poréns com o chefe e mandei bala. Com certeza, encorajada pelas gavetas arrumadas no final de semana.
Como a lista de a-fazeres não tem fim, o melhor é adotar uma ação orgânica, fluida, constante. Assim evita-se a sensação de soterramento e de não saber por onde começar.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017
quarta-feira, 2 de março de 2016
Fora da ordem
Então eu vim. Cheguei de mala e cuia, carregando dois gatos debaixo do braço. Deixei os amigos antigos e novos espantados, por diferentes razões.
Os gatos logo se adaptaram, e trazem folhas, cigarras e de vez em quando baratas de presente, oh God! Zen fica extasiado diante das libélulas e Chico pratica arvorismo amador.
Quanto a mim, nem posso dizer que me "adaptei", embora seja uma pessoa naturalmente adaptável. Aliás, nem havia pensado sobre isso, somente quando fui indagada (várias vezes já). Só trouxe mesmo o que era meu, e as diferenças ficaram por conta das questões externas, alheias a mim. Ah, é difícil achar creme de leite? Usemos leite de coco. Difícil encontrar verduras no mercado? Plantemos as nossas. E para vencer distâncias? A pé, como sempre, ou de bicicleta. Os pés incham nas sapatilhas urbanas? Bora usar sandálias de couro típicas. E provar abacate, coco, limão, acerola, siriguela, caju tirados do pé. Quando sopra o vento fresco do final da tarde, sentar um pouco nas cadeiras da quase-varanda para ver o azul do mar no horizonte e o céu cor-de-rosa logo dando lugar às estrelas.
É, acho que, não fosse eu tão adaptável, a adaptação já teria tudo pra dar certo.
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domingo, 3 de janeiro de 2016
Pelos cantos
A cada dia, ela recebe um toque especial. Nosso refúgio, local de sonho e trabalho.
Parecia que minhas coisas não caberiam aqui, mas, por um passe de mágica, elas foram naturalmente se encaixando.
O que ficou de fora, é porque não cabia.
Assim é a vida, assim é uma casa, assim é uma alma.
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Saltar no escuro exige clareza
Outro dia, recebi uma (raríssima) mensagem do meu irmão mais velho, avisando-me sobre um concurso público para um cargo em São Paulo. Agradeci pelo cuidado e disse que buscaria algo na minha nova morada. Ele ainda se deu o trabalho de insistir sobre a importância do concurso para o caso de minha "nova vida não dar certo". Finalizou com um "pense bem".
Na verdade, eu pensei. Juntei a experiência pregressa de um relacionamento que ora se renovava com o desejo de um futuro diferente, bem mais simples. Minha própria escolha foi simples, baseada na premissa de que as coisas durem enquanto forem boas. Não me preocupo mais com o quando, mas com o quanto.
Talvez por isso, desde que cheguei, tenha internalizado tão bem a nova vida, provocando o espanto de muita gente. Tem sido bom porque é o que quero hoje, enquanto tempo quiser.
Não tema, pois, meu irmão: como os gatos, eu caminho bem no escuro da incerteza. A me guiar, tenho a clareza acerca da impermanência de todas as coisas. Não tema, pois eu não temo.
Na verdade, eu pensei. Juntei a experiência pregressa de um relacionamento que ora se renovava com o desejo de um futuro diferente, bem mais simples. Minha própria escolha foi simples, baseada na premissa de que as coisas durem enquanto forem boas. Não me preocupo mais com o quando, mas com o quanto.
Talvez por isso, desde que cheguei, tenha internalizado tão bem a nova vida, provocando o espanto de muita gente. Tem sido bom porque é o que quero hoje, enquanto tempo quiser.
