quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Meninos, eu vi - "Os homens que não amavam as mulheres"

Não li a trilogia Millenium de Stieg Larsson, mas, diante do entusiasmo do namorido, fiquei bem curiosa com o trailer de Os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher (e o diretor já seria um bom atrativo, mesmo que ele "só" tivesse feito Seven). E lá fomos nós para nosso programa carnavalesco - afinal, feriado não é só trabalhar e encher a barriguinha com experimentações gastronômicas, certo? ;)
Embora Guga já tivesse me explicado a urdidura mais lenta da trama escandinava, o filme é eletrizante. O espectador fica tenso ao tentar acompanhar as alternadas descobertas que podem explicar um crime ocorrido há 40 anos, só a ponta do iceberg de uma série de assassinatos. A trama, ainda por cima, foge da do serial killer americano (pelo menos o de hoje), que precisa explicar "por que fulano resolveu matar um grupo de pessoas", suas motivações psicológicas, pai ou mãe ausente etc. Um pouco como Mersault, de Camus, o assassino criado por Larsson (mesmo que tenha suas motivações) simplesmente faz aquilo. Sua causa primeira é "fazer". Estraguei a surpresa? Não, podem crer que há muito mais para ser visto.
Além disso, Rooney Mara (A rede social, do mesmo Fincher, e outros pequenos papéis anteriores) explica, com sua performance, por que foi indicada ao Oscar de melhor atriz.
A única coisa que não recomendo é assistir ao filme no Pátio Higienópolis, sempre confuso (mesmo eu tendo comprado os ingressos pela internet, com uma suposta promessa de que era só apresentar meu cartão de crédito na entrada para evitar a fila - o que não aconteceu), lotado e equipado com poltronas para pessoas de 1,60 m de altura (para minha sorte, mas não para a de Guga).

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vale a pena: "Guerra" e "Paz", de Portinari, no Memorial da América Latina

Fazia um tempão que eu não ia ao Memorial da América Latina. Fomos hoje por um ótimo motivo: ver os painéis Guerra e Paz, pintados por Portinari na década de 1950, oferecidos pelo pintor à ONU.
Somente depois de atestar o crescimento dos prédios ao redor do espaço (outrora) aberto projetado por Niemeyer (e que é tão subaproveitado) e de palmilhar uma vez mais a cordilheira dos Andes na maquete de Gepp e Maia, entramos na fila de meia hora para ver os murais.
E valeu muito a pena. Depois de cerca de 15 minutos admirando os dois murais de 14 x 10 metros (que mereciam, é justo dizer, uma sala mais ampla), assistimos a uma projeção dos esboços que resultaram nas obras, com a iluminação simultânea das cenas nos painéis e a envolvente cantiga de roda que evocava a paz. Parece piegas, mas foi emocionante. Além disso, em um prédio vizinho, os estudos para a obra, em crayon, lápis e pastel, podem ser ainda mais dramáticos do que as grandes imagens. Recomendo tudo. A exposição vai até 21 de abril, de terça a domingo, das 9h às 18h. E, sem mais que dizer, deixo registros de uma tarde especial.




Lá no alto, São Paulo e Rio na maquete onde-está-Wally de Gepp e Maia;
fila para ver os murais de Portinari; texturas; recortes dos murais. O Memorial da América Latina, tão subaproveitada arquitetura de Niemeyer.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Julie & Julia & Me

