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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Entre comemorar e lutar

Eita, que agosto acabou, já entrou setembro e daqui a pouco é Natal! Por aqui, foi um mês intenso, muito inspirador e criativo (ia dizer produtivo, mas não quero reduzir a riqueza do vivido a "produção"). 
Falo em criação porque recriei hábitos mais saudáveis, tirando do cardápio há quase um mês o café, o açúcar e o trigo, por conta de pré-diabetes e possível esofagite. O amado suco de laranja foi no mesmo bojo, e reduzi os lácteos, por conta da acidez mais que pela lactose. Nessa recriação, retomei a atividade física de fato, aumentando cargas, fazendo tudo direitinho. Exercitei meu senso de limites, descansando quando necessário, dizendo não sempre que foi preciso. Voltei a ir ver o mar. 
Também comemorei vitória de Nara, colega do PPGNEIM, defendendo sua dissertação ao lado de sua mainha, os 70 anos de Degas em linda festa organizada por Dani, cantei à beça fazendo faxina sob o olhar espantado de Zenzito, consegui finalizar um PNLD que teve muitas idas e vindas e atrasos e tocar outro trabalho, me inscrevi em processos de seleção e criei minha camiseta para as eleições, uma releitura feminista de Tarsila. 
Mais que o que acontece entre o nascer e o morrer, sinto, pelo menos hoje, que viver é o caminho feito entre o comemorar e o lutar. Vivamos, porque isso é bom. 


sábado, 24 de fevereiro de 2024

Senescência na ordem do dia e do processo inescapável da vida

A população mundial cada vez mais é composta de velhos, em comparação com as demais faixas etárias. O Brasil, mergulhado nas suas desigualdades históricas, acompanha como pode esse fenômeno. Parece um contrassenso caminharmos para o ápice da pirâmide etária, para a maior expectativa de vida, ao mesmo tempo que o planeta vai cada vez menos deixando de ser um lugar viável para a humanidade - não nos esquecendo, claro, que a culpa dessa inviabilidade é quase toda nossa. 
Não é à toa, portanto, que há um interesse crescente nessa população, tanto em termos de pesquisa quanto em um viés consumista. Por fim, surgiram produtos voltados para o público 50-60-70+, e não apenas medicamentosos e geriátricos. Produtos ligados à saúde, ao bem-estar, à beleza, próprios de gente que tem escolhido se cuidar e viver mais e melhor - claro que, para quem pode pagar, sempre há de tudo, em qualquer faixa etária, não nos esqueçamos também disso. 
Em termos de pesquisa, tem havido uma distinção entre senescência e senilidade. A senescência tem a ver com o fenômeno natural de envelhecimento, enquanto a senilidade indica doenças e limitações que vitimam os idosos. Essa distinção deve ajudar esse grupo nas tratativas com planos de saúde, já que não necessariamente ser velho é sinônimo de ser doente, mas principalmente faz com que a sociedade volte sua atenção para essas pessoas, que continuam a existir, e naturalize o envelhecimento. 
No cinema, a arte visual mais popular, cada vez mais vemos protagonistas mais velhos. Não como um ator velho que é convidado para aquele papel, sobretudo homens à la Clint Eastwood. Agora é a situação de uma pessoa velha que está em pauta. O que fazem os velhos, onde vivem? Estas são as questões que estão na ordem do dia. Outro dia falei sobre o filme Nyad, com Annette Bening no papel da nadadora de mais de 60 anos que faz uma travessia marítima desafiadora. Temos visto atrizes que eram musas pedindo para não terem sua aparência retocada, disfarçada. Jodie Foster, que participou da Nyad e foi protagonista da nova temporada de True Detective, mostrou cada uma de suas rugas em cena. A também sexagenária e belíssima Isabella Rosselini pediu para não usar maquiagem na capa da Vogue. Ontem assisti ao excelente Boa noite, Leo Grande, com a querida Emma Thompson, que retrata uma mulher madura, viúva, que resolve contratar um garoto de programa em busca de experiências que ela nunca teve na vida, inclusive um orgasmo. Boa parte da fala de Thompson é sobre como a mulher que envelhece é vista, e ela inclusive se mostra, nua, com as tintas da senescência natural humana. 
Mas o fato é que encarar a velhice não é fácil, principalmente a fragilidade que vem a reboque. No adorável filme Ella e John, um casal de idosos resolve pegar a estrada, mesmo com todas as limitações da senilidade - cardiopatia, Alzheimer, dificuldade em dirigir. No mundo real, além de notícias de pessoas queridas que encararam ou encaram recentemente alguma doença, passei três semanas com minha mãe, que se recuperava de uma cirurgia num dos joelhos após uma queda. Embora ela praticamente não me tenha dado trabalho - conseguia andar, mesmo muito devagar, tomava banho sozinha, tomava seus inúmeros medicamentos, aplicava insulina -, foi muito aflitivo constatar o seu envelhecimento com várias limitações, como diabetes, cardiopatia e pressão alta, além de ela enxergar pouco, o que explica muitas das suas quedas. Creio que, além de me angustiar como será a vida de minha mãe daqui até o final (e então vêm todos os imbróglios familiares imagináveis), o mais difícil foi ver nela um espelho, e também pensar em como será envelhecer em uma realidade tão caótica, talvez mais precária que hoje. Imaginar o futuro tem sido angustiante em vários sentidos, portanto. 
Então ontem, enquanto pensava mais uma vez e cada vez mais em possibilidades pouco animadoras, eu a vi, a pequena borboleta, pousada na rede de proteção. Resistindo ao vento, que tem sido forte nessa época que já anuncia chuvas mais intensas. Existindo, resistindo, talvez descansando, talvez se preparando para novo voo, mas principalmente sendo o que nasceu para ser. Como em outros momentos da minha vida, uma beleza alada apareceu para lembrar dos ciclos a que estamos sujeitos, entre nascer e morrer, passado e futuro. Mas, no meio disso tudo, o presente, o conhecido, o inescapável viver. 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Simplicidade, a maior das evoluções

