quarta-feira, 29 de julho de 2020

Ler mulheres, a aventura de redescoberta

De uns tempos pra cá, comecei a ler mais mulheres - outro dia, comentei que tenho também lido mais mulheres negras.
Tenho a impressão de que o número de mulheres escrevendo aumentou - como também o de ótimos filmes, como já disse aqui, baseados em livros de autoras.
As mulheres me parecem mais capazes de falar da crueldade e do abuso. A crueldade narrada por uma mulher é muito mais crua, o abuso é desnudado. Não estou falando de violência. Acho que os homens são mais dados a ela. A narrativa de crueldade das mulheres é diferente, é predominantemente de quem observou ou sentiu, não de quem praticou. 
Além de ler mais autoras, também andei relendo coisas que estavam engavetadas, e nem me reconheço. Os escritos de ficção têm uma tentativa de emular a escrita tradicional, ou seja, masculina; uma necessidade de escrever muito certinho. Parece tudo muito artificial, com exceção daquilo que se relaciona com algo vivido. Deu até um rancinho.
Quando leio mulheres, vejo um texto que sangra pela página, que sempre traz um algo além do escrito, como aquilo que só os gatos veem. Quero isso para mim, posso isso também, já que sangro também. 

Gratin de alho poró, abobrinha, cenoura e beterraba

Mesma ideia do gratin de alho poró com peito de peru e bacon, mas aproveitando o que tinha na geladeira. Uma aposta na cor e na nutrição, ficou uma delícia!

Desafio da vida inteira

Mais um desafio que pintou nas redes sociais foi o de postar uma foto PB de si mesma e convidar outras "mulheres maravilhosas" a fazê-lo. Acho que a ideia era que fosse algo mais natural, sem muitos retoques, mas tem de tudo nas redes, algumas naturais e muitas muito retocadas.
Bom, uma hermana me convidou. E lá fui eu fazer selfie, toda sem graça. Acabei tirando de dentro a graça em si, e o sol e o vento vieram fazer parte da composição. Depois converti a imagem em PB. 
Isso me fez lembrar quanto tempo demorei para aceitar minha imagem, na verdade, quanto tempo demorei a aceitar me ver no espelho. Sou grata às feministas de ontem e hoje, que têm derrubado os estereótipos da imagem feminina, entre outros. Hoje me vejo, e gosto do que vejo porque sei quem sou. Se alguém não gostar, realmente não é problema meu. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Um só dia na quarentena

De madrugada, sinto um calor sufocante, acordo encharcada de suor, acho que estou com febre, tenho medo de ter sido infectada pelo coronavírus. Custo a dormir de novo, perco a hora do pilates, acordo com dor de cabeça. Por WhatsApp, combino com a professora repor a aula mais tarde, mas aguardo uma confirmação do chefe sobre uma reunião pedida pelo birô; no final, a professora também não me envia o link, também não insisto, não faço a aula. Cochilo mais de uma vez ao longo do dia, sinto bastante as pernas, provavelmente pelo esforço do pedal de ontem, com vento na cara e sensação de não chegar nunca mais a lugar nenhum, como me sinto no meio desta pandemia. Mais um dia em que quase não trabalho, só fico ocupada com almoço e jantar (faço moqueca e escondidinho de couve-flor e frango, que sofisticação, que versatilidade, que delícia), com colocar roupas para lavar, tirar do varal as que secaram. Nem rego as pimenteiras, nem a árvore da felicidade moribunda que o gato resolveu agora adotar como pufe. Descubro que posso usar o verso do papel de aquarela. Participo por videoconferência da reunião mais curta de todos os tempos, fico aguardando para assistir uma aula ao vivo de história da arte levando em conta a representação do negro, continuo ouvindo a aula pelos fones enquanto vou preparar o famigerado escondidinho. Volto ao computador para assistir ao final da aula, depois do jantar, não tenho nenhuma vontade de ver as notícias na TV (embora espie pela internet). Coloco a louça na máquina, lavo o restante já que encerrei a ajuda simbólica do marido. Aproveito para lavar lençóis. O dente trincado lateja. Atualizo as agendas com tudo o que não consegui fazer e também com o que virá, como a "não faxina" de sexta (definições de faxina atualizadas na última semana). Não fui ao supermercado hoje, o suposto dia "bom" para feira, então amanhã só devo encontrar verduras e frutas mais murchas e menos variadas. Penso que devo voltar a estudar história, história da arte, a ler literatura sistematicamente, a praticar pintura, desenho e bordado. Mas o que faço é assistir ao curso de design instrucional, porque o futuro. Vejo a foto de uma cozinha pequena, reformada pelo dono, exatamente do jeito que imagino a minha, e logo desanimo. Fico triste com a morte súbita do meu monitor cardíaco, que resolveu virar lixo eletrônico. Acho sinceramente que preciso de um batom cor de boca no tom da minha pele - descobri há pouco uma marca nacional que tem várias opções para negras e asiáticas, além das brancas. Desafiada por uma amiga, faço uma selfie, toda sem jeito, em PB - e gosto do que vejo. Apesar de tudo. Amanhã, amanhã.