Não tema, pois, meu irmão: como os gatos, eu caminho bem no escuro da incerteza. A me guiar, tenho a clareza acerca da impermanência de todas as coisas. Não tema, pois eu não temo.
sábado, 14 de novembro de 2015
Adaptação
Ouvi muita gente falar da lenta adaptação dos gatos às mudanças. Que seria preciso deixar Chico e Zen um bom tempo dentro de casa antes de soltá-los pelo sítio. Que demoraria para eles aceitarem a nova casa.De fato, foi traumático para eles saírem do banheiro após o furacão da mudança (eram oito homens para lá e para cá, empacotando coisas, arrastando caixas, entoando suas vozes estrangeiras) e perceberem que a casa onde moravam há um ano e meio havia sumido. Depois, foram levados para outra casa, onde ficaram em um quarto com banheiro (muito confortável, mas desconhecido) por dois dias. Então foram levados de carro, cada um em sua bolsa de transporte, para um lugar barulhento, repleto de pessoas e vozes estranhas. Na hora de passar pelo raio x do aeroporto, cada um num colo, nem se mexeram.
Duas horas e meia dentro de um avião, mais 40 minutos de carro e chegaram a uma terceira casa. Posso imaginar o choque, a sensação de pesadelo do qual não se desperta: o que será que vem agora?, devia passar por suas cabecinhas felinas. Então os cachorros já instalados vieram exacerbar o contato com outra realidade, outras vidas.
Mas eis que se deu a mágica da natureza: depois de serem soltos aos poucos pela casa e pelo terreno, Chico e Zen começaram sua exploração de terra, mato, sítio do vizinho. Já nos deram sustos, como Chico, que ficou horas sob uma touceira no terreno vizinho sem conseguir voltar, depois de ter sumido de casa por toda a manhã. A cada dia, porém, chegam os dois cheios de novidades, novos aprendizados. Nos ensinando como a vida deve ser: cada dia, um novo dia.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Da beleza em meio ao caos
E quando você está no meio do caos, pensando com ansiedade em como resolverá questões de ordem prática, vem uma amiga querida, recém-chegada de uma viagem incrível, e traz um presente que é pura beleza.
Por alguma razão, ela achou que eu pratico caligrafia. Associou ao desenho sazonal, provavelmente. Eu achei emblemático: ferramentas para compor de forma mais bela uma nova escritura.
Obrigada, Lu, pelo afeto de sempre, acompanhado dessa beleza inesperada, bem-vinda e bendita.
Por alguma razão, ela achou que eu pratico caligrafia. Associou ao desenho sazonal, provavelmente. Eu achei emblemático: ferramentas para compor de forma mais bela uma nova escritura.
Obrigada, Lu, pelo afeto de sempre, acompanhado dessa beleza inesperada, bem-vinda e bendita.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Dos despojos - who are you?
Pois tenho estado dividindo o tempo entre trabalho e arrumações. Não tenho nem tido vontade de cozinhar, para se ver como a coisa é séria.
Então, chega a hora mais difícil, a de descartar lembranças. Cerquei a tarefa, calculei, posterguei, até que não deu mais: ia ter que abrir caixas, cadernos, pastas para decidir o que ia, o que ficava.
Até me espantei com ainda ter conservado coisas que já acreditava "idas" na última mudança. Houve uma tarde que me deliciei lendo cartas trocadas com uma amiga (que revi no último sábado) quando tínhamos entre 15 e 17 anos. Ri da nossa inocência, dos "grandes problemas" que nos assolavam - trabalhos de escolha e por qual menino nos decidir, afinal. Li um cartão de uma amiga, na época recente, mas hoje entre os antigos, que me perguntava como mantinha meu bom humor - na verdade, nem lembrava que era tão bem-humorada assim.
Já um amigo recém-conhecido no colégio dizia que eu não devia estar sempre "preocupada", que, se tinha, como ele adivinhava, ideias "revoltosas", deveria expô-las.
Encontrei ainda cartas trocadas com colegas do restauro - nem me lembrava das tais cartas, mas foi uma delícia relembrar, pela resposta das meninas, o que tínhamos vivido naquele espaço em comum.
Havia diversas cartas e cartões de um amigo que nunca mais vi, vizinho de meus primos no Rio (cujo contato também perdi). Algumas correspondências de uma tia que eu queria como madrinha de crisma - desisti de me crismar, mas essa tia ficou como uma pessoa querida.
Encontrei também textos meus e tive um arrepio: realmente, o que escrevemos mostra o que somos, em cada momento. No caso, com 15, 16 anos, uma alma meio "emo". Nem me reconheço, embora não possa negar que era eu. Também. (Acabo de receber de um amigo uma carta que Graciliano Ramos escreveu para sua irmã, que ensaiava os primeiros passos na literatura - a bronca do irmão famoso dizia respeito a escrever apenas sobre o que conhecemos. E se nada ou pouco conhecemos? Bom.)