Do mesmo modo que me interessa saber como se davam os antigos processos culinários, quando não havia tecnologia nenhuma, e como são feitos alguns pratos mais complicados, eu sempre busco as soluções mais simples para essas mesmas receitas. Como aconteceu com o boeuf bourguignon, por exemplo: procurei aprender a receita "raiz" para depois simplificar o prato, preparando-o inclusive na panela de pressão, autorizada pelo Troisgros. O mesmo com a sopa de maní, cuja receita já achei simplificada e simplifiquei mais um pouquinho. Aprendi a fazer sorvete sem sorveteira, entendendo a lógica de seus ingredientes, antes de comprar uma sorveteira. Ou seja, se faltar energia, mas não ingredientes, ainda dá pra eu me virar. 
Mas a simplicidade de que mais gosto é poder fazer combinações com o que já está pronto na geladeira. Antes de saber cozinhar, eu já tinha encantamento por marmitas - e hoje elas estão tão na moda! 
Por isso, gosto tanto dos programas da Rita Lobo, que aborda não só a comida de verdade, mas também a simplificação do ato de cozinhar cotidianamente. Pra mim, é a verdadeira evolução culinária, a simplicidade. 
Dia desses, sem arroz na despensa, preparei uma quinoa que estava ali perdida, para acompanhar lentilha cozida. Ambas sobraram, já mais sequinhas. E achei duas receitas do Panelinha, que ainda me fizeram aproveitar uma beterraba do fundo da gaveta e amêndoas que já estavam meio murchinhas. Logo tínhamos, para o jantar, um cuscuz marroquino feito com quinoa, amêndoas, alcaparras e raspas de limão e lentilhas com molho de balsâmico e fatias de beterraba, ambos muito gostosos. 
Aproveitando que tinha feito coalhada caseira, preparei uns nuggets simplificados, marinando o frango já temperado no iogurte e passando numa farinha de rosca feita com um pão francês integral que havia sobrado. Ainda preparei um molho tártaro com maionese pronta, alcaparras e picles de pepino, delícia. 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Quero mais saúde

Trago obviedades quando digo que a pandemia nos fez dar mais valor à saúde. Isso é ainda mais verdade com o avanço da idade de quem não tem, como nós, plano de saúde (embora hoje os clientes de planos sofram só um pouco menos do que quem conta só com o SUS). Temos que manter a saúde não só para ter uma vida melhor como também para evitar perrengues e gastos mais altos com remédios, exames e hospital. 
Mesmo buscando nos alimentarmos bem e fazer exercícios, volta e meia um problema de saúde bate à porta. Marido teve Covid no final do ano, entrou 2022 com dor terrível no dente seguida de extração, emendou com inflamação no antebraço e finalizou com infecção urinária de febrão de quatro dias até que descobríssemos, no PA local, o que era, o que rendeu noites sem dormir e o pavor de vê-lo tendo uma convulsão. 
Eu já vinha tendo algum desconforto gástrico desde final de abril, provavelmente de fundo emocional, que piorou com chutada no balde na alimentação e mais ainda com os problemas de saúde do marido. Assim como o marido, fui parar no posto de saúde, para receber omeprazol, buscopan e dipirona na veia. O que seria de nós sem o SUS? Não gosto nem de pensar. Isso porque ainda tenho condições de reservar algum dinheiro anualmente para fazer meus exames de saúde de rotina e pagar a consulta da ginecologista. De quando em quando, algum gasto com dentista e, eventualmente, medicamentos básicos. Mas como seria com pouca saúde, com uma doença crônica?
Mesmo assim, nessa visita ao PA, a enfermeira comentou como meu sangue estava bem viscoso e perguntou como andava meu colesterol. Pensei logo nos exames anuais, ajuntei com o desconforto gástrico e decidi colocar tudo nos trilhos de novo, voltando a me exercitar e cortando os excessos alimentares (sucos, doces, massas). Reduzi o café para uma xícara por dia e adentro o terceiro dia com dor de cabeça à tarde. Mas resisto, porque o café tem realmente caído mal. Também o chocolate, comidas mais gordurosas. Vou ter de voltar a organizar umas marmitas semanais, porque realmente não dou mais conta de cozinhar todo dia. Voltei a tomar coalhada caseira para equilibrar as floras. 
Nessa toada por mais saúde, ainda assisti ao evento on-line organizado pela Silvia Ruiz, o Ageless Talks, ótimo, que fala tanto da saúde em todos os campos das pessoas com mais de 40 anos, especialmente as mulheres. Sempre ajuda perceber que não estamos sós em tantas mudanças na vida e na saúde. 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Dia 218