Tilt

Pois é, no domingo deu tilt na cozinha. Em tudo que me meti a fazer rolou algum tipo de branco - quantidade imprecisa dos ingredientes no bolo, água demais no pão, excesso de farinha na massa de panqueca. Por sorte, não acabou sobrando pro almoço, já que aos domingos mangiamos na casa de minha sogra. 
Às vezes, acontece algo assim no trabalho, ou nos estudos. Mas dessa vez foi a regra geral na cozinha. Por sorte, o bolo ficou gostoso (mas tive de fazer mais ontem, para atender pedidos, já que abri um para experimentar); o pão cresceu muito e deve ter ficado bom.
O mais louco foi que eu estava tentando prestar atenção a tudo que estava fazendo, com esforço, repassando mais de uma vez as receitas, e mesmo assim houve as falhas. Não me lembro da falha no bolo, mas percebi na hora em que derramei a água sobre a farinha para fazer pão que tinha acabado que colocar o dobro do necessário.
Não sei se uma técnica de atenção plena ajudaria quando o tilt foi provocado por cansaço extremo. A ver. Já salvei umas dicas no Spotify, mas ainda não consegui ouvir.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

É muito merecimento: bolo de castanha do pará com toque de laranja

Provei essa maravilha na casa de minha sogra e fiquei encantada - bolo macio, perfumado e delicioso. Como de novo comprei castanha do pará resolvi fazer hoje - porque estava merecendíssimo depois de uma discussão sobre divisão de tarefas. Discussão inútil, claro, e somente um pouco de sabor e cor para dar sentido à vida enquanto o que temos é isso mesmo que está aí. 
A mesma quantidade de manteiga, açúcar e farinha, mais um tanto de castanha ralada (eu processei um punhado, que deve equivaler a meia xícara de chá), uma colher de chá de fermento, uma colher de sobremesa de extrato de baunilha, raspas de laranja, e depois uma calda de suco de laranja feita com duas laranjas e duas colheres de sopa de açúcar e vertida sobre o bolo já desenformado mas ainda morno. Deus meu, que perfeição! Sim, eu mereço essa perfeição. 

terça-feira, 21 de julho de 2020

Alergia infernal e dente trincado

Uma das maiores preocupações que tenho nesta quarentena - além de contrair Covid-19, claro - é com precisar ir ao médico durante a pandemia. Na crise do piriforme, fui fazer fisioterapia aqui do lado para evitar a piora e ter de procurar um médico especialista. Nem avento por ora o retorno à ginecologista, com os exames de controle de praxe. Já estou noiada com ter que daqui a pouco marcar horário com dentista, por conta do meu dente trincado há um ano que está se mostrando farto da espera, e agora minha alergia só tem piorado.
Acredito que tenha a ver com mudança de tempo, mas também com uso de produtos de limpeza, especialmente água sanitária. Tem também o estresse da situação toda. Ontem li que a deficiência de vitamina D exacerba os sintomas alérgicos - e eu mal tenho tomado sol. Comer maçã e cebola, li ainda, é uma boa, como também beber bastante água. Hoje, comi maçã, tomei sol, antialérgico, Apracur, própolis - tudo para combater uma das piores crises alérgicas que já tive, rinute, sinusite, uma gripe querendo se instalar, tudo junto. Mal trabalhei - mas cozinhei, lavei louça, até estudei um pouco. E dormi umas três vezes ao longo do dia. 
Buscando na memória da quarentena, já estou na toada da alergia há uns dois meses, com certeza. Vou precisar buscar um alergista, com certeza. A incerteza é quando - quando será possível sair com um mínimo de segurança? Provavelmente, eu e toda minha prevenção seremos vencidas primeiro pelo trincado reclamão. 