O pior foi ter descoberto que eu havia guardado tantas agendas. Deu um trabalhão descartá-las.
E fiquei especialmente surpresa por perceber como a memória apaga tanta coisa. Bilhetinhos de pessoas que nem imagino quem sejam se contrapõem ao fato de eu me lembrar da roupa que vestia em determinada ocasião. Sim, é o caso da importância que damos aos fatos, da tal memória seletiva. Mas é assustador perceber como os eventos vividos simplesmente... somem. Como tudo acontece ao mesmo tempo, não percebemos as nossas próprias transformações. Somente quando precisamos parar e olhar com distanciamento para os fatos é que nos damos conta disso tudo, como se observássemos os fotogramas de um filme, um a um.
Não, não temos controle de nada. E muitas vezes nem conseguimos apreender os acontecimentos, que passam por nós como as águas de um rio. Mais um motivo para me preocupar menos com os vaivéns da vida. Não só as coisas mudam o tempo todo, como também elas simplesmente podem desaparecer. Simplesmente.
Então, chega a hora mais difícil, a de descartar lembranças. Cerquei a tarefa, calculei, posterguei, até que não deu mais: ia ter que abrir caixas, cadernos, pastas para decidir o que ia, o que ficava.
Até me espantei com ainda ter conservado coisas que já acreditava "idas" na última mudança. Houve uma tarde que me deliciei lendo cartas trocadas com uma amiga (que revi no último sábado) quando tínhamos entre 15 e 17 anos. Ri da nossa inocência, dos "grandes problemas" que nos assolavam - trabalhos de escolha e por qual menino nos decidir, afinal. Li um cartão de uma amiga, na época recente, mas hoje entre os antigos, que me perguntava como mantinha meu bom humor - na verdade, nem lembrava que era tão bem-humorada assim.
Já um amigo recém-conhecido no colégio dizia que eu não devia estar sempre "preocupada", que, se tinha, como ele adivinhava, ideias "revoltosas", deveria expô-las.
Encontrei ainda cartas trocadas com colegas do restauro - nem me lembrava das tais cartas, mas foi uma delícia relembrar, pela resposta das meninas, o que tínhamos vivido naquele espaço em comum.
Havia diversas cartas e cartões de um amigo que nunca mais vi, vizinho de meus primos no Rio (cujo contato também perdi). Algumas correspondências de uma tia que eu queria como madrinha de crisma - desisti de me crismar, mas essa tia ficou como uma pessoa querida.
Encontrei também textos meus e tive um arrepio: realmente, o que escrevemos mostra o que somos, em cada momento. No caso, com 15, 16 anos, uma alma meio "emo". Nem me reconheço, embora não possa negar que era eu. Também. (Acabo de receber de um amigo uma carta que Graciliano Ramos escreveu para sua irmã, que ensaiava os primeiros passos na literatura - a bronca do irmão famoso dizia respeito a escrever apenas sobre o que conhecemos. E se nada ou pouco conhecemos? Bom.)
O pior foi ter descoberto que eu havia guardado tantas agendas. Deu um trabalhão descartá-las.
E fiquei especialmente surpresa por perceber como a memória apaga tanta coisa. Bilhetinhos de pessoas que nem imagino quem sejam se contrapõem ao fato de eu me lembrar da roupa que vestia em determinada ocasião. Sim, é o caso da importância que damos aos fatos, da tal memória seletiva. Mas é assustador perceber como os eventos vividos simplesmente... somem. Como tudo acontece ao mesmo tempo, não percebemos as nossas próprias transformações. Somente quando precisamos parar e olhar com distanciamento para os fatos é que nos damos conta disso tudo, como se observássemos os fotogramas de um filme, um a um.