Parecia que a chuva tinha ido embora, mas não. Chove desde sábado à la Guantanamera, o filme. 
Tudo indica que estou com intertrigo candidisíaco, uma micose nas axilas que deixa placas vermelhas na pele - foi Drauzio quem me contou. E tome Vodol por 2 a 3 semanas, na esperança de que sare, ou terei de descobrir um dermatologista por aqui. Ou tentar um fluconazol básico antes, persistindo na automedicação pra não contrair um vírus por aí. 
Cabelos seguem entre Juma Marruá sem coiffure e Janis pós-Arembepe, e agora deram pra formar nós na nuca. Os produtos caríssimos da L'Oréal que comprei - talvez eu não saiba usar - ainda não fizeram seus milagres. 
Além dos cabelos desgrenhados e da coceira infinita nas axilas, a escrita do TCC continua empacada - mas não as ideias sobre feminismo, racismo, justiça social. Ao menos isso vai contribuindo para aclarar as sombras da alma, ajudando inclusive na terapia retomada. 
Sigo nos trabalhos produtivo e reprodutivo enquanto for necessário, tentando retomar meu pragmatismo de fazer do momento um terreno minimamente estável para mudanças, quando estas forem possíveis. Tento ser budista ao cozinhar e lavar louça.
Entre as notícias ruins no mundo e especialmente no Brasil, vem uma luzinha de esperança com a eleição boliviana. Nem é aqui, mas que alívio dá ver que nem todo o mundo está perdido. 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Romi ófici

Como já disse, o romi ófici aqui é das antigas. Na verdade, muito das antigas, de quando comecei a trabalhar na equipe de redação do cursinho. Fiquei mal acostumada, ou melhor, encontrei meu jeito de trabalhar ali. E lá se vão 26 anos. 
Claro que, com a pandemia, meu romi ófici foi invadido por outras atribuições/atribulações domésticas além das que eu já tinha, como cozinhar, lavar e guardar louça e roupa, arrumar cama, fazer listas infinitas de supermercado e outras compras para casa (a recém-descoberta carga mental feminina). Somou-se a essa lista considerável lavar banheiro, limpar móveis, limpar e encerar chão, atividades que me renderam a crise no piriforme. Isso tudo me tem feito repensar a continuidade dessa forma de trabalho, que me foi tão conveniente por todos esses anos.
Antes, porém, de decidir se abandono essa modalidade de trabalho em prol de voltar a ter contato com mais pessoas, talvez atuando mais diretamente com educação, quando a famigerada pandemia permitir, faço algumas considerações sobre o que tenho percebido de mudanças no meu romi ófici pandêmico. 
Enquanto boa parte da galera que estreou no romi ófici com o início da pandemia adotou o modo comfy de estar em casa, sobretudo os mais privilegiados, resolvi me vestir como se estivesse fora de casa. Porque, afinal de contas, nem sei quando volto a sair para qualquer lugar, e já nem saía muito. E tenho usado roupas novas para ficar por aqui mesmo. Aliás, tem dia que até uso um pouco de maquiagem, como se fosse sair pra trabalhar - aprendi isso de um autor parceiro de trabalho, que me contou que sua esposa, doutoranda em história, se arrumava completamente para fazer sua pesquisa no escritório de casa - e trancava a porta, só saindo dali para almoçar (eles compravam refeições congeladas caseiras, outra coisa que andei aventando) e ao final do "expediente". Achei o máximo, mas só agora emprego parte desse ensinamento. 
Enquanto muita gente tem tentado aproveitar ao máximo esse tempo em casa fazendo várias coisas ao mesmo tempo - ou pelo menos no início foi assim, agora todo mundo deve estar exaurido -, eu logo vi que não dava pra fazer mais ainda do que já fazia. Porque romi ófici não é pra principiantes não. Trabalhar em casa é trabalho duplo, e no caso das mulheres, triplo, quando não quádruplo. Então aos poucos fui fazendo uma coisa de cada vez, como no fundo é melhor que seja - só assim para estar presente, mesmo no meio de uma pandemia. 

