domingo, 17 de setembro de 2017

Comemorando com etruscos e ingleses

Comentei aqui outro dia que estava querendo fazer um prato "etrusco" e uma banoffee pie. Calhou que eu e o marido tínhamos o aniversário de namoro a festejar - eu já não comemorava mais em setembro, porque há o dia dos namorados e também porque resolvemos morar juntos em outra data, além de as comemorações anteriores terem sido meio zicadas. Mas, como foi ele quem se lembrou da data, achei digno retomar a data setembrina. E assim entraram em cena o maiale al latte etrusco/romano e a banoffee pie inglesa.
Os preparativos começaram na véspera, porque quis marinar a carne de porco (usei filé mignon suíno em vez de lombo), embora a Samin Nosrat, professora de culinária do Michael Pollan, não indique isso, mas apenas temperar com sal e pimenta um pouco antes. Eu vi umas dicas num outro site de alguém que já fez o prato e resolvi juntar as duas receitas. Então marinei com vinagre de vinho (porque não tinha vinho), sálvia, alecrim, alho, sal, pimenta-do-reino e limão, para no outro dia selar a carne em azeite bem quente e então adicionar mais alho, sálvia fresca, sal, raspas de casca de limão e 1 litro de leite, incorporado aos poucos, ao longo de quase 3 horas de cozimento. 
Quanto à torta, segui a receita da Dani Noce. O creme de confeiteiro de doce de leite não ficou tão firme, embora gostoso. A dica do creme de leite em lata sem soro e bem gelado para fazer chantilly não funcionou; também não consegui usar meu sifão. Lá fui eu em busca de um preparado para chantilly, da Fleischmann mesmo. Ainda assim, ficou bem gostoso e bonitão. 
O maiale al latte fica com um aspecto talhado, uma espécie de vômito de bebê como bem descreve o Pollan. Mas é uma delícia, ainda mais acompanhado de legumes ao forno.
Foi um jantar preparado lentamente, com paciência, respeito e total atenção, ingredientes também para um relacionamento de longa data como o nosso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Baguetes au levain e incentivo em grupo

Depois do curso de panificação em São Paulo, tenho estado em contato com os colegas pelo whatsapp. Tem sido muito bom ver as criações paníferas de Norte a Sul do país. Acabamos nos incentivando uns aos outros, o que é maravilhoso. Vejo as criações de Rafa, Guerra, Raul, Júlio e Janete e quero fazer também. Eu, ainda com meu forninho doméstico, vou junto. E eles também torcem, uma preciosidade nestes tempos esquisitos de desamor e intolerância.
Enquanto não compro meu forno profissional, faço baguetes au levain. Mas acho que não precisava ter demorado tanto para chegar a esse resultado, embora tenham ficado ótimas - claro que valeu também como desculpa para refrescar o fermento (que logo vai completar 3 anos!).

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

De tédio, aqui não se morre

Não posso reclamar de tédio na minha vida. Nunca. Posso sufocar por fazer somente a mesma coisa, querer sair por aí, espanar a mesmice - mas não posso falar que a vida em si é tediosa, pois ela tem momentos tão diversos, coisas acontecendo ao redor da mesmice, que seria injustiça classificá-la assim.
Ontem, matei meu primeiro (pequeno) escorpião, no banheiro de casa. Depois interrompi com Raid e raiva a cópula de duas baratonas. Hoje soube que meu pão bonitão de damasco e nozes embatumou - e lá fui eu fortalecer o levain, até porque já faz algumas vezes que os pães de levain não têm saído bonitos e gostosos.
Hoje também fui ao primeiro encontro como voluntária no projeto de jovens local. Isso já foi um sopro benfazejo sobre a rotina: não sei viver sem cebolas, mas também não sei viver sem compartilhar o conhecimento.
Outro dia pensei em por que temos assistido a tantos filmes e séries sanguinolentos - a vida imitando a arte e vice-versa - e concluí que queria um pouco de beleza na minha vida. Aí fico sabendo que haverá uma oficina do Matizes Dumont em Salvador. Claro, estarei lá, em busca de beleza e histórias.
Em meio aos horrores de notícias de catástrofes naturais, corrupção e violência (catástrofes sociais), oriento um amigo na feitura de seus pães, pelo bate-papo virtual.
Eu bem gostaria de pegar um cinema de vez em quando, de viajar mesmo que para perto, mas devo admitir que tem sido interessante olhar com mais atenção para a vida cotidiana, que agrega a cada dia pequenas mudanças na tessitura que dela faço.

