terça-feira, 19 de junho de 2018

Primeiro dia de férias parte 2

Tirei mais quinze dias de férias. Não, não devo viajar. De novo, vou ficar por aqui, cuidando de coisas de casa, gastando com cachorro e coisas de casa, cozinhando, lavando roupa e louça. Com sorte, vou retomar minha horta e vou conseguir me exercitar entre um temporal e outro, além de ler, estudar, organizar meu bullet journal e talvez bordar um pouco. (Pronto, já reclamei, porque um pouco também é importante, para manter a sanidade em época de chuva a qualquer momento.) 
Claro que de todo o trabalho não remunerado o (único) que me agrada é cozinhar. Porque cozinhar tem seu quinhão de criatividade, além de ser mesmo uma capacidade mágica, processar seu próprio alimento do jeito que quiser. Isso me alegra montão: saber que posso fazer quase qualquer coisa, desde que tenha os ingredientes necessários e não necessite de artefatos estapafúrdios. 
Outro dia, porém, inventei de fazer um bolo que levava chocolate e coco, e queria justamente usar o coco fresco que comprei na feira de orgânicos em Salvador. A foto era completamente enganosa, de um banco de dados, e não condizia com a receita. Mas eu quis acreditar que uma correspondia à outra. E me dei mal: o bolo ficou com gosto de farinha, a mousse de coco não firmou (tudo bem que eu não tinha creme de leite fresco e tentei de novo usar leite de coco de caixinha). Nem provei, joguei fora. 
Para redimir meu espírito da frustração, resolvi fazer outro bolo, simples, de iogurte e farinha de amêndoas, que achei no site Eu Como Sim, que costuma ter receitas bem honestas. Sucesso absoluto: bolo úmido mas fofinho, com uma leve crocância das amêndoas em contraste com as raspas de limão e a glaçagem da geleia de morango. Acabou rapidamente, claro.
Isso foi no mesmo dia - o primeiro das férias parte 2 - em que fiz estrogonofe para aproveitar a batata palha que compramos para o cachorro-quente, sopa de abóbora cabotiá da feira orgânica com o camembert que estava na geladeira e pão de inhame também da feira da Reforma Agrária. Ou seja, passei na cozinha metade do tempo em que estive acordada. Mas foi gratificante, porque tudo ficou bom, e o espírito também se alimenta desse prazer. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Um passeio pela feira da Reforma Agrária

Amo uma feira, já devo ter dito aqui. Feiras e mercadões, pra ser mais precisa. Quando chego a uma cidade nova, já quero logo conhecer os locais de comércio popular, saber o que a população local consome, o que come, o que compra, o que considera indispensável em sua casa, parte de sua identidade mesmo.
Se a feira ainda for de produtos orgânicos, melhor ainda. Por aqui, ainda não tinha tido notícias de uma, além de nossa feirinha dominical, que é pequena, mas bem boa (com direito a rúcula rascante de tão adstringente).
Entonces, minha amiga Marisa me marcou em uma publicação do MST, de uma feira da Reforma Agrária que aconteceria em Salvador, a versão soteropolitana da tradicional feira do MST do Parque da Água Branca, em São Paulo. Mesmo lá, eu nunca tinha ido a essa feira, que é um verdadeiro evento, mas sempre me interessei ao ver imagens e comentários posteriores. Portanto, saber que a feira aconteceria por estas plagas só podia ser um sinal de que devíamos conhecê-la.
Combinei com o maridón bem antes. Também contatei Liu e Igor, que certamente gostariam de ir (e já tinham se programado para tal). Por sorte, hoje, dia da feira, não choveu, fez um dia lindo. E lá fomos nós, conhecer a produção de todos os cantos da Bahia.
Chegamos com a feira já a todo vapor, gente por toda parte do Largo da Piedade. Tudo meio apertadinho, mas bem organizado em regiões baianas - Norte, Oeste, Baixo Sul, Sul. Em cada banca que passávamos, uma conversa simpática, a postura de orgulho pelo que é feito, a clareza da identidade. E os produtores queriam conversar, estavam sequiosos de dividir seu saber e sua experiência, sem servilismos. Quando houve música militante, todos ali, onde estivessem, cantaram. Emocionante. Descobrimos uma editora que trabalha com temas relevantes para o movimento, Expressão Popular (não por acaso sediada na Rua da Abolição, na Bela Vista, um bairro tipicamente politizado).
E caminhamos no meio de bancas de taioba, cacau, cupuaçu, pimenta de todo tipo, amendoim, milho, mudas de árvores frutíferas, quiabo, mamão, manga, couve, fava, feijão fradinho e de corda, aipim, inhame, nibs e doces à base de cacau, cocada, artefatos de barro e de palha, banana, batata, jaca, xaropes mil, mel, coentro, farinha, azeite de dendê, manteiga de garrafa e tantas coisas que nem registrei. Lindeza reluzente.
No fim, não foi só um passeio pela feira. Foi ver de perto como é possível um projeto de vida solidário e conectado com a natureza, como a união faz mesmo a força na transformação de realidades. Em um cenário tão desolador como o que temos vivido no país - com economia solapada, política entregue aos ratos, saúde e educação em petição de miséria -, é um alento que gente nossa consiga mostrar o resultado de sua esperança, de sua capacidade de continuar acreditando que algo bom pode nascer de nossas mãos. Mas é preciso colocá-las à obra, mergulhá-las na terra, reconectar-se. Nisso reside o milagre.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Frio, chuva e mungunzá (canjica)