terça-feira, 21 de julho de 2020

Alergia infernal e dente trincado

Uma das maiores preocupações que tenho nesta quarentena - além de contrair Covid-19, claro - é com precisar ir ao médico durante a pandemia. Na crise do piriforme, fui fazer fisioterapia aqui do lado para evitar a piora e ter de procurar um médico especialista. Nem avento por ora o retorno à ginecologista, com os exames de controle de praxe. Já estou noiada com ter que daqui a pouco marcar horário com dentista, por conta do meu dente trincado há um ano que está se mostrando farto da espera, e agora minha alergia só tem piorado.
Acredito que tenha a ver com mudança de tempo, mas também com uso de produtos de limpeza, especialmente água sanitária. Tem também o estresse da situação toda. Ontem li que a deficiência de vitamina D exacerba os sintomas alérgicos - e eu mal tenho tomado sol. Comer maçã e cebola, li ainda, é uma boa, como também beber bastante água. Hoje, comi maçã, tomei sol, antialérgico, Apracur, própolis - tudo para combater uma das piores crises alérgicas que já tive, rinute, sinusite, uma gripe querendo se instalar, tudo junto. Mal trabalhei - mas cozinhei, lavei louça, até estudei um pouco. E dormi umas três vezes ao longo do dia. 
Buscando na memória da quarentena, já estou na toada da alergia há uns dois meses, com certeza. Vou precisar buscar um alergista, com certeza. A incerteza é quando - quando será possível sair com um mínimo de segurança? Provavelmente, eu e toda minha prevenção seremos vencidas primeiro pelo trincado reclamão. 

terça-feira, 26 de maio de 2020

Tai chi na rede e o verde ao redor

Como disse, minha antiga professora de tai chi chuan está oferecendo aulas por videoconferência. Já vi que vou precisar treinar outros dias para recuperar a coordenação motora, até porque só agora a dor no piriforme/ciático está indo embora, após 23 dias, e dor é um troço que desconcentra, descentra, desfoca, desanima, desumaniza. 
E apesar dessa dor que parecia não ter fim, quando vejo essas janelinhas no monitor, com a galera aparentemente praticando em espaços fechados, apartamentos talvez, percebo a sorte que temos de viver em um espaço aberto, com verde ao redor. Nem consigo imaginar como seria estarmos na décima semana de quarentena em um apê, mesmo podendo fazer tai chi, afe.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Inflamação no piriforme e a moussaka que não fiz

Tinha planejado fazer uma moussaka, receita do Akropolis, para o Dia das Mães. Compramos tudo com antecedência, bonitinho. Mas aconteceu de, após uma faxina, a dorzinha costumeira na lombar ir se transformando em algo incapacitante e duradouro. Tive que passar os ingredientes e a receita para a sogra, uma injustiça, para ela preparar o almoço em homenagem a ela! Isso porque ela já havia cuidado da sobremesa também.
A receita já virou minha favorita, com as batatas cortadas em fatias e fritas antes de compor as camadas. O molho bechamel, bem denso por conta do acréscimo de queijo, ficou maravilhoso.
E afinal tive de marcar um horário com minha instrutora de pilates e fisioterapeuta, eu já temerosa de ter de ir a um hospital a essas alturas de pandemia. Depois de muitos apertões, soube que, ainda bem, era só uma inflamação do músculo piriforme, e não um problema renal, ou uma infecção, ou uma hérnia de disco recém-nascida. A depender da posição, o piriforme pode irradiar para o ciático, e daí essa dor escrota, que parece enfraquecer as pernas e fazer estalar a coluna, o quadril e os joelhos, enviando pequenos choques pela perna até o pé. Uó.
Pelo menos, houve um grande alívio após a fisioterapia. Sigo no ciclo do anti-inflamatório e com Mercuria, a bolsa de água quente.

sábado, 11 de abril de 2020

Longe mas perto

Tenho familiaridade com educação à distância há alguns anos. Até passei em um concurso para ser tutora de um curso técnico, em Maceió - mas teria que pagar minha passagem uma vez por mês, então não rolou. Fiz curso de tutoria on-line, de espanhol (do Senac e do Cervantes), vários da Eduk, do Sebrae, pós em gastronomia da PUC-RS, de direitos humanos, ética, outra pós, na Unisc, em história da alimentação... Isso para não falar dos tutoriais mil, de culinária e outros assuntos, que encontramos na internet. Ou seja, o mundo virtual é um velho e gentil conhecido. Agora, então, em que o trabalho está sofrendo as transformações trazidas pela pandemia, será tudo mais virtual - e a graça vai ser contrabalançar isso com atividades presenciais. 
Bueno, enquanto o presencial vai sendo posto de lado na quarentena, estamos tendo aulas de pilates por videoconferência. Funciona muito bem, apesar de uma ou outra travadinha na chamada. Assim conseguimos inclusive rever pessoas queridas, afastadas de nós no contexto atual. É a conexão possível no momento, que nos ajuda a não enlouquecer com a falta de exercícios e da liberdade de ir e vir e com o excesso de notícias ruins. Só posso agradecer a Gleice por não se acomodar nunca. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Emancipação