domingo, 10 de setembro de 2017

Pães e ideias lariquentas de final de semana

Tenho me programado para fazer pães no final de semana, no mínimo. Como temos um aniversário a comparecer amanhã, resolvi fazer pães para a reuniãozinha. Os escolhidos foram o de damasco e nozes de levain e o rústico de ervas da Heloísa Bacellar, sucesso. Já usando uma grade apropriada para o resfriamento.
Claro que, nesse meio tempo, no intervalo de uma ou outra fermentação ou modelagem, relendo o livro do Pollan, vi uma receita de porco cozido no leite, e depois achei a própria, publicada pela professora de culinária do autor: chama-se maiale al latte, talvez uma receita etrusca. Quero fazer, pra ontem. Também querendo fazer banofee pie. Pra anteontem. Isso pra não falar nas ideias de cardápio semanal, à base de curry, batata-doce, funghi secchi.
O problema da cozinha é apenas esse: querer fazer cada vez mais. E eu que reduza as porções e aumente os giros no pedal, pois emagrecer está cada vez menos fácil.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Encomenda valendo

Recebi outra encomenda de pães. Mas agora eu estava emocional e tecnicamente mais preparada - houve tempo para comprar ingredientes, planejar o mise-en-place e tal.
Porém, como eram pães delícia, o tempo de preparo foi grande. Fiquei o dia todo por conta disso, e estava tão concentrada que nem senti fome - só quando os pães saíram do forno com aquele cheirinho irresistível.
Como eles ficaram supermacios, preferi entregá-los sem empilhar, para não correr o risco de amassados. E tinha até cartõezinhos prontos para deixar minha marca, com gosto de sol.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A diferença que a boa qualidade faz

Ultimamente, quando compro utensílios, ou são de cozinha, ou são de ciclismo. Me divido entre uma compra de grade de pães e cookies e um frequencímetro no Mercadolivre, por exemplo. E atesto que faz uma diferença enorme que ambos sejam de boa qualidade. Guga diz que de vez em quando precisa apelar para a "Solange" que existe dentro dele para comprar algo mais caro, e eu logo argumento que isso é normalmente um investimento de médio e longo prazo.
Eu tinha quase tudo de boa qualidade associado à bike, mas ainda não tinha uma bike nova. Não que LaBelle não seja ótima, mas ela não ajuda muito em treinos mais longos - depois de 40 minutos, já sinto dor no trapézio. Bem ou mal, embora seja uma bike feminina, ela é grande para mim.
Quando Guga foi comprar Pérola, eu já tinha visto uma Cannondale Foray na loja de Ramiro. Foi experimentá-la e ter a sensação de vestir a armadura do Homem de Ferro, ajuste perfeito. Quadro para mulheres pequenas, mais estável que a GT, aro 27,5, pneus de kevlar. Fiquei de estudar o assunto e voltar depois.
Mais de quatro meses depois, voltei. Ainda experimentei uma GT e uma Caloi só pra ter certeza, mas o quadro das duas ainda era grande. Lá estava a Foray. Comentei com o vendedor que minha única questão eram os componentes da bike, não tão bons quanto os da Caloi, por exemplo. Ele propôs, e depois foi chancelado por Ramiro, trocarmos os componentes e acertar a diferença. Fariam a troca das peças sem cobrar nada. Ainda por cima, a bike estava com um desconto de uns 15%. Claro que ela custou metade de uma bicicleta de trilha para competição, mas vai super dar conta do recado com o que espero dela.
Hoje, fiz a estreia. E deslizei. A sensação de ter feito metade do esforço habitual pedalando mais longe. Até a megaladeira de casa eu subi até o fim.
Agora, LaBelle será a bike dos pequenos deslocamentos cotidianos. A recém-chegada é, desde já, a nova abridora de caminhos.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Peixe no papillote com legumes e salada

Sem segredo: caminha de legumes (previamente cozidos al dente), filés de tilápia, sal, limão, azeite, pimenta-do-reino e ervas frescas. Tudo envolvido pelo papel alumínio e levado ao forno por 15-20 minutos.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Como é bom arrumar gavetas!