Não, não temos controle de nada. E muitas vezes nem conseguimos apreender os acontecimentos, que passam por nós como as águas de um rio. Mais um motivo para me preocupar menos com os vaivéns da vida. Não só as coisas mudam o tempo todo, como também elas simplesmente podem desaparecer. Simplesmente.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A casinha pequenina
... cujas janelas dão para o mar e o infinito;
... cercada de verde;
... cheia de amor.
sábado, 15 de agosto de 2015
Kabuki e o pertencimento
Apesar da minha parcial japonesidad, nunca tinha assistido a uma apresentação de teatro japonês típico, Nô ou Kabuki. Minhas referências eram fotográficas ou musicais (Caetano falando de "kabuki, máscara" ou Gil citando o "teatro Nô, japonês").
Entonces, saindo da aula de fotografia, vi um cartaz com a programação de uma companhia japonesa de kabuki. E alguns dias depois lá estava eu, conferindo ao vivo o que os ancestrais fazem há quatro séculos.
No início, tive medo de que o público fosse desrespeitoso com uma cultura tão diversa como a japonesa, por mais que ela esteja popularizada na comida, nos animes, no karaokê. Algumas pessoas cochichavam, outras tossiam e uma meia dúzia saiu do teatro ainda na primeira parte da apresentação.
Quando anunciaram o intervalo, senti alívio, pois imaginei que era a oportunidade dos descontentes de saírem dali. Mas, para minha surpresa, a esmagadora maioria do público ali ficou, sem nem se levantar para o intervalo.
Havia, sim, trechos falados/cantados em japonês, que lembravam um pouco aquelas novelas japonesas transmitidas por algum canal nacional. Mas os gestos e a dança, valorizados pela luz e alguns efeitos simples e incríveis (como a teia de aranha feita de mil fios lançada pelo vilão), eram delicados, precisos, lindos. Fujima Kanjuro, despido de máscara e roupas extravagantes, envergando apenas kimono, elegantes calças hakama e meias, transformava a realidade ao redor com movimentos que pareciam mínimos, mas eram plenos de gestos e significados. Houve um momento em que me lembrei do flamenco, pelo girar das mãos, pela batida (muito mais contida, é verdade) dos pés no chão. Creio que, principalmente, pela intencionalidade.
De novo, de algum modo e emocionada, entendi tudo. Algo lá dentro dizia que aquilo pertencia a mim, que eu pertencia também àquela beleza.
Entonces, saindo da aula de fotografia, vi um cartaz com a programação de uma companhia japonesa de kabuki. E alguns dias depois lá estava eu, conferindo ao vivo o que os ancestrais fazem há quatro séculos.
No início, tive medo de que o público fosse desrespeitoso com uma cultura tão diversa como a japonesa, por mais que ela esteja popularizada na comida, nos animes, no karaokê. Algumas pessoas cochichavam, outras tossiam e uma meia dúzia saiu do teatro ainda na primeira parte da apresentação.
Quando anunciaram o intervalo, senti alívio, pois imaginei que era a oportunidade dos descontentes de saírem dali. Mas, para minha surpresa, a esmagadora maioria do público ali ficou, sem nem se levantar para o intervalo.
Havia, sim, trechos falados/cantados em japonês, que lembravam um pouco aquelas novelas japonesas transmitidas por algum canal nacional. Mas os gestos e a dança, valorizados pela luz e alguns efeitos simples e incríveis (como a teia de aranha feita de mil fios lançada pelo vilão), eram delicados, precisos, lindos. Fujima Kanjuro, despido de máscara e roupas extravagantes, envergando apenas kimono, elegantes calças hakama e meias, transformava a realidade ao redor com movimentos que pareciam mínimos, mas eram plenos de gestos e significados. Houve um momento em que me lembrei do flamenco, pelo girar das mãos, pela batida (muito mais contida, é verdade) dos pés no chão. Creio que, principalmente, pela intencionalidade.
De novo, de algum modo e emocionada, entendi tudo. Algo lá dentro dizia que aquilo pertencia a mim, que eu pertencia também àquela beleza.
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terça-feira, 28 de julho de 2015
Estampas irmãs
Já falei que amo um paninho, né? E texturas, e cores etc. etc.
Hoje fui pegar uma paximina para o friozinho que se anunciava no escritório e percebi que a estampa era irmãzinha do meu vestido.
Coincidência? Nenhuma. No fundo, estilo e ética têm suas coisas em comum: 1. Ou você tem, ou não; 2. Se tiver, não fazer uso é um pecado.
