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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Quando dá certo é tão legal!

Aquela história de "o que tem na geladeira ou no armário" é muito válida aqui em casa. Normalmente, uma coisa puxa outra, um ingrediente chama o outro, e logo temos coisinhas diferentes saindo do forno ou do processador. 
Comprei outro dia, na promoção, o tal leite condensado Tirol, que é do Sul. Como tinha comprado biscoitos cream cracker pra fazer nuggets caseiros, pensei: por que não fazer uma torta com massa de biscoito e creme com leite condensado? E podia ser de maçã, já que tinha recém-adquirido um pacote. Então, de uma feita, saíram torta de maçã com creme de confeiteiro e nuggets caseiros. Duas descobertas ótimas: o nugget é perfeito (abaixo, a receita) e o creme de confeiteiro com leite condensado, que eu nunca tinha feito, é muito mais firme que o tradicional (usei 250 mL de leite condensado, 1/2 xícara de leite integral, 1 gema, 2 colheres rasas de sopa de amido de milho e 1 colher de sobremesa de extrato de baunilha). Logo imaginei a torta com uva verde ou morango, delícia. 
Numa dessas pesquisas de geladeira, resolvi fazer creme de avelã com o que tinha à mão: avelãs, amendoim, leite de coco, 2 quadradinhos de chocolate 60% cacau derretidos e xilitol. Tudo de restinhos mesmo, pra acabar, liquidação. E ficou ótimo - o único senão é que, depois que vai para a geladeira, a consistência e o sabor mudam um pouco. Isso já tinha acontecido com o óleo de coco, que fica muito sólido na geladeira. 
Agora, os nuggets: estudei algumas receitas que encontrei, como a do Tastemade e a da Panelaterapia, e resolvi arriscar o nugget com frango processado com alho e cebola e depois empanado. Mudei, claro, algumas coisas. E o resultado foi fantástico - segundo marido, o melhor nugget que ele já comeu. 

Nuggets caseiros perfeitos (16 nuggets médios)
500 g de filé de peito de frango em pedaços pequenos
1/2 fatia de pão integral
2 dentes de alho sem casca
1/2 cebola sem casca
50 g de biscoito cream cracker integral
1 colher sopa cheia de flocos de milho (usei flocão, para cuscuz)
1 colher chá de páprica (usei a doce, porque a defumada tinha acabado)
pimenta-do-reino a gosto
sal a gosto

Processe o biscoito com os flocos de milho, a páprica, pimenta e sal. Reserve.
Processe o frango até obter uma pasta. Adicione o pão, o alho e a cebola e processe novamente, até ter uma consistência uniforme. Tempere com sal e pimenta. Modele pequenas bolas (o equivalente a uma colher de sopa de massa) e empane na farinha de biscoito e milho, achatando-as levemente. Você pode assá-las no forno, em uma forma untada, ou fritá-las por imersão, ou na fritadeira sem óleo, como eu fiz. 
Prepare um molhinho com quantidades iguais de maionese e ketchup e umas gotinhas de shoyu ou molho inglês. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Finalizações num ano sem fim

Embora 2020 pareça nunca terminar - e a depender da pandemia e da demora da vacinação no Brasil, vai adentrar boa parte de 2021 -, algumas coisas chegam à sua conclusão, que bom!
Este mês, vi meu enteado querido apresentar brilhantemente seu TCC do curso de Direito, imagine! O menino que conheço desde os 13 anos, que foi ganhando barba e refinando a inteligência e o caráter, arrasou na defesa de um tema ousado de forma "aguerrida" (e me lembrei de ter ouvido esse mesmo elogio à minha escrita no mestrado), que orgulho!
Também chegou por fim meu volume do livro Vkhutemas, desenho de uma revolução, organizado pelo Celso Lima e pela Neide Jallageas e de cujo financiamento coletivo participei - era para termos recebido o livro em março, mas daí a pandemia, já sabemos. Foi outro motivo de orgulho, ter participado de forma indireta desse projeto tão importante e bonito.
Por fim, embora ainda precise entregar meu TCC, produzi um videozinho para o curso de jornalismo - aprendi na marra a colocar legendas e áudio no iMovie.
Conseguir concluir qualquer coisa este ano já é de grande valor, é pura guerrilha.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Dia 218