É muito difícil não procrastinar tarefas chatas - isso é normal, humano. Eu é que vinha procrastinando muita coisa, do tipo atualizar o sistema do computador, separar roupas para doação... A atualização do Mac veio à força, porque já não estava conseguindo utilizar vários programas. Com as outras coisas a enfrentar, estou tendo de reprogramar a mente mesmo. Aquela história de contar só até 2 para começar a fazer algo.
Passei o final de semana arrumando coisinhas diversas - um gancho necessário aqui, etiquetar cabos ali, aproveitando para limpar a sapateira onde ficam guardados. Isso me fez lembrar do gaveteiro do banheiro, agora limpo e reorganizado - e assim vão para o lixo produtos vencidos e objetos quebrados. Diante da re-reclamação do marido da sua falta de espaço no cabide de roupas, arrumo outro lugar para as bolsas (e não ouço um piu a respeito). Por fim, separo mais roupas para doação, inclusive algumas que, por alguma razão obscura, acreditava que ainda usaria.
Arrumo mais gavetas, caixas, colares (que voltei a usar). Entre uma coisa e outra, coloco roupa e louça pra lavar, replanto as mudas de nim que ganhamos (e que agora já não sei se é uma boa ter, por talvez ameaçarem as árvores frutíferas vizinhas), e ainda faço dois pães rústicos diferentes.
O bom disso tudo é que, ao final, pensamos: por que demorei tanto a fazer isso? Afora a questão do bem-estar inegável após uma boa arrumação/reorganização, a pergunta irradia para todas as outras coisas procrastinadas. Hoje, por exemplo, a preguiça de editar o material de um autor difícil. Cerquei o texto, compartilhei os poréns com o chefe e mandei bala. Com certeza, encorajada pelas gavetas arrumadas no final de semana.
Como a lista de a-fazeres não tem fim, o melhor é adotar uma ação orgânica, fluida, constante. Assim evita-se a sensação de soterramento e de não saber por onde começar.

Bike bloc de jawbreaker

Comprei óculos decentíssimos para pedalar - o JawBreaker da Oakley numa superpromoção de outlet, menos da metade do preço. 
Além de lentes perfeitas, que filtram a claridade e evidenciam cores fundamentais na estrada (branco, amarelo, vermelho), ainda me deixam com esse ar de ciclista de speed, rá!

domingo, 20 de agosto de 2017

Pães rústicos: de trigo sarraceno e de amêndoas e tâmaras

Outro dia, um dos colegas do curso de pães comentou que tinha feito um pão com levain e trigo sarraceno. Lembrei do trigo sarraceno que trouxe de SP e resolvi fazer, sabendo apenas que a receita do colega tinha 40% de trigo sarraceno em relação à farinha de trigo. Acabei utilizando 300 g de farinha branca, 120 g de trigo sarraceno, 150 mL de água, 100 g de levain e 5 g de sal - talvez pudesse ter utilizado mais água, para a massa ficar mais elástica e leve. Mas o cheiro de caramelo e o sabor já compensaram a experiência.
Também fiz um pão com levain, amêndoas e tâmaras (as superdoces trazidas por Nana), mas desta vez utilizando também 5 g de fermento biológico seco, para ajudar no crescimento - vê-se a diferença das duas massas na primeira foto. A receita ficou assim: 310 g de farinha branca, 90 g de farinha integral, 30 g de amêndoas picadas e 40 g de tâmaras picadas sem caroço, além de 6 g de sal e 200 mL de água. Depois descobri que errei a proporção - deveria ter usado 210 de farinha branca, por isso o pão ficou mais seco, pouco alveolado, embora gostoso.
Aliás, este é um retropasso importante: estudar as proporções dos ingredientes, o processo de autólise e as diferenças entre os tipos de fermentação. Lição de casa.

sábado, 12 de agosto de 2017

Quase uma encomenda

Hoje foi dia de padaria aqui em casa - amanhã também será um pouco. Já estava me organizando pra fazer pão de aveia para nós e também medialunas para levar às colegas do pilates quando me apareceu um pedido-quase-encomenda ontem, da mãe de um amigo que fomos visitar. 
Ela ficou sabendo que eu estava fazendo pães e queria encomendar alguns; eu expliquei que ainda não havia nada estruturado, mas disse que faria um pão para ela, que assim poderia me dar sua opinião sobre o "produto". 
Escolhi fazer um de multicereais, receita do Shimura. Bati bastante tempo até chegar ao ponto de véu - espero que tenha ficado bom. Aliás, essa assimilação recente da ideia de ponto de véu já tem feito diferença nas fornadas. Hoje também apliquei algumas técnicas do curso de pães, inclusive para abrir o emplastro de margarina das medialunas
O pão de aveia seguiu a receita da apostila do curso na Levain: eu perdi a parte prática porque estava resolvendo questões bancárias e só hoje pude comprovar como fica leve e gostoso. Da próxima vez, vou cobrir com aveia também. 
Em tempo: as medialunas ficaram incríveis, mais folheadas e crocantes, uma perdição!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Coração de pai