Hoje fui pegar uma paximina para o friozinho que se anunciava no escritório e percebi que a estampa era irmãzinha do meu vestido.
Coincidência? Nenhuma. No fundo, estilo e ética têm suas coisas em comum: 1. Ou você tem, ou não; 2. Se tiver, não fazer uso é um pecado.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Aprendendo com os erros
Já de volta, me bateu uma vontade de comer mais comida mexicana. Achei uma receita no site 4 ingredientes, da GNT. Mas faltaram informações importantes, como temperatura do forno e tipo de queijo a utilizar.
Isso acontece muito quando cozinho, o aprendizado com os erros. Já na vida, isso demora um pouco mais...
Mas então eu fiz outro dia pirão de leite para acompanhar carne de sol. Pelo que li em um livro de receitas da Chapada Diamantina (editora Senac), deixar a carne (dessalgada de véspera, claro) de molho no leite ajudaria a temperar o pirão. Fiz isso, e também um fundo com a fritura da carne. Dois aprendizados aí: o melhor é colocar a cebola quando a carne estiver bem frita, ou ela acabará cozinhando na água da cebola; é possível fazer um roux de pirão, acrescentando primeiro a manteiga e a farinha de mandioca e então ir mexendo com o fouet enquanto se acrescenta o leite e depois o caldo temperado, experimentando sempre para não salgar demais.
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domingo, 5 de julho de 2015
O amor está nos detalhes
Ontem, depois de encontrar minha caçula sênior e de ganhar presente fofo (muitos dos queridos investem na manutenção da minha beleza, que ótimo!), fui ao jantar da minha amiga-irmã.

Tudo tão perfeito, tão gostoso. Ao mesmo tempo que não me surpreende todo o cuidado com que ela preparou esse encontro, sempre me surpreendo com as ideias novas, com a beleza nova que ela promove.Esses cuidados com que fui agraciada em um mesmo dia, pelas minhas geminianas favoritas, me fazem pensar no que significa amar alguém.
Claro que o amor em si não basta, não resolve nada. Mas as atitudes amorosas sim. São elas que indicam o compromisso, o empenho, a lealdade que se tem com o outro. Eu costumo praticar isso - por exemplo, quando cozinho, quando cuido, quando busco notícias das pessoas queridas. Como é bom, portanto, quando sentimos esse mesmo cuidado emanando na nossa direção.
Até acredito que em algumas situações não escolhemos, no caso dos amantes, por quem vamos nos apaixonar. Só não acredito que isso valha para o amor do dia a dia. Aquela história de amar incondicionalmente, sem trégua, mesmo que o outro não mereça, é uma falácia - na qual muitas vezes somos apanhados. Porque, por mais piegas que seja a comparação com a flor, o amor precisa sim ser cultivado, cuidado. É preciso olhar por ele, que nem exige grandiosidades, mas apreço pelos detalhes. Praticar o cuidado até que seja algo natural, espontâneo.Como fizeram e fazem minhas duas queridas aqui mencionadas.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Mãos à massa! (ou à água?)
Já estava previsto que uma das aulas do curso do Marcos Ferreira na pós seria uma visita a um ateliê de cerâmica.
Ontem aconteceu a aula nos domínios da Sirlene, uma ceramista geógrafa e antropóloga, segundo definição do Marcos. Achei-a delicadamente engraçada - não encontrei outra maneira de definir aquele saber fazer comentários divertidos com uma voz tão suave. Sabedora de sua própria graça.
Então Marcos pediu-nos para relaxar, entrar em contato com nosso interior, visualizar um lugar que fosse só nosso. Confesso que estava pensando em como iria para a faculdade depois, e não visualizei nada "espiritual". No entanto, era preciso dar forma ao nosso pensamento por meio da flexível argila.
Acabei optando por uma imagem que sempre foi recorrente nos meus sonhos, e que há tempos não vejo neles, a de altas ondas no mar. Agreguei o veleiro comigo, miudinha, à proa. Lembrei-me dessa imagem outro dia, assistindo ao filme Interstellar, do Cristopher Nolan, que tem uma cena incrível com ondas gigantes.