Parecia que a chuva tinha ido embora, mas não. Chove desde sábado à la Guantanamera, o filme. 
Tudo indica que estou com intertrigo candidisíaco, uma micose nas axilas que deixa placas vermelhas na pele - foi Drauzio quem me contou. E tome Vodol por 2 a 3 semanas, na esperança de que sare, ou terei de descobrir um dermatologista por aqui. Ou tentar um fluconazol básico antes, persistindo na automedicação pra não contrair um vírus por aí. 
Cabelos seguem entre Juma Marruá sem coiffure e Janis pós-Arembepe, e agora deram pra formar nós na nuca. Os produtos caríssimos da L'Oréal que comprei - talvez eu não saiba usar - ainda não fizeram seus milagres. 
Além dos cabelos desgrenhados e da coceira infinita nas axilas, a escrita do TCC continua empacada - mas não as ideias sobre feminismo, racismo, justiça social. Ao menos isso vai contribuindo para aclarar as sombras da alma, ajudando inclusive na terapia retomada. 
Sigo nos trabalhos produtivo e reprodutivo enquanto for necessário, tentando retomar meu pragmatismo de fazer do momento um terreno minimamente estável para mudanças, quando estas forem possíveis. Tento ser budista ao cozinhar e lavar louça.
Entre as notícias ruins no mundo e especialmente no Brasil, vem uma luzinha de esperança com a eleição boliviana. Nem é aqui, mas que alívio dá ver que nem todo o mundo está perdido. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Nem tudo dá pra fazer em casa - farinha de arroz

Antes de mais nada, só queria afirmar que continuo gostando de glúten, fazendo pão e bolo com farinha de trigo e tal. Mas meu marido às vezes diz que o trigo não cai bem, especialmente quando ele resolve fazer a dieta low carb do Phil Maffetone. Muitos estudos apontam, de fato, o trigo como um dos alimentos mais inflamatórios, como o leite. Eu até diminuí o uso ao longo da semana, mais por Guga do que por mim. 
Como por estes dias ele está justamente fazendo a dieta MAF de duas semanas - que restringe muito os carboidratos e grãos - pensei em pelo menos trocar o trigo da torta de atum, mesmo sendo pequena a quantidade. Fiquei entre preparar uma massa de grão de bico ou usar farinha de arroz.
Daí li que dava pra fazer farinha de arroz em casa, só processando arroz cru. Cara, não dá. Meu processador é super potente, e mesmo assim só levantava uma poeirinha do arroz, que, no máximo, teve os grãos reduzidos à metade. Tentei por muito tempo, tomando cuidado pra de vez em quando deixar esfriar o processador, que também começou a reclamar. Ainda tentei no dia seguinte, e desisti. Quem disse que era possível fazer em casa certamente nunca fez. 
Fui ao supermercado e me espantei ao ver que o preço do pacote de 1 kg de farinha de arroz nem era tão mais alto que o de farinha de trigo - que aumentou muito, talvez até pela demanda dos padeiros pandêmicos. Comprei, e usei na minha infalível torta de atum - que nem é minha, mas "da Valzinha", segundo o site Tudo Gostoso. 
A massa ficou macia dentro e bem crocante fora, um pouco menos neutra que se usasse farinha de trigo, mas não atrapalhou em nada a deliciosidade. Talvez não use em pães e bolos, mas para tortas funciona perfeitamente - além de pratos orientais, nos quais já estou de olho. 

domingo, 2 de agosto de 2020

Ragu de shitake, chutney de cebola roxa e castanhas + purê de batata-doce

Eu estava a fim de uma pizzinha, até porque já tinha pepperoni e queijo na geladeira. Mas o marido torceu o nariz, falou em "estar na lama" (= comer carboidratos), e broxei. Claramente ele preferia comer frango. Entrei logo no modo "angústia": que tipo de frango eu poderia fazer que não me matasse de tédio e que não tivesse um preparo superdemorado?
Já não sei como cheguei à ideia de criar um ragu com o shitake seco que comprei faz algum tempo. Pesquisei e vi que há várias receitas de ragu de cogumelos. Logo me lembrei do chutney de cebola roxa que também fiz há algum tempo. E se juntasse tudo? E se, no lugar da polenta, usasse batata-doce? Assim, qualquer frango ficaria bom! 
Achei uma receita de frango no papillote, da Rita Lobo. Nada de mais, mas a ideia de temperar os filés com páprica, gengibre em pó, sal e pimenta me pareceu combinar com o ragu de shitake, numa pegada um pouquinho oriental. Ainda adicionei umas gotinhas de limão; quando o frango estava bem cozido, ainda dourei um pouquinho em manteiga e azeite com mais uma pitada de sal. 
Realmente, as combinações todas ficaram ótimas. Ainda ajuntei castanhas de caju na última hora ao ragu, que levou shitake, um dente de alho picadinho, chutney de cebola roxa e sal. E ficou bonitão, para ajudar. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Gratin de alho poró, abobrinha, cenoura e beterraba