Nós, mulheres, andamos mais exigentes. Ou melhor, naturalmente exigentes - exigimos o que nos é de direito, sobretudo mais justiça na óbvia diferença entre gêneros. Parece que acordamos de um longo sono, e a maioria de nós já não aceita abusos vindos de todo lado, de chefes, companheiros, familiares, desconhecidos. Claro que isso se reflete também num dos papéis sociais mais tradicionais e santificados/sacrificados, o de mãe, e em sua versão soft, o de pai.
Na minha singela opinião, ser pai deveria ser o correspondente masculino a ser mãe, com todas as responsabilidades que o "cargo" traz. A mãe já sai com bonus track de ter carregado o rebento por nove meses, vai amamentar, ficar exausta, entonces o pai deveria se esforçar por equivaler. Mas nossa sociedade machista já considera que ele equivale, mesmo que pouco faça, que nada faça, ou que faça mal. O pai, muitas e muitas vezes, quando muito, se contenta em fazer um tímido backing vocal.
Por isso admiro os homens que saem da zona de conforto, que abandonam a ideia de que "ajudam em casa", que assumem que são companheiros de fato, pro que der e vier. Já é alguma coisa que se preocupem, mas que se ocupem, ah, isso é realmente revolucionário.
Quando penso em pai, penso, como já disse aqui, em meu avô Antonio, meu avôhai. Como já disse, não precisou ser perfeito para ser pai, só precisou ser, assumir, sentir-se.
Quando vejo a relação de meu marido com seu filho, e como ele cuida dos filhotes da casa (ainda que ser pai e mãe de pet seja infinitamente mais fácil), creio que ele esteja no caminho certo da revolução. Pode ser que caia aqui e ali, coberto pelo bombardeio de contradições do mundo machista em que foi criado, mas ele prossegue.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Habitués da Concha

Na falta de um Sesc, nosso lugar de lazer é a Concha Acústica, caçadores de pérolas que somos.

Quadradinhos de caramelo e chocolate e a volta das medialunas

No final de semana, queria testar algumas receitas e também experimentar a margarina forneável Amélia, que utilizamos no curso de pães.
Uma das receitas não deu muito certo: os cookies de aveia sem farinha integral se espalharam pela forma, provavelmente porque não havia ingredientes secos o suficiente para absorver a gordura da manteiga e das gotas de chocolate. Ficaram gostosos, embora mais finos, e tive de cortar em quadrados quando secaram.
A outra foi a de quadradinhos de caramelo e coberto de chocolate, feitos com biscoito água e sal, do I could kill for dessert, da Dani Noce. Muito boa! Adorei o caramelo feito com leite condensado, açúcar mascavo e manteiga. Mas dá-lhe gordura, açúcar e lactose! Aproveitei para usar todo o saquinho de gotas de chocolate Callebaut de uma vez só.
Quanto à margarina Amélia, deu supercerto fazer medialunas com ela. Como eu tinha deixado o pacote no congelador, foi meio difícil fazer o emplastro no meio da massa e deixar uniforme com o rolo, mas no final os pãezinhos ficaram gostosos (talvez ficassem mais folheados se tivesse conseguido espalhar melhor a margarina). Ainda tenho quase um quilo dela, então outros testes virão.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cabelo ou "O chamado" (filme)