domingo, 19 de julho de 2020

Quarentoitando na quarentena

Inegável que este aniversário foi diferentão - no meio de uma pandemia, com isolamento social total, mas com a presença do marido e parte da família. Até as mensagens nas redes sociais, em menor número, foram mais carinhosas e emocionantes.
Nesse mesmo clima de aconchego, ganhei da sogra uma peça quiltada maravilhosa, feita por ela, para colocar minha xícara de café na mesa do escritório - claro que a xícara nova veio junto, além de chazinhos e uma caixa de Raffaello, que eu amo. 
Hoje chegou também o presente de Guga, um jogo de aquarelas em pastilha da Koh-i-Noor, que acabo de testar com meus pincéis novos. Que delícia essa tinta que desliza fácil, que cores lindas! 
Ainda conseguimos, na sexta, pedir pizza na pizzaria favorita, por WhastApp e só passamos lá pra pagar e pegar. Hoje, aniversário da avó do marido, rolou moqueca; uma festa de Babette, como disse o tio de Guga. 
E inspirada por minha sogra, fiz uns biscoitinhos para ofertar a dona Amélia. Que coisa melhor para presentear do que aquilo que fazemos com o coração?

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Quinoa doce também pode

Cozinhei e congelei toda a quinoa que tinha, com medo de o pote ser infestado por bichinhos. Afinal, quinoa é um negócio caro, e eu normalmente como cozida, como acompanhamento de pratos salgados - no lugar de arroz e do cuscuz marroquino, principalmente, mas também em saladas.
Vi, então, no UOL uma receita de quinoa doce, para substituir o arroz doce. Leite de coco, açúcar mascavo, limão e canela acrescidos à quinoa - já cozida, no meu caso - e temos um substituto bem respeitável para esse doce tão popular e cheio de afetos. 

Viola, Chimamanda e o racismo nosso de cada dia

Por estes dias, li uma declaração de Viola Davis sobre sua infeliz participação no filme Histórias cruzadas. Já escrevi sobre este filme aqui - eu gostei muito da ideia de solidariedade, da união que faz a força,  da compaixão, mas não dá para ignorar o argumento do branco (no caso, branca) salvador. Somente a personagem de Emma Stone para dar voz às pobres e exploradas empregadas negras - e só porque ela é também uma desajustada, que nem esperava fazer "tanto assim" pelas outras mulheres. 
Viola tem toda razão de dizer que se arrepende desse papel, apesar do sucesso do filme. Porque é como se participasse de uma farsa, a de dizer que está tudo bem entre brancos e negros, que o racismo não existe, mal existiu algum dia. Hoje, que tenho lido e aprendido muito mais sobre racismo sistêmico, por exemplo, ouvindo o excepcional professor e advogado Sílvio Almeida, só posso apoiar sua postura e até gostar um pouco menos do filme, ainda que as atuações  de Viola e de Octavia Spencer sejam magistrais. 
Além de estar atenta ao que dizem meus (poucos) amigos negros, sempre procurando rever minhas falas e atitudes para não replicar mais racismo e, pelo contrário, combater as atitudes racistas, tenho lido autoras negras. Quer dizer, vinha lendo mais MULHERES, e agora mulheres NEGRAS. Além dos socos no estômago de Toni Morrison - que já conhecia de Jazz e, recentemente, do terrível The bluest eye -, só tenho a me encantar com a jovem e prolífica Chimamanda Ngozi, de quem já li Hibisco roxo, Sejamos todos feministas e, agora, Americanah. 
Se em Hibisco roxo a protagonista fala de uma realidade quase tribal eivada de fé e violência, quase como se contasse uma história oculta atrás de um véu, em Americanah a personagem principal escancara tudo que há no mundo global - subdesenvolvimento, corrupção, racismo, machismo, academicismo, subemprego. A sensação que tenho de passar a conhecer a realidade de racismo frequente por que passam as pessoas negras se mescla com a já conhecida de, como mulher, ter vivido e observado algumas coisas bem semelhantes acerca de relacionamentos, autoestima, conhecimento, trabalho, adequação, estar no mundo. No entanto, a experiência de uma mulher negra sempre pode ser mais complicada em vários aspectos. 
Parece estranho que a gente possa aprender tanto com nossas iguais, mulheres, sejam brancas ou negras. Mas é que temos nos dado conta de que o mundo foi todo esse tempo sendo escrito e significado por homens, homens brancos. E o mundo feminino é tão criativo, fértil, profundo e coerente e ecoa tão tremendamente dentro de nós que é impossível não querer conhecer mais de tudo o que está sendo feito para saber mais de nossas irmãs e, portanto, de nós mesmas. Um caminho sem volta, como todo conhecimento de fato precioso. 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Crumble de banana com cranberries e nozes