Mesma ideia do gratin de alho poró com peito de peru e bacon, mas aproveitando o que tinha na geladeira. Uma aposta na cor e na nutrição, ficou uma delícia!

terça-feira, 28 de julho de 2020

Um só dia na quarentena

De madrugada, sinto um calor sufocante, acordo encharcada de suor, acho que estou com febre, tenho medo de ter sido infectada pelo coronavírus. Custo a dormir de novo, perco a hora do pilates, acordo com dor de cabeça. Por WhatsApp, combino com a professora repor a aula mais tarde, mas aguardo uma confirmação do chefe sobre uma reunião pedida pelo birô; no final, a professora também não me envia o link, também não insisto, não faço a aula. Cochilo mais de uma vez ao longo do dia, sinto bastante as pernas, provavelmente pelo esforço do pedal de ontem, com vento na cara e sensação de não chegar nunca mais a lugar nenhum, como me sinto no meio desta pandemia. Mais um dia em que quase não trabalho, só fico ocupada com almoço e jantar (faço moqueca e escondidinho de couve-flor e frango, que sofisticação, que versatilidade, que delícia), com colocar roupas para lavar, tirar do varal as que secaram. Nem rego as pimenteiras, nem a árvore da felicidade moribunda que o gato resolveu agora adotar como pufe. Descubro que posso usar o verso do papel de aquarela. Participo por videoconferência da reunião mais curta de todos os tempos, fico aguardando para assistir uma aula ao vivo de história da arte levando em conta a representação do negro, continuo ouvindo a aula pelos fones enquanto vou preparar o famigerado escondidinho. Volto ao computador para assistir ao final da aula, depois do jantar, não tenho nenhuma vontade de ver as notícias na TV (embora espie pela internet). Coloco a louça na máquina, lavo o restante já que encerrei a ajuda simbólica do marido. Aproveito para lavar lençóis. O dente trincado lateja. Atualizo as agendas com tudo o que não consegui fazer e também com o que virá, como a "não faxina" de sexta (definições de faxina atualizadas na última semana). Não fui ao supermercado hoje, o suposto dia "bom" para feira, então amanhã só devo encontrar verduras e frutas mais murchas e menos variadas. Penso que devo voltar a estudar história, história da arte, a ler literatura sistematicamente, a praticar pintura, desenho e bordado. Mas o que faço é assistir ao curso de design instrucional, porque o futuro. Vejo a foto de uma cozinha pequena, reformada pelo dono, exatamente do jeito que imagino a minha, e logo desanimo. Fico triste com a morte súbita do meu monitor cardíaco, que resolveu virar lixo eletrônico. Acho sinceramente que preciso de um batom cor de boca no tom da minha pele - descobri há pouco uma marca nacional que tem várias opções para negras e asiáticas, além das brancas. Desafiada por uma amiga, faço uma selfie, toda sem jeito, em PB - e gosto do que vejo. Apesar de tudo. Amanhã, amanhã.

Tilt

Pois é, no domingo deu tilt na cozinha. Em tudo que me meti a fazer rolou algum tipo de branco - quantidade imprecisa dos ingredientes no bolo, água demais no pão, excesso de farinha na massa de panqueca. Por sorte, não acabou sobrando pro almoço, já que aos domingos mangiamos na casa de minha sogra. 
Às vezes, acontece algo assim no trabalho, ou nos estudos. Mas dessa vez foi a regra geral na cozinha. Por sorte, o bolo ficou gostoso (mas tive de fazer mais ontem, para atender pedidos, já que abri um para experimentar); o pão cresceu muito e deve ter ficado bom.
O mais louco foi que eu estava tentando prestar atenção a tudo que estava fazendo, com esforço, repassando mais de uma vez as receitas, e mesmo assim houve as falhas. Não me lembro da falha no bolo, mas percebi na hora em que derramei a água sobre a farinha para fazer pão que tinha acabado que colocar o dobro do necessário.
Não sei se uma técnica de atenção plena ajudaria quando o tilt foi provocado por cansaço extremo. A ver. Já salvei umas dicas no Spotify, mas ainda não consegui ouvir.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Plantas, pincéis e paciência