Gosto da minha cabeleira. Houve só duas vezes que tentei enrolar os cabelos para ir a uma festa, e ficou estranhíssimo. Claro que nunca tive problemas de bullying com meus cabelos, e acho triste quando alguém quer alisar os seus só para atender a um padrão estabelecido por outrem - quando o desejo de mudança é inteiramente pessoal, não vejo problema algum: cada um que seja o que quiser ser.
Depois que vim para a Bahia, meus cabelos mudaram. Dificilmente eu sofria com o frizz em São Paulo - aqui, forma-se uma espécie de névoa capilar em torno da cabeça. Pela primeira vez, tive que comprar leave-in; uso também um hidratante spray Bepantol. Da última vez que cortei os cabelos (pedi algo diferente ao meu hair stylist de quase 20 anos), eles cachearam - e não esqueço o choque do marido ao me buscar no aeroporto: "O que você fez com seu cabelo?". Ele chegou a suspeitar que meu cabelo na verdade sempre foi enrolado, mas que eu fazia escova/chapinha/alisamento em São Paulo e, claro, escondia isso dele (!!!!).
Agora os cabelos estão crescendo de novo - desordenados, alguns fios eletrizados e esbranquiçados, alguns finos e outros grossos. Mas de um jeito que identifico como meus, ainda bastos e fortes. Aí só me resta fazer uma selfie à la Tropix de Céu e cantar com Gal:

"Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Quem disse que cabelo não sente
Quem disse que cabelo não gosta de pente
Cabelo quando cresce é tempo
Cabelo embaraçado é vento
Cabelo vem lá de dentro
Cabelo é como pensamento
Quem pensa que cabelo é mato
Quem pensa que cabelo é pasto
Cabelo com orgulho é crina
Cilindros de espessura fina
Cabelo quer ficar pra cima
Laquê, fixador, gomalina
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Quem quer a força de Sansão
Quem quer a juba de leão
Cabelo pode ser cortado
Cabelo pode ser comprido
Cabelo pode ser trançado
Cabelo pode ser tingido
Aparado ou escovado
Descolorido, descabelado
Cabelo pode ser bonito
Cruzado, seco ou molhado"

O clamor da tecnologia

Anteontem, aconteceu uma coisa superbacana: herdei um celular da minha cunhada, um iPhone 4. O meu Samsung vive dando pau, com cerca de 1 ano e meio de uso, e já pensava em comprar um novo, de outra marca, assim que possível. Mas provavelmente não seria um iPhone, pelo preço. Daí apareceu esse, para eu ter o gostinho de um celular mais interativo com boa câmera.
Ao mesmo tempo que achei ótimo, senti um temorzinho, uma leve desorganização interna ao pensar nas providências que as coisas novas sempre exigem. Por exemplo, acabei de atualizar meu iMac, com muito custo, após dois meses tentando - no final, era tudo uma questão de colocar os dados do cartão de crédito, mas até descobrir isso fiquei uma hora e meia no telefone na segunda-feira com os técnicos do suporte Apple. Já passei também pelo suspense de manter minhas fotos todas na máquina, uma vez que o programa que usava para arquivá-las não está mais disponível e o sistema apresenta outro após a atualização.
No trabalho, também, as perspectivas de "tecnologizar" são grandes. Uso de outras mídias, e a minha premência de usar calendários digitais para não esquecer compromissos - e já vejo o iPhone herdado como uma contribuição bem-vinda ao processo de memorização.
Além das histórias com produtos Apple, comprei uma cinta cardíaca bluetooth, para os treinos de bike. Mais tecnologia, inclusive com o app Strava, para acompanhar treinos. Mais borboletas em panapaná no estômago canceriano, que anda lento para digerir tanta coisa.

Salada mediterrânea de macarrão

Simples e gostosa? Eu! Brincadeirinha, é a salada mediterrânea de macarrão que fiz hoje para o almoço.
Estava a fim de fazer salada de macarrão, e outro dia vi uma receita simples de salada grega (pepino, tomate, queijo feta, azeitona). Resolvi então misturar as duas coisas, tão mediterraneamente deliciosas. Adicionei lascas de parmesão e manjericão, além de um fio(zão) de azeite, sal e pimenta-do-reino moída na hora. Ficou uma delícia!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sorvete de cheesecake