O filme é de 2009, e, só pra variar, eu ainda não tinha visto. E, como acontece várias vezes nas minhas descobertas tardias, fiquei encantada: Julie e Julia, de Nora Ephron (a mesma do fofo Mensagem para você), é de aquecer o coração - e o estômago.
OK, nenhuma novidade: ao lado dos documentários, filmes sobre Segunda Guerra, franquismo, serial killers, de suspense, adoro filmes fofos e com temáticas gastronômicas. Neste último caso, integram minha lista best of o memorável A festa de Babette, a divertida animação Ratatouille, Chocolat e o ótimo exemplar de humor negro Estômago. E quem não embarcou em Tomates verdes fritos ou foi completamente seduzido em Como água para chocolate? Por extensão, que delícia são os filmes que falam de vinhos (e de uma boa comida que os acompanha, sempre), como Sideways, Um bom ano e Bottle shock. E outros tantos títulos que ainda não vi, mas que certamente já entraram para a bibliografia enogastronômica.
Mas voltemos a Julie e Julia. Não sei se já comentei, mas demorei muito a aprender a cozinhar. Não precisava, pois minha avó o fazia para nós, e a partir do colégio mal parava em casa, comendo muita junk food por aí. Quando, portanto, fui morar sozinha, as únicas coisas que sabia fazer eram café e ovo frito (ou mexido, ou cozido, variações do tema). Claro que isso me distancia das duas protagonistas do filme, pois tinham já uma noção culinária antes de incrementar seu saber; mas o gosto pela culinária, como gourmand, eu sempre tive - e isso já nos torna um trio inseparável!
Como Julia Child, fui fazer um curso de culinária. Não um cordon bleu, obviamente, mas um gratuito para iniciantes, na antiga Casa Gourmet da Bela Cintra. Chamava-se "Gastronomia para quem mora sozinho". E do arroz e macarrão básicos desse primeiro curso, passei para os pães (o primeiro que fiz me emocionou até as lágrimas), crepes, culinária árabe, ceia de Natal e sushi & sashimi. Minha mãe sacou meu interesse (e minhas necessidades de moradora solo) e me deu o ancestral Dona Benta que tinha em casa desde que éramos pequerruchos.
Fui comprando algumas revistas, um ou outro livro de receitas, mas minha maior fonte são mesmo os blogs e sites dos amantes da culinária, que sempre cito aqui, como origem das receitas que vou transformando, com outras dosagens e ingredientes. Aliás, num desses, o Mixirica, achei traduzida a receita do boeuf bourguignon (vedete do filme) que ainda não fiz. Os utensílios - como a tal panela que também deve ir ao forno -, vou adquirindo conforme a receita e a necessidade.
Quanto a Julie Powell, como me identifiquei com ela! Bom, eu e a torcida com veleidades gastronômicas do Corinthians, certo? De qualquer forma, além de ela ter um blog, como compreendo quando ela diz que cozinhar é um momento em que sabemos que as coisas (normalmente) darão certo, mesmo que tudo lá fora (trabalho, relacionamento, caos urbano) ateste o contrário. Num certo sentido, é quando acreditamos no poder do nosso condão enquanto ninguém mais acredita - e o risoto com sabores que nos transportam a outro lugar (um refúgio do que está errado aqui e agora) é a prova indelével desse poder. Onde nosso instinto falha nas relações humanas, ele funciona lindamente na hora de misturar ervas e temperos, de achar a justa medida.
Olhando para o espelho e para Julie e Julia, confirmo que a escolha é nossa: o insosso de uma vida em que um dia dá lugar ao outro, como uma sequência de bandejas no restaurante universitário, ou o maravilhar-se constantemente com novos cheiros e sabores, criados por nós.
Ah, sim: como J&J, também tenho um provador oficial de receitas... <3

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Gourmandise X - Festive Strudel ou domando a massa fillo

Gente, eu consegui!
Fiz o strudel que o Jamie Oliver apresentou em seu programa de Natal, com recheio de panetone, pera, maçã e um fio de chocolate meio amargo. Hummm, fica muito bom, e não é enjoativo como se pode supor à primeira menção (vejam a receita em http://www.jamieoliver.com/recipes/fruit-recipes/festive-strudel).
O mais difícil para esta cozinheira sazonal foi tentar separar as folhas de massa fillo da Arosa. Isso mesmo, só tentei; deve haver uma temperatura certa pra fazer isso, após o descongelamento. Mesmo seguindo as instruções, dei início à destruição das folhas assim que comecei a separá-las. Por que elas não vêm separadas por plástico filme? Meu Deus, por quê? :0
Então, meu lado ariano falou mais alto, resolvi ir pro abraço, coloquei as folhas de duas em duas mesmo, e deu tudo certo. Atestem pela fotinho (do meu strudel, não do do Jamie, of course).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Yo tengo tantos hermanos...

...pero los puedo contar!
Dos oito, porém, adianto que as meninas estão sempre mais disponíveis (qual a novidade, se são mulheres?) para os encontros familiares. Sorte delas - e do meu cunhado e de Guga -, que provaram um bom peru recheado, o clássico arroz com amêndoas, caponata e maionese (estas eram receitas da sogra, aprovadíssimas por todos). Ainda deu tempo de fazer um creme de cupuaçu para driblar o calor.
Como é bom compartilhar histórias com quem tem tanto em comum com a gente! Alegrias, algumas dores a cicatrizar, muitos sonhos e carinhas parecidas - as fotos não me deixam mentir. E já me enchem de saudade.

Liloca, Sayurica, Yumica, Mariezica e yo.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Comentário expresso IV

Uma nova modalidade de aconselhador: urubu de pirata! Luxo (ou lixo?)!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Meninos, eu vi - "A pele que habito"

Embora este post seja para falar do filme, contraditoriamente não posso falar muito do filme em si, ou estragarei toda a surpresa. Só tenho a pedir: por favor, vão ver a nova produção de Almodóvar!
Certamente haverá quem não goste, que ache furos de produção (mas mais raramente de roteiro); todos que o assistirem, porém, terão oportunidade de ver como Pedrito é capaz de se reinventar. Tomando de empréstimo o título, de "trocar de pele" com a maior facilidade. E isso sem perder sua essência algo kitsch, ingênua e apaixonada. Com simulacros a descoberto, referências diversas e, mesmo assim, identidade própria.
No exemplo da relação do cineasta com sua obra, enxergo essa lição: como manter a integridade adaptando-nos a novas situações. Ser flexível, e não venal. Mudar, sendo nós mesmos. Encontrar, em cada momento da vida, a pele que nos cabe.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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