Afinal a empresa onde trabalhamos entrou no programa de ajuda do governo federal, que promete arcar com 70% do gasto com folha de pagamento durante três meses. Ora, em se tratando do governo do Bozo, nunca se sabe. Esperamos que dê tudo certo, mas resolvemos apertar um pouco mais os cintos por enquanto. Era isso, ou ficar sem nada - e mesmo com essa mudança não sabemos muito mais do futuro que os próximos três meses, ainda assim com esse aspecto de incerteza próprio do bolsonarismo vigente. Então só nos resta ter paciência.
Aliás, paciência tem sido a qualidade/virtude mais requisitada nestes tempos de pandemia e quarentena. Tudo o que fazemos é esperar. E esperar não é fácil, exige um certo treino, um certo estado mental que nem sempre temos à mão, por assim dizer. Sobretudo quando não sabemos o que esperar, caso do período que vivemos. O futuro nos foi roubado, não sabemos por quanto tempo. As possibilidades nos foram roubadas, não sabemos por quanto tempo. Fica difícil fazer planos, sonhar. Para sobreviver, para resistir ao vento sem quebrar, acaba sendo necessário ser mais nietzschiano ou mais zen. Com tanta tragédia no mundo, prefiro tentar ser zen.
Acredito que algumas práticas ajudam a traçar um caminho mais zen quando você não necessariamente é um estudioso do caminho. No dia a dia, o contato com a terra e as práticas manuais e artísticas me parecem boas opções para se chegar a esse estado de maior aceitação do que não pode ser mudado sem necessariamente ficar passivo diante do que não deve ser aceito. 
Já vinha ensaiando uma das minhas inúmeras voltas à hortinha - Guga ri cada vez que digo que vou retomar os cuidados com as plantas, acha que não levo nenhum jeito. Mas minha sogra acredita no que digo, além de compreender que faço muita coisa, e sempre me oferece mudinhas de plantas bonitas que ela tem e que tem aproveitado para colocar em ordem, neste período de quarentena. Dela foi que ganhei a muda de árvore da felicidade e as filhotas de babosa, que já acomodei em vasos. Aproveitei para limpar o espaço das mudas de temperos, e espero pelo menos ter manjericão fresco - vi que o alecrim, mesmo ressecado, continuou se expandindo no vaso, algo incrível, e que a alfazema, mesmo seca, ainda exalava perfume. 
Resolvi dar de presente ao marido um curso on-line de desenho, depois de ter visto seu interesse por uma propaganda no FB, e acabei me inscrevendo também em um de sumiê para ilustração, da mesma plataforma argentina, Domestika. Parece bom, e me fez lembrar das aulas com Susan Hirata, há 7 anos. Até tentei retomar a prática há algum tempo, mas não consegui relembrar os gestos e pinceladas de modo satisfatório. Mas só organizar o material já nos faz entrar em modo zen. 
Acaba de me ocorrer que o modo zen é mesmo o modo do fazer. Logo que começou a quarentena, totalmente desconcentrada para ler ou trabalhar, fui buscar coisas práticas, que me faziam imediatamente entrar na meditação, no deixar os pensamentos passarem, sem me prender a eles, porque estava cozinhando, ou bordando, ou pintando, ou organizando coisas. O caminho se faz ao andar, o zen se faz ao fazer. 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Mundo pão


Tenho feito pão uma vez por semana, normalmente de levain. Faço um de cerca de 400 g; o marido pouco come, eu como dia sim, dia não, e o que sobra vira rabanada, farinha de rosca, panzanella, croûtons, tartine, torrada, ou seja, aproveitamento total. Só não fiz pudim.
A última belezura, depois de vários italianos, foi o de nozes e damasco. Ainda por cima, por conta da fermentação longa, rolou esse lilás na massa, maciíssima e deliciosa. 