Eu tomei hormônios por 30 anos. Trinta anos! Mais da metade da minha vida. Foi o tratamento indicado por ginecologistas - curiosamente, homens - para amenizar os sintomas da SOP (Síndrome do Ovário Policístico). Somente agora, com UMA ginecologista, foi aventada a hipótese de eu interromper esse tratamento e procurar amenizar os sintomas investindo na qualidade de vida. Ainda estou um pouco longe da menopausa, então seria necessário pensar em algum outro método contraceptivo.
Fiquei pensando em qual a razão para pouco se falar no DIU de cobre, se ele é um dos métodos mais próximos do natural que existem. Claro que podemos pensar na influência esmagadora da indústria farmacêutica, que trata um problema, cria vários outros e então oferece mais medicamentos para tratar os novos problemas de saúde. Mas não deixa de ser chocante que os próprios médicos não considerem esses fatores no atendimento às mulheres.
Verdade seja dita, enquanto tomei o Diane 35 (e foram mais de vinte anos), não sentia desânimo, nem cólicas. Comecei a engordar mais perto dos 40 anos, então não posso reputar toda culpa a ele. Quando, porém, pelo risco de trombose, substituí o medicamento por outro, o Cerazette, engordei, desanimei, tive cólicas homéricas, de me dobrar ao meio, o ciclo menstrual ficou totalmente desregulado. Como um medicamento assim poderia ser benéfico? Só então comecei a pensar em alternativas para o tratamento da SOP e também para a contracepção.
Eu mesma só tenho conhecimento de UMA amiga que utiliza o DIU. Foi ela quem mais me animou a fazer uso do dispositivo. Entre o de cobre e o chamado Mirena, obviamente escolhi o primeiro, sobretudo porque tudo o que menos queria era continuar usando hormônio, mas também porque o segundo é muito mais caro (com o custo da aplicação, o valor seria três vezes maior que o de cobre).
Fui, fiz. Quase morri de cólica no momento da aplicação e nas horas seguintes. Mas depois fui tomada por uma sensação de liberdade tão grande - por ter tomado essa decisão, por estar há alguns meses sem usar medicamentos hormonais, por me sentir voltando a ser eu mesma! Apesar de outros problemas de saúde recentes - cisto na mama, nódulo na tireoide, microcisto ovariano, esteatose hepática -, me sinto mais disposta, comecei a emagrecer (claro que também por conta das mudanças na alimentação e na atividade física, mas o maior ânimo é que possibilita essas mudanças), sinto vontade de escrever, estudar (e o Universo vem com ajudinha extra de colocar pessoas interessantes no caminho).
O que é um pouco assustador nesse processo é como não nos damos conta de que os problemas de saúde, quando são crônicos mas não têm consequências tão graves, interferem enormemente em todos os setores da vida. De repente, sem hormônios sintéticos, me sinto emancipada. Como se eu tivesse dormido em uma cápsula por anos, e de repente acordasse. Liberta, emancipada.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Primeiro kombucha e aprimoramento de pão italiano

Na pós de Gastronomia e cozinha autoral, o Olivier Anquier contou que, embora pertencesse a uma família de boulangers, teve, no Brasil, de fazer pão dia sim dia não para chegar a um resultado satisfatório e abrir seu próprio negócio. Distribuía os pães entre os vizinhos, familiares, e seguia fazendo mais.
Lembrei-me disso nas últimas semanas, quando fiz um novo levain e também preparei o starter do kombucha. É preciso insistir, persistir, experimentar, adaptar para chegar a um bom resultado.
Depois de encontrar uma boa receita de pão italiano no blog Massa Madre, resolvi fazer alguns testes. O primeiro que fiz, seguindo a receita de fermentação de um dia, cresceu pouco e ficou muito azedo, embora macio e alveolado. Também queimou um pouco, e minha tentativa de assar sobre papel manteiga não foi feliz - ele grudou completamente no papel.
No outro dia, fiz novamente, desta vez com levain de farinha branca, e não integral, como o anterior. Também reduzi bastante o tempo de fermentação - 1 hora para a primeira, 1 hora para a segunda. A massa já se desenvolveu melhor. A pestana abriu direitinho. O pão ficou uma delícia - eu ainda deixaria só mais uma meia horinha fermentando para ter um pouco mais do azedinho do pão italiano.
Com o kombucha foi o contrário - eu diminuiria o tempo de fermentação, de dez dias para sete, para não ficar tão ácido. Aconteceu também de eu não ter uma garrafa que vedasse perfeitamente a bebida, e após a segunda fermentação (que saborizei com pedacinhos de maçã) já não havia gás nenhum. O gosto, porém, ficou bom, só depende mesmo de acertos.
Sigamos, portanto, explorando o fascinante mundo dos microrganismos (do qual, segundo teorias recentes, arrogantemente fazemos parte, como colônias ambulantes de bactérias).