O Marcos fez uma leitura interessante, sobre o veleiro como casa, que procura ficar estável em situações adversas trazidas pelo mar e pelo vento. E se a casa é o meu eu mais profundo, e com ele tenho singrado até as águas mais turbulentas, nisso tudo eu vejo boas perspectivas de aportar.
Ontem aconteceu a aula nos domínios da Sirlene, uma ceramista geógrafa e antropóloga, segundo definição do Marcos. Achei-a delicadamente engraçada - não encontrei outra maneira de definir aquele saber fazer comentários divertidos com uma voz tão suave. Sabedora de sua própria graça.
Então Marcos pediu-nos para relaxar, entrar em contato com nosso interior, visualizar um lugar que fosse só nosso. Confesso que estava pensando em como iria para a faculdade depois, e não visualizei nada "espiritual". No entanto, era preciso dar forma ao nosso pensamento por meio da flexível argila.
Acabei optando por uma imagem que sempre foi recorrente nos meus sonhos, e que há tempos não vejo neles, a de altas ondas no mar. Agreguei o veleiro comigo, miudinha, à proa. Lembrei-me dessa imagem outro dia, assistindo ao filme Interstellar, do Cristopher Nolan, que tem uma cena incrível com ondas gigantes.O Marcos fez uma leitura interessante, sobre o veleiro como casa, que procura ficar estável em situações adversas trazidas pelo mar e pelo vento. E se a casa é o meu eu mais profundo, e com ele tenho singrado até as águas mais turbulentas, nisso tudo eu vejo boas perspectivas de aportar.
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sexta-feira, 8 de maio de 2015
Gatos, um ano depois
Eles chegaram aqui em maio do ano passado. Parece que não cresceram tanto. Continuam grudes, miam por atenção, desaforo, fome, porque não gostam da roupinha. Zen gosta de invadir a cozinha e sentir o cheiro dos temperos. Chico é o atlético apanhador de bolinhas de papel, um dengo só.
Gosto de acreditar que sabem como me sinto, e por isso vêm se deitar no meu colo, ou perto do coração, ou fazendo carinho nos meus cabelos.
Como hoje. Zen adivinhou.
Gosto de acreditar que sabem como me sinto, e por isso vêm se deitar no meu colo, ou perto do coração, ou fazendo carinho nos meus cabelos.
Como hoje. Zen adivinhou.
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sábado, 11 de abril de 2015
Vida real IV
Envio 20 emails numa tarde. Distribuo leituras críticas, pautas de imagens, preparações. Cobro autores atrasados. Reunião por Skype. Aprendo que tenho um jeito "koala", ou seja, um ser fofo que tem garras afiadas.
Mais uma infecção em um mês. A mente anda a mil, o corpo, querendo parar. A dieta vai pro saco, mas não fico louca pra comer porcarias. Só não quero nada. Ou melhor, continuo querendo alguém que cozinhe pra mim e voltar a ter tempo e grana para praticar pilates e viajar.
Apesar da letargia-cansaço, ainda consigo me emocionar, o que significa que não me tornei uma morta-viva. Vibro com aulas ótimas, assisto ao filme baseado na obra de Oliver Sacks, releio Grande sertão.
Ainda vivo.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Eles cresceram!
Fazia mais de um ano que não via meus sobrinhos.Hoje foi aniversário da Gabi, comemorado com um almoço de Sexta-feira Santa. E então, ao reencontrá-los, soube que aquelas crianças se foram. Gabi e Rodrigo, mesmo sendo os mesmos, já são outros, são adolescentes.
Levei um livro da série Vaga-Lume, da Ática, porque me lembrei da importância dessa coleção para mim, quando eu tinha meus 12 anos. Gabi recebeu o livro de olhos quase espantados. Foi monossilábica. Disse que não sabia bem o que dizer. Quando a abracei, ficou frouxa nos meus braços, essa menina que já é mais alta que eu.
Rodrigo ficou no quarto, jogando pelo computador. Só saiu com a chegada do primo mais velho, que lhe deu dicas sobre jogos com a autoridade de quem joga há muito mais tempo.
Foi-se o tempo em que criei uma personagem para os dois, o pernilongo Alceu. Longe vai o tempo em que minha sobrinha decorava as histórias que me ouvia contar para contá-las de volta para mim.
