quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O doce e achocolatado sabor do pão australiano

Amo pão australiano e seu gosto doce e achocolatado. Ainda não tinha tentado fazer, mas de tanto comprarmos pão australiano da Limiar, uma (boa) marca industrializada local, resolvi que era hora de achar uma receita doméstica.
Encontrei uma no site paorustico.com - o único senão é quanto ao preparo: como se pede para misturar todas as farinhas e a água e o fermento somente depois, desconfio que por isso (o fermento não ser previamente ativado) o pão cresça pouco. Mas o sabor é incrível!
No Desafios Gastronômicos, achei outra receita, com o fermento sendo ativado antes e sem uso de farinha de centeio - que, embora eu adore, é muito cara por aqui. Até usei na receita, mas em termos de custo não vale a pena.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Mjadra

É difícil para mim escolher uma comida favorita. Eu gosto de muitas. Gosto de comida. Mais fácil é dizer do que não gosto - fígado, talvez. Mas uma culinária que me atrai bastante é a árabe/síria, com todos os seus temperos.
Outro dia fiz mjadra, o arroz com lentilhas e muita cebola caramelizada. Até congelei o que sobrou. Costumo fazer a lentilha e o arroz separados e então juntá-los na hora de colocar as especiarias (cravo em pó, canela em pó, noz-moscada, sal, pimenta-do-reino, summac e às vezes coentro em pó).
Desta última vez, fiz com arroz integral, mandei ver nos temperos e preparei numa frigideira grande, quase uma paellera. Fiz como se fosse paella ou risoto, e demorou bem mais a ficar pronto - quando o arroz estava quase al dente, acrescentei a lentilha, que custou a cozinhar. Mas, desse modo, ela não ficou mole demais, o cozimento dos grãos foi mais uniforme. Também tenho deixado a cebola dourar em fogo baixo (poderia ter ficado mais amarronzada, mas a fome bateu antes). Mil técnicas. 

Feijuca de aniversário

A primeira feijoada que fiz, com direito a post aqui, foi a pedido de Guga. De lá pra cá, fui me aperfeiçoando. E a feijuca de aniversário que fiz para ele foi a mais longamente preparada, comme il faut.
Comecei na véspera, dessalgando as carnes (lombo defumado, salpresa e charque) de hora em hora, colocando o feijão de molho por umas 2 horas antes do cozimento - desta vez, a proporção de feijão foi maior que a de carne.
Depois de limpar as carnes, tirando o excesso de gordura, fui colocando cada tipo de uma vez no feijão já em cozimento, com intervalos de meia hora entre um tipo e outro, os embutidos (linguiças portuguesa e calabresa) no final. Acrescentei água de quando em quando, para o cozimento ser lento e gradual. Entre o início do processo e o cozimento, foram 10 horas. Daí, fui dormir, enquanto a panela emprestada da sogra ficou sobre o fogão, maturando a mistura, realizando a alquimia própria dos pratos "cozidos".
No outro dia, já cedo, fervi a feijoada (para não azedar), enquanto preparava alho picado e cheiro-verde para o tempero. E só. Nada de cebola. Nem de sal. Retirei parte do caldo para bebermos à parte, batido com alguns grãos. Mais umas 3 horas até considerar "pronta" a feijoada. E ficou uma delícia!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Coisas chatas x alegrias de padeira

Como a vida não é só bichinhos fofos, pedal, comida boa, nos últimos dias tive uns perrengues. Soube, ao consultar meu extrato de cartão de crédito, que tive o mesmo clonado e usado em compras internacionais - por sorte, pequenas (até porque meu limite é pequeno mesmo). Consegui resolver logo, ligando para o banco, que cancelou as compras e providenciou o estorno na outra fatura. Mas fica aquela sensação de vulnerabilidade, de invasão.
Outra coisa bem chata é que, com a greve dos Correios, não recebi ainda o cartão novo, nem o frequencímetro que comprei há mais de um mês, nem uma compra de cadernos que fiz (e que, na verdade, nem tive resposta se o fornecedor enviará à Livraria Cultura). Claro, acho a greve legítima, mas estou naquela expectativa ansiosa e irritante.
Mas, porém, contudo, todavia, alguma coisa boa tinha que acontecer. Depois do malfadado não show de Gilberto Gil, fomos encontrar Cinho e Tai. E descobri que o pai dela tem uma distribuidora de insumos para padaria, inclusive da farinha de trigo que gosto de usar, Finna. E ela me deu 1 kg de farinha integral de boa qualidade para experimentar, benfazejamente. Acabei fazendo uma cuca de banana - inclusive porque ganhamos bananas do vizinho.
Se não estivermos atentos, deixamos de perceber os pequenos e diversos presentes cotidianos, que fazem frente às eventuais chaturas que também ajudam a compor a existência. Uma espécie de trégua, um respiro necessário.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A importância da concentração