sábado, 23 de maio de 2020

Frango à parmegiana com farinha de rosca autoral

Tinha umas fatias do pão italiano na geladeira. O marido comentou que eu "podia, qualquer dia" fazer uma parmegiana, que ele adora. 
Peguei as dicas da Rita Lobo, acrescentei páprica ao ovo batido, processei as fatias de pão depois de aquecer os pedaços na frigideira e logo tínhamos uma parmegiana bem crispy, uma delícia. Não ficou linda como aquelas de boteco, mas o sabor foi bem além. 

terça-feira, 19 de maio de 2020

Biscoitos de castanha-do-Pará e raspas de laranja

Não me lembro que receita me fez querer comprar castanha-do-pará. Entre fazer a compra e a chegada dos produtos da Casa de Saron, me esqueci o que era. Mas acabei pensando em fazer uns biscoitinhos de castanha-do-pará e raspas de laranja.
Encontrei uma receita da Helena Gasparetto que me pareceu bem boa; só acrescentei as raspas de laranja, enrolei a massa como uma salame e deixei no congelador antes de cortar para assar. Uma primeira leva, cortada mais fina, ficou quase sem sabor de castanhas; a segunda, mais gordinha, ficou mais saborosa e macia. 
Não sei se valeu o preço que paguei pelas castanhas, mas para começar está ótimo.

sábado, 25 de abril de 2020

Hamburgão com receita nova de pão australiano

Ei-lo! No tamanho certo pro hambúrguer de 200 g que uma amiga do pilates me apresentou.
Da próxima vez, vou usar só farinha branca, para ele ficar ainda mais leve, porque uma delícia ele já está.

sábado, 18 de abril de 2020

Lasanha (quase) sem queijo e bolo inglês no uísque

Guga tem experimentado uns sintomas de intolerância à lactose. Pediu para eu fazer lasanha de berinjela, sem lembrar do queijo que vai entre as camadas. Resolvi não colocar queijo sobre o molho à bolonhesa das camadas, mas só um pouco por cima de tudo. Ficou bom, embora eu prefira o equilíbrio de sabores trazido pelo queijo.
Também fiz umas mudanças na receita de bolo inglês. Ou melhor, acho que entendi melhor a receita da Carol Fiorentino - antes eu marinava as frutas e descartava o líquido, no caso, suco de laranja. Desta vez, usei uísque - a receita tradicional pede uísque ou rum - para marinar frutas cristalizadas e passas e verti o líquido na massa também. Acabei fazendo dois bolos, para testar em um deles o banho de uísque várias vezes antes de consumir - na gringa, era costume banhar semanalmente por um mês e conservar em uma lata fechada até o consumo, lembrando que era um bolo natalino, então era inverno por lá. Vou borrifar uísque de dois em dois dias por uma ou duas semanas e conservar o bolo na geladeira, embalado em papel manteiga dentro de um saco plástico. O que comemos ontem ficou maravilhoso; vamos ver o "tradicional" daqui a alguns dias. 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Projetos do hoje e após

