Mostrando postagens com marcador terapizando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador terapizando. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Como é bom arrumar gavetas!

É muito difícil não procrastinar tarefas chatas - isso é normal, humano. Eu é que vinha procrastinando muita coisa, do tipo atualizar o sistema do computador, separar roupas para doação... A atualização do Mac veio à força, porque já não estava conseguindo utilizar vários programas. Com as outras coisas a enfrentar, estou tendo de reprogramar a mente mesmo. Aquela história de contar só até 2 para começar a fazer algo.
Passei o final de semana arrumando coisinhas diversas - um gancho necessário aqui, etiquetar cabos ali, aproveitando para limpar a sapateira onde ficam guardados. Isso me fez lembrar do gaveteiro do banheiro, agora limpo e reorganizado - e assim vão para o lixo produtos vencidos e objetos quebrados. Diante da re-reclamação do marido da sua falta de espaço no cabide de roupas, arrumo outro lugar para as bolsas (e não ouço um piu a respeito). Por fim, separo mais roupas para doação, inclusive algumas que, por alguma razão obscura, acreditava que ainda usaria.
Arrumo mais gavetas, caixas, colares (que voltei a usar). Entre uma coisa e outra, coloco roupa e louça pra lavar, replanto as mudas de nim que ganhamos (e que agora já não sei se é uma boa ter, por talvez ameaçarem as árvores frutíferas vizinhas), e ainda faço dois pães rústicos diferentes.
O bom disso tudo é que, ao final, pensamos: por que demorei tanto a fazer isso? Afora a questão do bem-estar inegável após uma boa arrumação/reorganização, a pergunta irradia para todas as outras coisas procrastinadas. Hoje, por exemplo, a preguiça de editar o material de um autor difícil. Cerquei o texto, compartilhei os poréns com o chefe e mandei bala. Com certeza, encorajada pelas gavetas arrumadas no final de semana.
Como a lista de a-fazeres não tem fim, o melhor é adotar uma ação orgânica, fluida, constante. Assim evita-se a sensação de soterramento e de não saber por onde começar.

domingo, 1 de setembro de 2013

arteantídoto

É surpreendente como podemos deixar de fazer algo de que gostamos sem nem perceber. Ainda mais no que se refere à arte, cuja apreciação serve de antídoto a tanta coisa nefasta.
Foi o caso na última semana. Retomar a apreciação da arte para aliviar o peso na alma.
Por isso vi quase de um só gole os Mestres do Renascimento no CCBB e Lucien Freud no Masp.
A bela exposição dos renascentistas tem algumas obras surpreendentes, como a de Carlo Crivelli - a Madona com o Menino tem movimento e graça inovadores para a época -, além das cores esperadas mas sempre espantosas nas cenas pias com fundo mercantil (as costumeiras cidades e os portos ao fim da perspectiva). Vi um Parmegianino ao vivo, o que me tocou muito, mesmo não sendo uma obra claramente maneirista. E o que mais me chamou a atenção foi a perfeita conservação das obras - quase nada craqueladas, com cores vibrantes e brilhantes. O único porém, de novo, é a iluminação do CCBB que nem sempre favorece os quadros de grandes dimensões num espaço tão exíguo.
No caso de Lucien Freud, reafirmei minha admiração pelo artista alemão, neto do pai da psicanálise. Sobretudo pelas gravuras, que não conhecia. Que meticulosidade! De repente entendi o que me parecia uma deformação dos modelos com intenção crítica - na verdade, um olhar tão próximo que distorce ao mesmo tempo que revela, mesmo efeito de uma grande angular usada a grande distância. Um obstinado atento aos mínimos detalhes. Se alguns dos modelos se queixaram de terem envelhecido ou desbotado nas mãos de Lucien Freud, o fato é que outros parecem muito mais belos na sua essência trazida à tona.
Ter visto beleza quando a alma estava tão anestesiada que a mente não conseguia pensar em nada que não fosse DOR foi, decididamente, como voltar a respirar fundo e devagar de novo, depois de quase me afogar.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aprender a respirar

Tive uma experiência muito estranha na semana passada. Não sei ainda se estava sonhando, ou num estado de semivigília, mas no meio da noite despertei (acho) com a sensação clara de que tinha cinco corações, todos batendo descontroladamente. Achei que ia pifar, com aquele descompasso crescendo no peito de forma sufocante...
Aí percebi que não estava nem conseguindo respirar. Pensei (sonhei?) então que precisava respirar fundo para não sucumbir, precisava aquietar meus corações com uma respiração calma e pausada.
Funcionou. Respirei assim por uns minutos e adormeci.
Embora não tenha chegado a nenhuma conclusão, se estava acordada ou dormindo, esse episódio insólito me fez pensar na minha dificuldade em fazer essa coisa vital, desde sempre. Respiro pela boca quase o tempo todo, e preciso pensar para respirar pelo nariz, soltar pela boca etc. Por isso gosto de (tentar) nadar - vou aquietando a respiração de acordo com os movimentos, o som silenciador da água.
E foi respirar fundo que me salvou do pesadelo acordada. Aliás, cada vez mais vou percebendo como não respirar bem me atrapalha em quase tudo. Na hora de fazer uma atividade física, às vezes é preciso que o professor me lembre de usar a respiração - não basta saber encaixar o quadril. Dançando, fazendo tai chi. Fazendo tai chi, vi como meus movimentos eram apressados porque não acompanhavam a respiração compassada propícia à prática. Numa subida, quase coloco os bofes pra fora, embora seja capaz de caminhar quilômetros sem drama. Quando me meti a fazer um curso de mergulho (só aquela parte na piscina), usei apenas 30% de oxigênio do cilindro - o instrutor me olhou espantado: você não respira???
As poucas vezes que fiz yoga, e também no tai chi, ouvia do professor que a respiração ajudava a colocar em contato consigo mesmo. Pensando bem, também por isso acabei procurando a terapia - para aprender a respirar e assim mergulhar mais fundo, sem medo de me afogar.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

Arquivo do blog