quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Che non posso più!

Assisti de novo a Noites de Cabíria do Fellini. Acho Giulieta Massina uma fofa, algo entre o clown e a moça ingênua que se acha muito esperta. Me lembra Esperando Godot, de alguma forma, mas não deve ser por acaso, já que Fellini é tão teatral. E a língua italiana ajuda a derreter de vez o coração quando, no momento de maior desespero, enganada pela centésima vez e prostrada no chão, Cabíria pede ao falso noivo que a mate: "Che non posso più!"
E no entanto (aqui diferente de Godot) ela desfila em meio aos músicos e jovens que encontra no caminho, o coração se enchendo novamente de esperança quando uma moça lhe sorri e diz: "Buona sera!"
Essa moça que sorri é um desses anjos que surgem na forma de desconhecidos. Só para dizer: aguenta mais um pouco, as coisas vão melhorar.
Eu acredito nisso. Ancora.

2 comentários:

  1. Querida, querida,

    que postagens - esta e a anterior - lindas! Simplinhas, quentinhas, mostram que aquela menina na faixa de pedestre, a moça do "buona sera", como vc aqui no blog, estão no espírito da partilha: nossa chance, nossa única chance de seguir humanamente humanos, acho.
    Então, acho mais: que é mesmo pra acreditar, ainda e sempre, "que a fé não costuma faiá".

    Merci pelo registro dos milagrezinhos.
    Recebo-o como uma mensagem de bem-querer,

    Luciana

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    1. E eu recebo seu comentário como o afago de uma amiga tão, tão querida mesmo longe dos meus olhos. :)
      beijos, linda Lu!

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Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
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  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
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  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
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