domingo, 7 de julho de 2019

Experimentando kombucha, acreditando na fermentação

Ando ruim do estômago ou adjacências. Qualquer coisa mais gordurosa (pode ser fígado) ou ácida, vem logo aquela queimação, tosse à noite, um desconforto geral. Talvez síndrome do cólon ou do intestino irritável, a investigar.
De todo modo, sempre tem a ver com emocional, isso já sabemos, mas também com alimentação. Por isso até troquei o vale-presente que o marido me deu por um livro ligado ao assunto, Digestão, de Dale Pinnock (editora Senac), com receitas visando à melhora da saúde do aparelho digestório.
No último rolezinho paulistano, também nessa toada de buscar maior bem-estar, aproveitei para provar o onipresente kombucha. Fui numa escala do melhor (Ewé) ao pior (Campo Largo), em termos de sabor. Mas parece que, no geral, todos trouxeram um certo alívio ao desconforto digestivo. Não precisei recorrer tanto à simeticona, e se aventava tomar omeprazol, logo descartei a ideia.
A história do kombucha já anda me rondando há algum tempo, desde seguidores no Instagram até a compra do livro sobre fermentação do Sandor Katz. Soube de um curso de produção de kombucha que haverá por estas bandas, mas o horário para mim é ruim, então devo buscar a versão on-line do Com Ciência, do Lucas Montanari.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Eu, uma alérgica

E foi só uma picada de abelha!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sobre temperos frescos e o que temos na geladeira

Como ainda não avançamos na nossa horta, tenho mantido meus temperos em vasos, que volta e meia preciso substituir por conta do calor e da falta ou excesso de chuva.
Faz mais de cinco anos que não sei mais viver sem temperos frescos, e acho um desperdício comprar maços em vez de tirar o que preciso de uma planta perene (enquanto dure).
Além dos temperos frescos, outra coisa que adotei foi ter cada vez menos alimentos ultraprocessados na geladeira. Tinha já começado a fazer isso em São Paulo, e meu lixo de orgânicos foi ficando maior que o de embalagens de papel e de plástico, mas aqui temos ampliado a prática. Prova disso é a geladeira ter uma gaveta cheia de verduras, legumes e frutas que logo viram pratos para a semana, inclusive na forma de marmitas semanais no congelador - não há nada mais prático: até massa de pizza tem!

sábado, 13 de janeiro de 2018

Saúde, esporte e educação

Recebi esta semana os dois livros sobre pães que comprei na Amazon, com preço ótimo - o do Michel Suas, que costuma ter preços proibitivos, e o de Sandra Canella-Rawls, com uma pegada mais científica, que adoro (e já comecei a ler, e é uma delícia). O estudo tem me chamado insistentemente; me faz muito mal estacionar no conhecimento.
E as coisas fluem de tal jeito quando começamos a nos movimentar que me apareceu outro dia um anúncio de pós em gastronomia. Já quero, já vou, em prol da minha saúde mental.
Por outro lado, a saúde física tem cobrado seu preço - tenho apresentado alguns sintomas de pré-diabetes ou de síndrome metabólica, ainda não tenho certeza. Já comecei, antes de conseguir marcar uma consulta médica, a reduzir o açúcar, e até testei o primeiro bolo com xylitol - maçã com canela e gengibre, bom. Se tiver que ser. Tenho aproveitado a deixa para diminuir a ingestão de lactose e farinha branca. Claro que tenho momentos de crise de abstinência, mas aos poucos devo me acostumar com as diversas substituições e milhares de outras possibilidades alimentares.
A hipótese de ter herdado a doença familiar também me fez apertar o pedal, e até me faz gostar mais da musculação. Também achei uns treinos bacanas no site daredbee.com. Mentiria se dissesse que adoro acordar cedo para malhar, como diz meu marido. Só depois de uns 20 minutos é que penso: ah, que bom, agora lembro por que estou aqui, é porque me faz bem! Sempre preferi as atividades mais lúdicas ou mais interiorizantes - dança, judô, tai-chi-chuan, pilates, até ioga.
E a vida segue no melhor estilo tudo-ao-mesmo-tempo-agora: castração de cachorro, rearranjos da cozinha, saúde, estudos, autoescola. Como costuma ser, para não cairmos na mesmice nunca.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Por uma vida mais leve

