segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Amizade que tece manhãs e histórias

Wagninho veio a trabalho para a Bahia e depois tratou de me honrar com sua companhia. Não nos víamos pessoalmente há quase quatro anos. Quanta história para colocar em dia! Falamos de alegrias e tristezas, passado, presente e futuros, tomamos muitos cafés e sorvetes, batemos perna por Salvador, uma Salvador menos turística, mais popular, negra e profunda a maior parte do tempo, tudo praticamente registrado por Wag. 
Teve exposição no Muncab com lindos trabalhos de artistas brasileiros e estadunidenses abordando a ancestralidade africana com os onipresentes Rubem Valentim e Mestre Didi, painéis de Carybé no Mafro, arroz de hauçá do Axego, sol forte no Pelourinho. Mais tarde, cantoria com Lívia, uma total desopilação com a turma sempre animada do Karaokê da Lapa e o sempre rabugento Jorge, que comanda o microfone - de bônus, o motorista que nos levou era apaixonado por Guilherme Arantes e pediu para ouvirmos as novas músicas. 
No dia seguinte, mesmo tendo dormido muito tarde, ainda fiz prova de proficiência do espanhol, antes de irmos à praia em Ondina mesmo e de encontrarmos em seguida com Guga para almoçar no Buddha Bistrô. Mais tarde, matamos o desejo de Wagninho por um acarajé na Dinha - e enfim tirei foto com Jorge (mais um Jorge) e Zélia. 
Finalizamos nosso encontro feliz na festa de São Lázaro, com missa afrobrasileira e o engajado padre Clóvis, que, criado em um terreiro dedicado a Ogum, pregou contra a desigualdade própria do capitalismo, conclamando à mudança, maravilhoso (e é pároco da única igreja de São Jorge em Salvador). Além do banho de cheiro, pipoca e folhas, fomos aspergidos mais três vezes antes, durante e depois da missa. Que coisa linda essa missa ao som de atabaques e presença das mães e filhas de santo! Para coroar, chuva de pétalas sobre nós, cura completa orquestrada por Obaluaê/São Lázaro. Ainda descobri que o tal bar A Boneca Cobiçada, na frente da paróquia, deve seu nome a uma música, um bolero sertanejo, e foi escolhido pelo avô do atual proprietário. Na volta, já em casa, fizemos um brunch com bolivianos, mingau de carimã (delicioso, que eu não conhecia), pão delícia com queijo reino da Apipão. E café, claro!
No meio dessa perfeição toda, adicionamos mais pontos e fios à tessitura de nossa amizade de mais de trinta anos.  

2 comentários:

  1. Nossa, emocionadíssimo com esse relato tão carinhoso, como foram os dias que passei contigo, Sol.
    Aliás, a vida não poderia ter lhe propiciado apelido, alcunha, epíteto SOL.
    Sempre nos alimentando, de diversas formas, de vida. Na alegria e no protesto! Porque a gente não quer só comida!
    E este nosso reencontro foi tão abençoado, que quando minha mãe viu nossa foto, imediatamente disse: vocês estão a cara da felicidade. Pois é!
    Até breve!!!

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    1. Te amo, amigo! Como é bom partilhar este espaço-tempo com você ❤️

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Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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