Fazia séculos que eu não preparava sorvete, pelas questões já elencadas relativas ao creme de leite fresco. Apesar da minha descoberta do creme de leite 35% de gordura da Piracanjuba, este também não é fácil de achar por aqui - o pessoal de atendimento da empresa já me respondeu sobre os locais de compra, mas são distantes da nossa casa.
Whatever, outro dia Guga comentou que o creamcheese devia estar quase estragando. Logo pensei em uma receita para dar fim dele, e me ocorreu fazer um cheesecake. Não sei por qual associação cheguei ao sorvete e vi que havia receitas de sorvete de queijo - o que me fez lembrar de um ótimo da Häagen Dazs, justamente de cheesecake de morango.
Como ainda tinha a geleia deliciosa de morango com vinho que Sylvia trouxe outro dia, decidi juntar tudo. Também me lembrei de uma receita de creme de queijo com goiabada que a Talita me ensinou há tempos. Ou seja, creamcheese, creme de leite, leite condensado e suco de limão batidos no liquidificador, e a mistura foi para a geladeira. Quando ficou um pouco mais firme, misturei a geleia de morango.
Parte do preparado eu deixei no freezer, parte deixei na geladeira, para experimentar as diferentes texturas. Acho que o sorvete fica melhor - o creme ainda ficou muito liquefeito na temperatura da geladeira. Mas o sabor é ótimo, e lembra mesmo o do sorvete da Häagen Dazs.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Estimulando a criatividade


Vamos fugir

Vamos fugir deste lugar, baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Vamos fugir
Pra outro lugar, baby!
Vamos fugir
Pra onde quer que você vá
Que você me carregue
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pra onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo nu
Vamos fugir
Pra outro lugar, baby!
Vamos fugir
Pra onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue
Vamos fugir
Deste lugar, baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O bordado e as gerações

Quando cismei de bordar, como já disse aqui, foi por uma premência interna, já lá pelos 40 anos. Ou seja, nada a ver com pressões e padrões sociais - não TINHA que aprender a bordar para ser uma mulher prendada, valorizada pelos dotes casadoiros etc. Fui bordar porque queria, e no vaivém de linha e agulha descobri muito sobre mim.
Agora bordar e costurar estão na moda, como parte de um retorno a saberes antigos, talvez também por questões práticas relacionadas à crise financeira nacional e mundial, o faça-você-mesmo movido por necessidades econômicas.
Mas o que dizer quando uma menina de 6 anos se interessa muito por bordar? OK, teve algum contato com costura na escola bacana onde estuda e onde há alguns professores com ideias libertárias, tal e tal. Lulu teve algumas noções de costura, saber pregar botão e agora está às voltas com a confecção de um manto "pessoal", algo claramente inspirado no trabalho de Arthur Bispo do Rosário. E veio me pedir para ensiná-la, eu que pouco sei, mas que muito amo ensinar o pouco que sei, nunca perdendo uma oportunidade de aprender enquanto ensino.
Bueno, ontem, dez minutos antes do horário combinado, lá veio ela, meio esbaforida, pelo caminhozinho que traz à nossa casa: "tia Sol, tinha me esquecido da minha aula de bordado!" Porém, chegou adiantada, e logo foi se apropriando de linha, agulha e tecido. Pouco depois, chegou Tina, de 8 anos, mais interessada em pinturas, mas ainda assim disposta a acompanhar a prima no curso de bordado.
Tinha arrumado a mesa do lado de fora para bordarmos, mas logo começou a ventar e chuviscar forte, então entramos e elas se acomodaram na bancada da cozinha. Expliquei como colocar a linha na agulha, que elas poderiam escolher com quantos fios bordar. Pedi que fizessem um desenho no tecido, as duas fizeram... árvores. Expliquei como usar o bastidor, e lá se foram as duas, concentradas no alinhavo, conversando e filosofando enquanto bordavam.
Que o bordado continue entrelaçando as gerações, tecendo caminhos, narrativas e momentos como este.

terça-feira, 25 de julho de 2017

O que fazer com beterraba? Nhoque, claro!

Não sou amante de beterraba. Como porque sei que faz bem, mas acho uma hortaliça cujo preparo está sempre à beira do irremediável.
Guga gosta, então tenho comprado mais vezes. Mas enjoo logo do preparo de sempre.
Entonces, outro dia, topei com essa receita do Tastemade Brasil, que sempre tem umas receitas bem práticas, funcionais e gostosas.
Ao final, os nhoques ficaram com formato de tripinha, mas o sabor é ótimo. Adaptei as proporções porque só tinha uma beterraba na geladeira. Ficou assim (para duas pessoas, como acompanhamento de um prato):

Ingredientes:
1 beterraba pequena
50 g de ricota esfarelada
1/4 xícara (chá) de queijo parmesão ralado
1 ovo
70 g de farinha de trigo
noz-moscada ralada na hora, a gosto
1 colher (sopa) de manteiga sem sal
2 colheres (sopa) de azeite
Sálvia fresca picada (usei umas 6 folhas)
1/2 xícara (chá) de queijo parmesão ralado na hora