Como será o amanhã, responda quem puder, já cantava Simone nos anos 1980. Não temos a menor ideia, e por ora nem os cientistas podem responder. Essa quarentena pode durar meses, e temos mesmo que recriar a rotina para sobreviver.
Pessoalmente, demorei para começar a criar um outro cotidiano. Estava fazendo bastante atividade física, e de repente passei a fazer 25% do que fazia. O trabalho, por sua vez, não teve tanta mudança (embora tenha rolado uma tensão inicial quanto ao futuro). A rotina de casa, sim - muita louça, cozinhar várias vezes, fazer faxina, além de incorporar os novos hábitos de desinfecção a cada saída/volta.
Logo que começou a quarentena, a galera passou a divulgar no Facebook mil links de livros, cursos e visitas virtuais a museus. No início, dá aquela vontade de fazer várias coisas, até a gente se lembrar de que realmente "quarentena não é férias", como nos lembra o alto-falante do mototáxi contratado pela prefeitura. Vem a procrastinação diante do trabalho e da atividade física, agora feita em casa, pois é uma dificuldade buscar novas formas de viver e encampá-las de fato. 
Bueno, mas acabou que tenho feito alguns cursos, além da pós em história da alimentação. Fiz um da Faber-Castell de aquarela, básico, mas ótimo para alguém como eu, que não manja de aquarela e só se mete a. Estou fazendo um do Senac (que está oferecendo vários cursos gratuitos durante a quarentena) de congelamento de alimentos, com outro engatilhado de aproveitamento total de alimentos. E me inscrevi ontem em um da Embrapa, de hortas em pequenos espaços. Tudo isso porque acho que pode rolar uma escassez de alimentos e este é o momento perfeito para termos uma atitude ecológica diante da vida, sair do mero discurso e ir para a ação mesmo. Também me inscrevi em um canal de yoga e hoje comecei um treino do Darebee, site de treinos já usado por Guga - porque não vou esperar chegar o fim da quarentena enquanto reencontro os quilos eliminados, né? Mas demorei para introjetar a ideia, pois faz mais de um mês que resolvemos nos entocar. Assisti também a alguns tutoriais para fazer nossas máscaras de TNT e tecido. 
O resultado dessas escolhas no presente contexto é que, embora não saiba até onde isso vai e se vamos sobreviver, me imagino virando uma especialista em alimentos fermentados, congelados, costuras talvez. Já sonho com comprar uma máquina de costura (que fez uma falta enorme na hora de produzir as máscaras!) num contexto pós-apocalíptico, o que parece algo non sense. Talvez morar em outro país, porque aqui ainda não nos recuperamos do choque da eleição de uma figura tão malévola (perdão à Malévola disneyana). Enfim, ter uma horta, fazer pão. Talvez nada tão diferente do que temos hoje, mas com muito mais gana e sabor e verdade. 

terça-feira, 7 de abril de 2020

Comedenhas quarentenais

O queijo minas padrão Tina rendeu aligot, suflê, omelete e pão de queijo. Só não entrou no nhoque delícia de batata-doce al pesto de salsinha. 
Só assim para não enjoar do frango com salada (especialmente do tomate!).

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Da importância de fazer diferente e às vezes fazer o mesmo

Mesmo reduzindo os carboidratos, especialmente açúcar, pães e massas, temos comido bem, na verdade melhor que antes. Agora esses itens entram de vez em quando no cardápio - e parecem muito mais gostosos, pelo menos para mim!
Como a base da alimentação diária tem sido proteína, salada e legumes, é fácil enjoar. Tem dias que enjoo só de olhar pro tomate, sério. Então só me resta variar de alguma forma o preparo, aquecendo o tomate, utilizando o pão italiano para uma panzanella, empanando o frango com parmesão, utilizando o pesto em diferentes pratos, como nhoque de batata-doce e macarrão de abobrinha, fazendo um chutney rápido de maçã para cobrir a carne suína e chips de batata-doce para acompanhar o estrogonofe. 
E às vezes só quero comer uma coisa de que gosto muito, como um pão de fermentação lenta ou um sorvete preparado por mim, com creme de avelã e creme de leite. Não precisa ser toda hora, não precisa ser todo dia, mas de vez em quando só precisa ser. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Après le bal: a vida após os 40

Li hoje um texto do Carpinejar sobre a chegada aos 40, o quão libertadora ela é, quais são os sinais de que alguém chegou lá e que tais. Achei bem bonito, como tudo o que ele escreve. Me reconheço, e também a muitos amigos, na história de preferir receber pessoas em casa a sair para a balada, a se especializar em cerveja artesanal ou pães, a preferir a própria companhia, entre outras coisas bacanas que o texto elenca.
Lembro-me de ter falado aqui sobre a próxima chegada dos 40. Eu me sentia muito vivaz, forte, pronta pra tudo. Depois dos 40 - e agora já estou bem perto dos 50 -, muita coisa mudou. Ficou mais fácil engordar, comecei a ter que me preocupar e a gastar mais com saúde, resolvi compartilhar a vida com outra pessoa (há quase 10 anos), um dia descobri rugas no pescoço, por questões econômicas não saí simplesmente de um trabalho que já não me satisfazia. Em tese, tudo ficou menos "leve".
Por outro lado, tudo aquilo que o Carpinejar descreve de bom tem a ver, lá no fundo, com o foda-se. Eu já não me importava muito com o que os outros achavam, agora me importo zero por cento - a idade refina essa capacidade. Por isso, prefiro um grupo menor de amigos (ajudada pelo fato de que aqui são poucos mesmo), prefiro fazer minha própria comida, ser ecológica apesar da inutilidade das ações no nível micro e muito mais por ética, escolho roupas e utensílios pela qualidade e longevidade. Apesar do peso das novas responsabilidades, sinto que as escolhas são completamente minhas, que sou capaz de tantas coisas hoje, que cheguei tão longe, com ajuda de muitas pessoas e pela minha recusa em ficar parada. Aprendi a bordar, pedalo sozinha na estrada, sou hoje uma versão mais segura e muito melhor de mim mesma, realmente adoro minha companhia.
Parece que vou envelhecer bem.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Dos usos do leite de coco: berinjela gratinada com molho branco