Voltando do pedal com o marido, outro dia, me estabaquei na calçada, tolamente. Fui fazer graça em resposta a um comentário dele e, quando me dei conta, o pneu já tinha raspado na guia e eu voei por cima da bike. Até então eu estivera superconcentrada no meu pedal, na minha respiração, e bastou uma distração pra eu ganhar uma raladura dolorida no cotovelo e rasgar minha jersey de mandacarus.
Hoje já não tenho dúvidas de que estar concentrada, inteira, presente no que faço é o melhor estado, que traz os melhores resultados. Pro trabalho, pra cozinha, pro pedal, pra arte, pra vida. Quantas comidas de bola, queimaduras na porta do forno, tombos, pontos malfeitos, más escolhas seriam evitados?
Claro que nem sempre é possível estar 100% ali, por ter alguma preocupação, por estar esgotada ou de saco cheio. Aí, talvez, o melhor seja fazer outra coisa, nem que seja por 10 minutos. E tentar voltar à concentração. Respirar, zerar os pensamentos e concentrar-se. Experimentar a plenitude do momento, experimentar estar integralmente em contato consigo mesma. É muito, muito bom.

Gostaria de ter escrito: Arqueologias culinárias da Índia

Ou qualquer coisa nessa linha. Que delícia ler sobre comida, em um livro escrito por alguém que não só tem prazer na degustação como também no entendimento do que há por trás dos hábitos alimentares.

domingo, 24 de setembro de 2017

O famoso gato por lebre - show de Gilberto Gil sem Gil

Tá, viramos ratos da Concha Acústica - vimos shows ótimos lá: Tom Zé, Zé Ramalho, Novos Baianos, Milton, O Grande Encontro. E achamos que não poderia ser diferente com o amado Gilberto Gil. Mas foi.
As informações sobre o show de comemoração de 40 anos do álbum Refavela, tanto no site do Teatro Castro Alves quanto em sites locais de cultura, como o IBahia e do jornal Correio, falavam que Gil receberia outros artistas, como Céu, para cantar as canções inspiradas em sua viagem à Nigéria. Porém, foi uma espécie de karaokê de familiares de Gil e Caetano, com tentativas explícitas de lançar artistas desconhecidos, como a nora de Gil, casada com o produtor do espetáculo, Bem. O anfitrião do show, na verdade, era Moreno Veloso. Gente, quando é que eu pagaria 120 reais e venceria 60 km de estrada para assistir Moreno Veloso saltitando para lá e para cá? Para ouvir o tímido vocal da nora de Gil? Para só ver Céu 1h20min depois de iniciado o show - quando, na verdade, já estávamos indo embora, por fim convencidos da trapaça toda?
O show começou com um áudio da voz de Gil, gravado nos anos 70, falando do lançamento do álbum. Foi o único sinal de sua presença, ainda que em todos os cartazes sua foto e seu nome apareçam em primeiro plano, inclusive na frente do TCA (grande responsável pela venda do engodo). Pelo que vi no site do Correio de hoje, "quase no final da festa, Gilberto Gil entrou no palco, colocando toda a Concha para dançar ao som do batuque da Patuscada de Gandhy". É realmente possível que aquelas 5 mil pessoas tenham achado normal ir a um show de Gilberto Gil com "participação especial de Gil", quando o que se vendeu foi sua atuação como anfitrião? A minha impressão é de que a maioria do público presente (porque, sim, mais gente foi embora) tenha achado mais cômodo esperar, que tenha se conformado com uma participação, mesmo que mínima, do artista.
Em uma entrevista do Correio, cuja chamada é de que Gil seria o anfitrião, somente no meio do texto dá-se a entender que ele vai cantar 3 músicas durante o show (se tivesse lido isto há 3 semanas, nem perderia tempo). De resto, parece haver um grande conluio midiático para promover o show e os parentes menos famosos do cantor. Tristes tempos estes, em que a cultura também é manchada pelo oportunismo, pelo favorecimento de iguais, em detrimento da maioria da população.

Atualização no dia 25 de setembro:
Teatro Castro Alves: Prezada Solange, lamentamos pelo seu descontentamento. O show de fato se configurava como um tributo, e não como apresentação de Gilberto Gil. O release publicado no site do TCA, disposto pela produção do evento, fazia esta contextualização. Ademais, esclarecemos que a realização do show e do projeto é independente, não se tratou de um espetáculo promovido pelo TCA. Ficamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Solange Lemos: Teatro Castro Alves, ninguém lamenta mais do que eu, que tenho ido a tantos shows na Concha Acústica, e observado problemas aqui e ali, como a superlotação do espaço e os gritos do público na direção de quem está de pé. Lamento muito que a sanha do lucro produza massas apinhadas nos acessos às arquibancadas da Concha Acústica, que não haja nenhum cuidado da produção com a segurança e o bem-estar do público. Lamento a comunicação dúbia apresentada/compactuada no site do TCA e em outros meios digitais e no cartaz enorme diante do teatro no caso do evento referido. Lamento sobretudo por saber de antemão que esta seria a resposta óbvia à minha reclamação - "não temos nada a ver com isso" porque "o evento é independente", embora eu tenha comprado do TCA, e não da produtora de Bem Gil, os ingressos, o que configura responsabilidade solidária. Lamento, lamento muito mesmo que esse grande complexo tenha se tornado tão pouco convidativo, tão pouco "cultural".

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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