Preparo:
Envolva a beterraba, ainda com casca, em papel alumínio, com um fio de azeite e um pouco de sal. Leve ao forno a 200 graus por cerca de 45 minutos ou até ficar macia. Retire do forno, descasque, corte em pedaços menores e espere esfriar um pouco. Aqueça água em uma panela média.
Leve a beterraba ao processador e faça um purê com ela. Adicione a ricota esfarelada, processe e reserve. Adicione o ovo, o parmesão e a noz-moscada, e repita. Passe para uma vasilha e vá acrescentando a farinha de trigo aos poucos.
Coloque a massa obtida em um saco de confeiteiro. Vá cortando tiras da massa que sai do saco de confeiteiro deitando-as direto na água fervente (à qual se acrescenta um pouco de sal). Tire o nhoque da água à medida que as tiras subirem à superfície; reserve.
Derreta a manteiga em uma outra panela e adicione o azeite e a sálvia picada. Coloque sobre esse molho o nhoque reservado e sirva imediatamente, coberto com lascas de parmesão, como acompanhamento ou prato principal.

Aventuras soteropolitanas

Tinha combinado há tempos (quase um ano) com Liu de irmos visitar o centro de Salvador. Ontem, por fim, conseguimos.
Fomos à região da Praça da Sé e da Avenida Sete. Não tirei muitas fotos para não dar bandeira, só fiz alguns registros com celular, sem muita resolução.
Um dos pontos altos dessa ida foi conhecer o metrô (agora tenho até cartão!), andando pelas linhas 1 e 2, de Pituaçu até o Campo da Pólvora. Tudo limpinho, rápido, ótimo, um quê de futurismo anos 80. Só o intervalo entre trens ainda é grande, de cerca de 8 minutos. Na ida, com o trem já na plataforma em Pituaçu, demorei cerca de 40 minutos até o Campo da Pólvora, um bom tempo para driblar o trânsito soteropolitano.
Já no centro, Liu foi me chamando a atenção para alguns lugares interessantes restaurados há pouco tempo, como um hotel em frente à Praça Castro Alves e ao lado do Cine Glauber Rocha, com a vista indefectível da baía. Fomos tomar café perto da rua Chile, no Deltaexpresso, um café lindinho com estética Starbucks tropicalizada. Andamos pela movimentadíssima Avenida Sete, almoçamos no Grão de Bico, na Avenida Sete, e aproveitei para comprar cajuína. Comprei linho (não me lembrava que era tão caro) na Cheddar, segundo Liu, a loja de tecidos mais em conta do lugar. Fui atrás de tampa de copo de liquidificador, mas não encontrei (ninguém trabalha com Oster).
Voltei à estação Pituaçu para tomar meu ônibus, que veio lotado de passageiros e ambulantes de um jeito que nunca vi. De qualquer modo, ainda vale a jornada ir até Salvador dessa forma.

domingo, 23 de julho de 2017

Compras utilíssimas: alforjes e máquina de costura


Hoje recebi duas coisas que comprei pela internet: uma minimáquina de costura made in China e um par de alforjes para bike da Alforjaria, da Priscila Moreno, de SP.
O processo de compra dos alforjes foi um tanto confuso (o site não te dá a opção de comprar diretamente ali, você precisa fazer um depósito em conta, depois houve um engano no envio, e a coisa demorou mais do que devia), mas os alforjes são lindos, com ótimo acabamento. Amanhã já verei se se adaptam bem à bike.
Quanto à maquineta, ela veio um pouco diferente da foto publicada no site das Americanas (!). Bueno, já tinha lido alguns comentários sobre essas minimáquinas, e me pareceram mais favoráveis que o contrário - para pequenos consertos, que fique claro. O tamanho é ótimo, cabe em qualquer cantinho do escritório (e espaço interno é um problema que ainda temos). Logo passarei aos testes também.

Atualização: Os alforjes são ótimos, além de lindos. Já soube que a Alforjaria está com modelos novos, sem fitas de velcro, mas por ora elas me parecem bem eficientes. Quanto à maquininha de costura, terrível, não vale a pena. Quebrei duas agulhas só fazendo testes - ela já tinha vindo montada, conferi se estava certo e fui passar o tecido, e logo deu pau. Já pedi a devolução do produto às Americanas (na verdade, foi vendida por um parceiro) e a restituição do valor no cartão de crédito.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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