Pelo primeira vez, eu e Guga estamos de dieta juntos. Nem poderia ser diferente, se compartilhamos o alimento diariamente.
O fato é que isso é bom. Sempre é melhor ter alguém no mesmo projeto de emagrecimento. Lembro que a primeira vez que fiz regime de verdade tive apoio de colegas de trabalho que eram pacientes da mesma endocrinologista. Era ótimo almoçar com eles - dávamos dicas uns aos outros a respeito da boa alimentação. Emagrecemos juntos e felizes, com ajuda da sibutramina.
No meu segundo regime, uns cinco ou seis anos depois, fui ao endocrinologista com Gustavo. Aqui, cada um cuidava do seu. Como na primeira vez, tomei sibutramina. Mas, sozinha em meu regime, me dediquei mais às atividades físicas - academia, flamenco, tai chi chuan. A alimentação não era exatamente a melhor, e acabava sendo compensada com exercícios.
Nos últimos três anos, voltei a ganhar peso. Pouca atividade física, falta de opção de restaurantes no novo bairro, estresse - tudo isso contribuiu para a subida dos números da balança. Quando comecei a cozinhar diariamente em casa, ainda estava mais focada nas experimentações culinárias, quase sempre engordativas. Cheguei à Bahia com um pouco mais do que tinha no segundo regime - o que, para mim, havia sido o auge da engorda.
Como já disse aqui, comecei a frequentar uma academia pequena no bairro, só caminhando na esteira ou no elíptico, por conta da tenossinovite. A alimentação continuava pouco light, embora cada vez mais saudável, com cada vez menos alimentos processados.
Pouco depois, logo que voltei a fazer pilates, vi uma foto minha na internet. Entrei em pânico. Estava definitivamente fazendo jus à herança paterna. Já havia perdido boa parte das minhas roupas, e vi que logo não teria o que vestir.
Quando Guga decidiu voltar a emagrecer, foi ótimo, porque isso significava menos pedidos de pratos especiais. E como ele é mais radical que eu na dieta, fomos aos poucos focando em alimentos que promoviam saciedade e bom humor (embora, como eu já devo ter dito, às vezes fico de mau humor por abstinência de coisas doces). Agoooora, acho que estamos no passo certo, ainda mais com o pedal presente em nossas vidas.
Só sei que quando tomo uma vitamina de abacate ou como banana amassada com aveia, acho uma das coisas mais deliciosas do planeta. Valorizo muito mais o sabor dos alimentos. A cerveja no final de semana, em menor quantidade, vira uma iguaria.
Com a idade, emagrecer é menos fácil, é verdade. Cada 200 g deve ser comemorado, e às vezes pinta o desânimo. Mas, desta vez, a ideia é incorporar um modo definitivo de ser saudável. Sem remédios, com alimentos frescos, sem conservantes, com atividade física constante e prazerosa. Uma nova vida mesmo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Mobilidade, saúde e tal

Uma das maiores diferenças da minha mudança de vida (além da falta de creme de leite fresco) foi a mobilidade.
A questão nem é o fato de morarmos no interior, porque, mesmo que estivéssemos mais perto da capital, pouca diferença faria: Salvador é para os carros. Mal tem calçadas; somente agora começa a se esboçar um mapa metroviário, os ônibus trafegam lotados e as ciclovias inexistem.
Na verdade, onde estamos, a maioria das pessoas utiliza motos e bikes para se locomover.
Eu, porém, demorei até mesmo a sair a pé pelo bairro. Tinha me acostumado com o carro dirigido pelo marido. Comodismo com uma sensação enganosa de que não acharia por perto o que precisava.
Mas, quando descobri que precisava fazer fisioterapia, por conta de uma tenossinovite na mão esquerda, caiu a ficha: não poderia contar com o marido para me levar até Salvador durante a série de 10 sessões. Como faria? Tomar um dos ônibus lotados não era uma ideia nada atraente. Vi que teria que me virar, que teria que promover a independência da minha mobilidade.
Por sorte, descobri que havia uma clínica de fisioterapia quase ao lado de casa. Fiz lá as 10 sessões. Nesse meio tempo, fui me animando a me deslocar a pé pelo bairro para resolver pequenas pendências. LaBelle, até esse momento, continuava encostada.
Um dia, resolvi que era hora de voltar a fazer pilates (por conta da tendinite, da postura, de ter que emagrecer 15 kg, de fazer uma atividade física de que gosto) - e havia dois estúdios relativamente próximos, mas ambos do outro lado da rodovia. Fiz aulas experimentais nos dois, escolhi um e em outro dia resolvi que iria para lá de bike.
Pura adrenalina, a primeira saída entre carros, motos e outras bikes, bem mais velozes que a minha. Na volta, uma sensação quase incrédula de coragem, de ter vencido - meu medo, a mim mesma, meu comodismo.
Estudos dizem que são necessários 66 dias para mudar/adquirir um hábito. Não sei se procede, mas sei que por ora já não quero mais parar de me mover assim.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aprender a respirar