Comemorar esse seu segundo abandonar da casca (o primeiro foi deixar o ventre materno) me fez pensar que a vida da gente é mesmo esse rio que segue sempre em frente, para nunca olhar para trás. Nós é que superestimamos o passado, por nosso medo de desaparecer - pela nossa certeza, lá no fundo, de que nós também passamos, uma só vez. O papel da memória deve ser o de nos lançar no futuro com mais esperança, como uma luz para iluminar o caminho à nossa frente. E só.
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terça-feira, 31 de março de 2015
Vida real III
As alergias já dão as caras, mal tem início o outono. Narinas secas, tosse, muita coceira nos olhos, Polaramine, colírio, água, sono. Coceira nas pernas - será que agora vou pegar dengue?
Tenho a impressão de estar falando baleês. Alguns autores que não respondem, se fingem de mortos. Uma autora com dengue, de fato. Eu no meio do vórtice de leituras críticas, pautas, preparações. Cronograma que já foi pro saco. Mas há autores que cumprem seus prazos - nem tudo está perdido.
Faxina, dieta do bom humor, limpar banheiro de gatos. Preguiça de cozinhar. Muito, muito sono após o antialérgico. Só 400g eliminados depois de uma semana sem comer doces. Poderia ser melhor, mas poderia ser pior. E o purê de batata-doce com canela faz a balança pender para o melhor.
Faço a mim mesma promessas que não consigo cumprir e compro livros. Também faço uma lista de todos os livros que devo ler antes de comprar qualquer outro - se a seguir de fato, a leitura demorará meses, o que significa cumprir minha promessa de não comprar um livro tão cedo.
Assisto a um documentário perturbador, Finding Vivian Maier (de novo as sombras da alma), termino de ler Vargas Llosa. Isso me dá a sensação de dias produtivos, mesmo quando autores não respondem e meu trabalho fica parado.
Com a caneca de leite quente e cacau nas mãos, penso que, mesmo não sendo tão fácil, este ano já é, sem dúvida, melhor que o que passou. Penso também que consegui aumentar uma volta na caminhada pelo parque. E assim vou dormir mais feliz.
Tenho a impressão de estar falando baleês. Alguns autores que não respondem, se fingem de mortos. Uma autora com dengue, de fato. Eu no meio do vórtice de leituras críticas, pautas, preparações. Cronograma que já foi pro saco. Mas há autores que cumprem seus prazos - nem tudo está perdido.
Faxina, dieta do bom humor, limpar banheiro de gatos. Preguiça de cozinhar. Muito, muito sono após o antialérgico. Só 400g eliminados depois de uma semana sem comer doces. Poderia ser melhor, mas poderia ser pior. E o purê de batata-doce com canela faz a balança pender para o melhor.
Faço a mim mesma promessas que não consigo cumprir e compro livros. Também faço uma lista de todos os livros que devo ler antes de comprar qualquer outro - se a seguir de fato, a leitura demorará meses, o que significa cumprir minha promessa de não comprar um livro tão cedo.
Assisto a um documentário perturbador, Finding Vivian Maier (de novo as sombras da alma), termino de ler Vargas Llosa. Isso me dá a sensação de dias produtivos, mesmo quando autores não respondem e meu trabalho fica parado.
Com a caneca de leite quente e cacau nas mãos, penso que, mesmo não sendo tão fácil, este ano já é, sem dúvida, melhor que o que passou. Penso também que consegui aumentar uma volta na caminhada pelo parque. E assim vou dormir mais feliz.
segunda-feira, 16 de março de 2015
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Tudo de bão
Cabeceira
- "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
- "Geografia da fome", de Josué de Castro
- "A metamorfose", de Franz Kafka
- "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
- "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
- "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
- "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
- "O estrangeiro", de Albert Camus
- "Campo geral", de João Guimarães Rosa
- "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
- "Sagarana", de João Guimarães Rosa
- "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
- "A outra volta do parafuso", de Henry James
- "O processo", de Franz Kafka
- "Esperando Godot", de Samuel Beckett
- "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
- "Amphytrion", de Ignácio Padilla




