Bananas sempre me desafiam: o que mais fazer com elas, além de sorvete, cuca, bolo, farofa, pão, comê-las puras ou com aveia? Sei que já é muita coisa, mas digo isso só porque aqui temos épocas de muita abundância, e o desperdício dói.
Hoje me ocorreu fazer um crumble de banana. Daí vi uma receita do Technicolor Kitchen, de crumble de banana com mirtilos e lascas de amêndoas. Adaptei, pra variar, e fiz um de banana com cranberries secas e nozes, e açúcar mascavo no lugar do demerara, caprichando na canela. Achei delicioso - além de ficar feliz com quebrar o paradigma do crumble de maçã (embora eu já tenha feito de pera e melão também).

Ecos de um passado fotográfico

Do baú, do curso de fotografia de Bete Savioli, no amado Centro Maria Antonia. Dia de palmilhar a Paulista com os amigos fotógrafos e Bete. Dali sairia nossa exposição no CEUMA.
Saudades dessa liberdade de flanar pela cidade, frui-la, buscar a beleza onde ela estiver.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Cem dias depois, o que fica?

Na verdade, faz quase 120 dias que estamos em quarentena. E o que isso nos trouxe até agora? Para além da redução de atividade física e contato social e do aumento do cansaço, das comilanças e das incertezas quanto ao futuro: muitas reflexões. Sobre o que é ser pobre, preto, mulher, gay, índio, nordestino no Brasil. Sobre de que lado é possível estar nesta pandemia e depois dela, se dos que desejam que muitos possam mais ou dos que querem continuar fazendo parte dos poucos. Sobre o fato de o Brasil ter problemas de identidade desde sempre - já que aqui a alienação, de si e do outro, é a regra - e que por isso os brasileiros não se enxergam como povo, mas sempre como indivíduos com mundo particulares que mimetizam o estrangeiro, e por isso é tão difícil implantar a democracia, se não há quem se veja como parte de um todo maior e próximo a si, nem quem deseje lutar por seus iguais, partes também desse grande todo. 
Manuel Bandeira já dizia que o que fazíamos era macaquear a sintaxe lusíada. É só transpor essa ideia para a imitação brasileira da cultura gringa nas camadas média e alta da população. O mais é o povo, que está se lascando na pandemia, mas também sobrevivendo graças à sua própria solidariedade. Faz tempo que os pobres sabem que não podem contar com o governo para nada. Ao menos a pandemia fez cair as escamas dos olhos de uma parcela da população, do grupo dos que se importam. 
Claro que sabíamos da desigualdade - eu me incluo neste grupo, pois, mesmo tendo tido uma longa vivência periférica, nunca me faltou um prato básico de comida nem um teto nem escola -, mas havia um véu entre nós e ela. Mais adivinhávamos do que víamos. Pois o véu foi arrancado, e o horror não nos deixa outra alternativa senão tomar posição. Contra a iniquidade, a indiferença, as violências de todo tipo. 
Ainda bate um desânimo grande, porque a distopia governamental não tem fim, o vírus está lá fora, a iniquidade cobra seu preço, e mesmo assim não sabemos o que terá sobrado do mundo quando deixarmos o bunker. 