Achei uma receita boa no blog Chef Funcional, da Taise Spolti, de berinjela gratinada com molho bechamel. Como Guga está evitando tanto leite quanto farinha de trigo, pensei em usar leite de coco e amido de milho (Maizena) para preparar o molho. E não é que ficou muito, muito bom? Usei cerca de 250 mL de leite de coco, 1 colher de sopa (cheia) de manteiga, 1 colher de sopa (cheia) de amido de milho, noz-moscada ralada na hora, sal e queijo parmesão ralado para gratinar. Combinou divinamente com a berinjela, que refoguei antes, para ganhar tempo no preparo.

Emancipação

Eu tomei hormônios por 30 anos. Trinta anos! Mais da metade da minha vida. Foi o tratamento indicado por ginecologistas - curiosamente, homens - para amenizar os sintomas da SOP (Síndrome do Ovário Policístico). Somente agora, com UMA ginecologista, foi aventada a hipótese de eu interromper esse tratamento e procurar amenizar os sintomas investindo na qualidade de vida. Ainda estou um pouco longe da menopausa, então seria necessário pensar em algum outro método contraceptivo.
Fiquei pensando em qual a razão para pouco se falar no DIU de cobre, se ele é um dos métodos mais próximos do natural que existem. Claro que podemos pensar na influência esmagadora da indústria farmacêutica, que trata um problema, cria vários outros e então oferece mais medicamentos para tratar os novos problemas de saúde. Mas não deixa de ser chocante que os próprios médicos não considerem esses fatores no atendimento às mulheres.
Verdade seja dita, enquanto tomei o Diane 35 (e foram mais de vinte anos), não sentia desânimo, nem cólicas. Comecei a engordar mais perto dos 40 anos, então não posso reputar toda culpa a ele. Quando, porém, pelo risco de trombose, substituí o medicamento por outro, o Cerazette, engordei, desanimei, tive cólicas homéricas, de me dobrar ao meio, o ciclo menstrual ficou totalmente desregulado. Como um medicamento assim poderia ser benéfico? Só então comecei a pensar em alternativas para o tratamento da SOP e também para a contracepção.
Eu mesma só tenho conhecimento de UMA amiga que utiliza o DIU. Foi ela quem mais me animou a fazer uso do dispositivo. Entre o de cobre e o chamado Mirena, obviamente escolhi o primeiro, sobretudo porque tudo o que menos queria era continuar usando hormônio, mas também porque o segundo é muito mais caro (com o custo da aplicação, o valor seria três vezes maior que o de cobre).
Fui, fiz. Quase morri de cólica no momento da aplicação e nas horas seguintes. Mas depois fui tomada por uma sensação de liberdade tão grande - por ter tomado essa decisão, por estar há alguns meses sem usar medicamentos hormonais, por me sentir voltando a ser eu mesma! Apesar de outros problemas de saúde recentes - cisto na mama, nódulo na tireoide, microcisto ovariano, esteatose hepática -, me sinto mais disposta, comecei a emagrecer (claro que também por conta das mudanças na alimentação e na atividade física, mas o maior ânimo é que possibilita essas mudanças), sinto vontade de escrever, estudar (e o Universo vem com ajudinha extra de colocar pessoas interessantes no caminho).
O que é um pouco assustador nesse processo é como não nos damos conta de que os problemas de saúde, quando são crônicos mas não têm consequências tão graves, interferem enormemente em todos os setores da vida. De repente, sem hormônios sintéticos, me sinto emancipada. Como se eu tivesse dormido em uma cápsula por anos, e de repente acordasse. Liberta, emancipada.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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