quarta-feira, 6 de março de 2024

Bar da Monica, uma pequena aventura na Gamboa

Mais uma vez na Gamboa, desta vez no Bar da Monica, com Vivi. Embora nas mesmas paragens, um rolê completamente diferente do Re-restaurante de dona Susana. Explico.
Quando fui ao restaurante de dona Susana, com Marise, era só entrar na comunidade, pelo caminho do casario colorido pela galera do Musas, seguir a multidão e logo estava lá. Achei que o caminho para o Bar da Monica fosse mais ou menos o mesmo, só andando um pouco mais à frente. Ledo engano. Perguntamos aos moradores que íamos encontrando como chegar lá, e cada pessoa dizia uma coisa. Entendemos, de todo jeito, que tínhamos de subir escadas, e não descer, como quem vai até dona Susana. Até que uma senhora disse que tínhamos de subir até voltar para "a pista", ou seja, a Avenida Contorno, e então "atravessar". Atravessar para onde, meu pai? Para a rua Carlos Gomes? Nesse momento, e porque não víamos visitantes, tudo era muito ermo, resolvemos voltar até o lugar de onde partem os barquinhos. 
Sim, para se chegar ao Bar da Monica, o mais comum, pelo que vimos, é via barco. Descemos uma escadaria imensa até a praia pequena e pedregosa, e perdemos uns bons minutos vendo a suposta organizadora da saída de barcos brigar com os barqueiros antes que pudéssemos tomar um barco e sair. Gleison, o barqueiro, disse, todo sorridente, que era só chamá-lo, a qualquer tempo, que ele iria nos buscar (pagamos 20 reais por pessoa pela ida e volta). 
Quando chegamos, o bar estava completamente lotado, por volta das 10h30. Daí percebemos a grande diferença para o restaurante de dona Susana - o bar da Monica é praticamente uma barraca de praia, então, como se estivéssemos na praia, o pessoal chega cedo e fica até altas horas. Se não fosse por Sadan, o garçom com maior boa vontade do lugar e, oficialmente, o melhor organizador do espaço, não teríamos arrumado nem uma cadeira. Ele colocou uma mesa com guarda-sol para nós lá em cima, perto da cozinha, e lá pelas 15h, quando nem sonhávamos com mais nada (até porque já tínhamos dado nosso mergulho), nos convidou a ocupar uma mesa bem na frente do mar - que não era a mais bem localizada, porque, como ficava diante da escada do "píer", tinha uma barreira humana diante dela, gente fotografando, gente olhando, conversando, sentando em cima da mesa. A zoada também era grande, com todas aquelas pessoas concentradas sob a cobertura, com caixas de som e que tais. 
E a comida? Pedimos moqueca mista, ela veio com meia dúzia de minúsculos camarões e duas postas de cavalinha. Nem de longe se compara à de dona Susana, e é mais do que o dobro do preço. Mas ninguém ali se importa, porque o atrativo do lugar é o lugar, é o mar diante de todos, a possibilidade de poder dar um mergulho, ou vários, entre um aperitivo e outro. No meu caso, até descolei um macarrão emprestado, por coincidência de uma amiga da minha professora da academia, imagine. 
Vale a pena? Vale muito. Mas os locais já sabem: é para chegar cedo, passar o dia, de preferência apostando em petiscos, e não no almoço. Sim: chegar de barco, e não se aventurando pelo labirinto da comunidade, deixando a aventura para a travessia marítima. 

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Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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