terça-feira, 7 de julho de 2020

Sumiê e material adequado

Tem final de semana que até consigo dar umas pinceladas no curso de aquarela/sumiê on-line. Como gosto de usar pincel! Nem sei se sei, mas gosto muito dos gestos, dos efeitos que cada pincel produz, dos resultados, mesmo que imperfeitos. 
Por isso comprei mais uns pinceizinhos simples, mas redondos (como pede a aquarela, aprendi), além do papel para aquarela, que nunca tinha tido. Que diferença faz! Quando fiz o curso da Susan Hirata, usei papel filtro, mas tinha o pincel de sumiê e a tinta sólida - além da assistência presencial da Susan, claro -: por isso, acho que o resultado era bem melhor do que o vinha tendo com a aquarela. Talvez até use a tinta sólida em alguns testes, a ver.
Com o papel adequado, Canson de gramatura 300, os exercícios tiveram um resultado melhor, com ajuda das ranhuras do papel. Os pincéis novos não são lá essas coisas (prefiro os Keramik, mas a maioria dos que tenho tem ponta fina ou achatada), ainda patino um pouquinho com a aquarela em bisnaga, que usava como guache, um efeito mais blocado, sem transparência. Mas Guga sugeriu me dar de presente de aniversário algo ligado a pintura, e escolhi uma aquarela da Koh-i-Noor, maravilhosa e subestimada marca tcheca de materiais de arte. Como as marcas japonesas, a Koh-i-Noor normalmente tem produtos ótimos a preço acessível - para ficar no exemplo das aquarelas, um terço do preço de uma Winsor & Newton pelo triplo de cores. 
Agora estou como criança, esperando meu colorido presente (mas já querendo mais pincéis, oh, God!).

sábado, 4 de julho de 2020

Sem eles, não sei não

Olha, não sei o que seria de nós sem os pets. Talvez já tivéssemos nos matado, talvez já tivéssemos morrido de tristeza. Com Chica, Zen e Kong, porém, seguimos acarinhados e acarinhando. É muito amor vindo do nada, e isso é puro alimento pra alma, ainda mais nestes tempos de tanto ódio, intolerância e indiferença. 

O sol, a bicicleta e como nos acostumamos a tudo

Depois de mais de cem dias de quarentena, tomei sol. Eu sei, parece loucura, eu vivendo no Nordeste e não tomar um solzinho. Aconteceu, na realidade, uma pane mental com essa história de pandemia, e como deixamos de ir à praia parece que por extensão deixei de tomar sol no quintal, como se não tivesse direito a. Além disso, chovia a qualquer hora, e ficou difícil planejar o bronzeamento em meio a faxina e demais tarefas. 
Pois na semana passada rolou um solzinho. Até era dia de lavar banheiro, mas resolvi tomar um sol antes de fazer umas tantas coisas. Foi ótimo. Talvez essa falta estivesse influenciando ainda mais a tristeza diante de tudo o que temos vivido.
Também fazia mais de cem dias que não pedalava. Atendendo a pedidos, fui entregar alguns pães, de bike. Isso já foi mais estressante, sair de máscara, quase sufocar, aquele temor de chegar perto de outros passantes, mas, aparentemente, deu tudo certo. Só não foi exatamente uma curtição, embora tenha sido bom sentir o corpo em movimento quando achei que nem sabia mais me equilibrar sobre a bicicleta.
Um dos aspectos da pandemia tem sido nos lembrar como nos acostumamos a tudo, inclusive a não fazer nada, um perigo para a existência. Aliás, numa situação de exceção, parece que primeiro há uma paralisação geral, um embotamento dos sentidos, a aceitação da morte em vida. Daí temos que explicar à mente que, na verdade, continuamos vivos. No caso brasileiro, vai-se ao outro extremo, de as pessoas acharem que já está tudo normalzinho - hoje, de carro, vimos dezenas de ciclistas pedalando em bandos. Talvez seja uma tendência suicida do nosso povo, mas seria importante que alguém avisasse à galera que tudo se aprende nessa vida, inclusive a viver, conviver, respeitar, ajudar. 
Enquanto ninguém faz isso, seguimos acostumados aos cuidados, mas reintroduzindo o sol. 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Reedição do bolo de cenoura com especiarias

Revisitei o bolo cenouroso da Rita Lobo, desta vez com creme de cream cheese. Tudo porque tinha cenouras esquecidas na geladeira e porque outro dia descobri que essa receita era uma receita típica norte-americana, acompanhada da tal cobertura de cream cheese, manteiga e açúcar, o mesmo buttercream que se usa no Red Velvet. 
Hoje o bolo ficou ainda mais gostoso que da outra vez, talvez porque tinha açúcar mascavo e a cenoura estava ralada menorzinha. O acréscimo da cobertura é bem bom, mas não indispensável. Talvez a sugerida pela Rita Lobo, de iogurte, combine mais, não sei, não experimentei ainda. Mas, como bem disse meu marido, daria para ter carregado um pouco mais nas especiarias, e o bolo lembraria pão de mel, hummmm. 

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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