Vísceras, livros e ideias escalafobéticas

Passei os últimos dez dias encarando minhas vísceras. Talvez uma intoxicação alimentar, bactérias, excesso de gordura na comida, não sei. Pode ter sido a comida na praia, a salada que tive preguiça de lavar, o queijo frescal que, afinal, não estava tão fresco assim. Não sei. Só sei que às minhas pregressas experiências de mal-estar em Porto Seguro e Belém se juntou a do excesso de gordura que já cometi algumas vezes e desta vez, certamente, repeti. E então fiquei à base de simeticona, Eparema e Atroveran, Gatorade, lactobacilos, muita água - mas sem mudar muito a dieta (o que, junto à falta de exercícios por uma semana, por conta de chuva e mal-estar, já me devolveram um quilo à balança).
Só mudei mesmo a alimentação há uns dois ou três dias, comendo coisas menos temperadas e menos gordurosas, ingerindo menos fibras para não estimular ainda mais o peristaltismo enlouquecido.
Bueno, uma vez quase recuperada, recebi dois livros que comprei pela Amazon, um do sociólogo especialista em comida Carlos Alberto Dória e o da Raiza Costa, obviamente, de confeitaria. O dele me interessa pelas questões de origem da nossa culinária, hábitos comensalísticos e que tais. O dela é uma coisa linda, colorida, cheia de receitas maravilhosas e provavelmente engordativas, mas irresistíveis.
Nessas horas, fico perguntando a mim e a minhas vísceras se não se trata de autossabotagem, querer me aprofundar (e me afundar) na confeitaria quando luto para eliminar uns bons quilos. Pode ser. Mas prefiro tentar usar isso para conquistar o trabalhoso autocontrole e o refinamento do paladar, ao me reservar aos quitutes que realmente valham a pena. No fundo, um espelho da vida que se vai bordando.

Calça que veste como luva da Marcio May

Comprei a primeira vez no site Roupas para Ciclismo no ano passado. O bretelle + camisa masculinos estavam com preço ótimo, e foram meu presente de aniversário para Guga. Chegou tudo relativamente rápido também, e isso só somou pontos ao site, que tem sede em Florianópolis e oferece marcas diversas e muitas promoções.
Eu, que sempre estou em busca do forro perfeito para pedalar, precisava de outra calça, porque a da DaMatta que eu tinha (a segunda!) já tinha ido pra cucuias. Então encontrei uma da Marcio May, que parece estar ganhando mais espaço no mercado, com preço quase 50% mais baixo que das lojas daqui.
Houve uma demora enorme na entrega, de dois meses desde a compra, em parte (creio que a maior parte) por conta da entrega do fornecedor à loja, em parte pela greve dos caminhoneiros que parou o país há umas duas semanas. Recebi ontem, por fim, a calça e um par de pernitos também da Marcio May. E devo dizer que a compra valeu muito a pena: o corte da calça é perfeito, o forro parece muito bom (CoolMax) e ela tem bastante compressão nas pernas.
Já estava quase pedindo o cancelamento da compra, mas valeu a pena dar um voto de confiança ao site.

domingo, 10 de junho de 2018

Cheesecake que vai com tudo

Já fiz esse cheesecake da Dani Noce mais de uma vez. Ontem fiz de novo, e resolvi não cobrir - minha vontade inicial era fazer uma cobertura dupla, de geleia e de doce de leite, meio a meio, mas me lembrei como o cheesecake é servido no Havana Café: a cobertura só é colocada na hora de servir, e fiz o mesmo. Prático e democrático.

domingo, 3 de junho de 2018

Cinnamon rolls - tentativa I

Usei uma receita da Dani Noce (aliás, professora no curso EAD de gastronomia). A massa fica linda, mas queimou no fundo. Provavelmente o forno estava muito quente: talvez não devesse preaquecer, e quem sabe fosse bom forrar a forma com papel manteiga. Também acho que acabei exagerando na camada de canela e açúcar sobre a massa antes de assar e reguei com a calda depois de assar, em vez de só pincelar. Enfim, provável fruto da preguiça de assistir ao vídeo além de ler a receita (pura chatice minha, porque nem todo mundo é a Raiza Costa, né?).
Enfim, motivos para repetir e, então, aprender e acertar.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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