Tive uma experiência muito estranha na semana passada. Não sei ainda se estava sonhando, ou num estado de semivigília, mas no meio da noite despertei (acho) com a sensação clara de que tinha cinco corações, todos batendo descontroladamente. Achei que ia pifar, com aquele descompasso crescendo no peito de forma sufocante...
Aí percebi que não estava nem conseguindo respirar. Pensei (sonhei?) então que precisava respirar fundo para não sucumbir, precisava aquietar meus corações com uma respiração calma e pausada.
Funcionou. Respirei assim por uns minutos e adormeci.
Embora não tenha chegado a nenhuma conclusão, se estava acordada ou dormindo, esse episódio insólito me fez pensar na minha dificuldade em fazer essa coisa vital, desde sempre. Respiro pela boca quase o tempo todo, e preciso pensar para respirar pelo nariz, soltar pela boca etc. Por isso gosto de (tentar) nadar - vou aquietando a respiração de acordo com os movimentos, o som silenciador da água.
E foi respirar fundo que me salvou do pesadelo acordada. Aliás, cada vez mais vou percebendo como não respirar bem me atrapalha em quase tudo. Na hora de fazer uma atividade física, às vezes é preciso que o professor me lembre de usar a respiração - não basta saber encaixar o quadril. Dançando, fazendo tai chi. Fazendo tai chi, vi como meus movimentos eram apressados porque não acompanhavam a respiração compassada propícia à prática. Numa subida, quase coloco os bofes pra fora, embora seja capaz de caminhar quilômetros sem drama. Quando me meti a fazer um curso de mergulho (só aquela parte na piscina), usei apenas 30% de oxigênio do cilindro - o instrutor me olhou espantado: você não respira???
As poucas vezes que fiz yoga, e também no tai chi, ouvia do professor que a respiração ajudava a colocar em contato consigo mesmo. Pensando bem, também por isso acabei procurando a terapia - para aprender a respirar e assim mergulhar mais fundo, sem medo de me afogar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Flamenco e tai chi chuan, tudo a ver

O que podem ter a ver a dança flamenca e a arte marcial interna tai chi chuan? Se uma é quente e vibrante, a outra parece fria e lenta. Uma acelera a pulsação, a outra acalma. Razão e emoção. Oriente e ocidente, yin e yang.
Nem tanto. Para começar, o flamenco nem é tão ocidental assim, ou só o é por uma questão geográfica, já que é filho de ciganos, árabes, judeus errantes. Flamenco e tai chi têm características marciais - uma no ritmo, a outra por sua própria origem em lutas chinesas. Ambas são telúricas, enraizadoras - por isso, os movimentos se dão de forma pouco verticalizada. Não se buscam as alturas, mas a base, o chão. Por isso as duas me atraem, e também por seu caráter democratizante, porque não é preciso ser uma sílfide para praticar nenhuma delas.
O equilíbrio é fundamental em ambas (alguém vai me dizer que é fundamental em qualquer expressão corporal, no que estará coberto de razão), bem como a percepção de si, a capacidade de dizer ao seu corpo, aos seus ombros, aos joelhos, como se comportar.
E o resultado é um corpo luminosamente belo. Não belo na acepção mercadológica da palavra, mas porque iluminado pela descoberta de si, de suas potencialidades, de sua inteireza. Integridade, todo o tempo. Belo, portanto, nesse (e com) sentido.
Claro que podemos criar essa consciência corporal em outras atividades. Quando fiz pilates, por exemplo, descobri uma musculatura desconhecida para mim, e ficava fascinada com movimentos que pareciam imperceptíveis terem tamanho efeito no dia seguinte, quando acordava lembrando que aqueles músculos existiam! Mas acho que o fato de o flamenco e o tai chi serem tão indissociáveis de suas respectivas culturas (ou crenças?), não se limitando ao desenvolvimento de uma atividade física, faz toda diferença.
Afinal, não posso simplesmente "decorar" os passos do flamenco - tenho que me investir da postura flamenca, de um certo empoderamento feminino, meio ancestral. Não posso só aprender as formas do tai chi - preciso entender que relação elas têm com minha força interna e com a natureza de que faço, de que fazemos parte. Volta a origens (além dos limites da cultura), olhar para dentro de si, buscar postura e força dentro de si - são alguns dos efeitos que ambas provocam. Como é difícil fazer movimentos lentos! Como é difícil assumir a força! Isso vai além da técnica; é preciso realizar mudanças internas para que o externo tenha algum efeito.
Mesmo quando nem todos as podem ver, elas, as mudanças estão ali, brilhantes, renovadoras, reveladoras.







Meus sapatitos chilenos de flamenco, já ficando surrados, que delícia!

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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